As leis inusitadas que já existiram no Brasil - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Direito 29/09/2026 16:31

As leis inusitadas que já existiram no Brasil

As leis inusitadas que já existiram no Brasil

Em diferentes períodos da história, cidades brasileiras aprovaram leis que hoje soam improváveis.

Há registros de municípios que proibiram a venda de melancia por temor de contaminação, de gestões que puniram erros de português em faixas comerciais e até de prefeitos que tentaram regular o comprimento das saias ou o uso de mochilas em espaços públicos.

Essas normas surgiram em contextos específicos e revelam muito sobre as preocupações, os exageros e as prioridades administrativas de cada época.

Confira a seguir, alguns desses episódios que ajudam a entender como o poder público já interferiu de maneiras incomuns no cotidiano do país.

1. Melancia como fruto proibido

Em 1984, Rio Claro (SP) decidiu que a melancia representava risco sanitário. Acreditava-se que ela transmitia febre amarela e tifo. A cidade proibiu a comercialização da fruta, que virou literalmente o fruto proibido. A lei caiu, mas deixou registrado como o pânico moral encontra terreno fértil quando o poder público prefere o improviso à evidência científica.

2. Formigueiro em casa podia dar multa

Em 1965, Rio Claro adotou uma regra que hoje parece improvável. Quem tivesse um formigueiro no quintal podia ser autuado e receber multa equivalente a 2,5% do salário mínimo. A fiscalização deveria notificar o morador para eliminar o ninho, tratando o problema como responsabilidade individual e não como parte das ações de manejo urbano e ambiental do município

3. O aeroporto para ETs no Mato Grosso

Em 1995, Barra do Garças (MT) aprovou a criação de um “aeroporto interespacial”. O famoso “Discoporto” ganhou terreno reservado e projeto, mas nunca chegou a existir. Ainda assim, entrou para o folclore político como símbolo do Brasil que cria ficções legislativas.

4. O prefeito que proibiu anticoncepcionais

Na cidade de Bocaiúva do Sul (PR), em 1997, o prefeito proibiu a venda de camisinhas e anticoncepcionais por causa da queda populacional. A medida durou apenas 24 horas, mas expôs como mulheres e seus corpos são constantemente usados como moeda administrativa.

5. A minissaia virou caso de polícia

Em 2007, a cidade de Aparecida, no interior de São Paulo, ganhou repercussão nacional após o então prefeito José Luiz Rodrigues, conhecido como Zé Louquinho, assinar uma lei que proibia o uso de minissaia.

A decisão provocou reação imediata. Muitas mulheres passaram a circular de saia curta justamente para contestar a medida e expor seu absurdo. A norma foi rapidamente abandonada, mas acabou se tornando um exemplo de como tentativas de controle sobre a roupa e o comportamento feminino.

Deu em Revista Fórum

Ricardo Rosado de Holanda
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Descrição Jornalista