Artes 30/07/2024 12:22
Arte rupestre revela práticas de caça na Floresta Amazônica há 12,5 mil anos
Pesquisadores acreditam que os registros, que vêm da Amazônia colombiana, podem dar pistas também sobre a mitologia dos primeiros grupos humanos na região

A partir de artes rupestres encontradas em uma área de Floresta Amazônica na Colômbia, uma equipe internacional de arqueólogos identificou cenas da relação dos primeiros humanos do continente americano com animais.
Espalhados pela cadeia de rochas do Cerro Azul, na Serranía de la Lindosa, os registros retratam a mitologia e o dia a dia dessas populações americanas antigas, a partir de 10.500 a.C.
Para além das representações artísticas, os especialistas também avaliaram em seu estudo os restos de animais recuperados de escavações nos arredores da galeria. As descobertas aparecem em um artigo publicado na última passada no Journal of Anthropological Archaeology.
“Esses sítios de arte rupestre incluem as primeiras evidências de humanos na Amazônia ocidental, 12.500 anos atrás”, indica Mark Robinson, um dos responsáveis pelo projeto, em comunicado.
“Como tal, a arte é uma visão incrível de como esses primeiros colonos entenderam seu lugar no mundo, e como eles formaram relacionamentos com os animais — como fonte de alimento, mas também como seres reverenciados, com quem tinham conexões sobrenaturais”.
Em 2016, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) firmaram um acordo de paz, as investigações científicas no interior do país puderam ser retomadas com segurança.
De lá para cá, os arqueólogos documentaram diversos sítios de arte rupestre no Cerro Azul, localizada perto do Rio Guayabero, no noroeste de Guaviare.
Dos 16 painéis existentes na região, a pesquisa se concentrou em seis, cujas áreas desenhadas variavam de 60 a 400 m².
Ao todo, foram capturadas 3.223 imagens usando técnicas de fotogrametria de drone e fotografia tradicional.
As imagens, então, foram categorizadas de acordo com sua forma. Imagens “figurativas” se mostraram as mais comuns.
Nessa lista, pelo menos 22 espécies de animais foram identificadas — incluindo veados, pássaros, queixadas, lagartos, tartarugas e antas.
“Os povos indígenas de Cerro Azul e das terras vizinhas caçavam e retratavam uma gama de animais de diferentes ecologias.
De peixes aquáticos a macacos arbóreos, dos veados terrestres aos pássaros aéreos”, explica Javier Aceituno.
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Curiosamente, embora restos de peixes sejam abundantes nos vestígios arqueológicos, sua aparição na arte é limitada a apenas dois painéis, no que parecem ser cenas de pesca.
Da mesma forma, os especialistas se surpreenderam ao notar a ausência dos grandes felinos na galeria, apesar das onças-pintadas serem os principais predadores do bioma.
Isso fez com que a equipe especulasse que, mais do que só representar o cotidiano desses grupos, as artes revelassem aspectos de sua mitologia.
Desenhar as poderosas feras amazônicas, ameaças também aos humanos, poderia ser um visto como um mau presságio, por exemplo.
A hipótese mitológica é reforçada pela presença de figuras teriantrópicas nos painéis.
Em diversas imagens pode-se verificar personagens que parecem combinar características humanas e de outros animais, como aves, anfíbios e mesmo outros mamíferos. Dentre algumas comunidades indígenas, a transformação entre as espécies ainda faz parte de sua cultura e crenças.
“Nossa abordagem revela diferenças entre o que as comunidades indígenas exploravam para alimentação e o que é conceitualmente importante representar – e não representar – na arte”, destaca Jose Iriarte.
“Embora não possamos ter certeza do significado dessas imagens, elas certamente oferecem maior nuance à nossa compreensão do poder dos mitos nas comunidades indígenas. Elas são particularmente reveladoras quando se trata de aspectos mais cosmológicos da vida amazônica, como o que é considerado tabu, onde reside o poder e como esses humanos ‘negociavam’ com o sobrenatural”.
Deu em Galileu

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