“Enquanto um homem com notas muito boas tem mais chances de ser considerado um gênio, mulheres com as mesmas conquistas têm mais chances de serem vistas como trabalhadoras, por exemplo”, disse Bauer, em comunicado.
Com menos confiança em si mesmas, as chances de sucesso nas mulheres de menor renda são reduzidas. De acordo com a pesquisadora, isso faz com que “algumas indústrias e áreas da sociedade sejam muito unilateralmente dominadas por homens e pouco diversas”.
Essa concepção equivocada contribui ainda para a desvantagem que essas estudantes sofrem nas disciplinas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática), onde talento é visto como um fator importante para o sucesso, fazendo com que mulheres participem menos.
A crença no talento nato também se aplica a empregos como consultorias de gestão ou até mesmo a passatempos como o xadrez. “Essa visão tem consequências de longo alcance para as chances de sucesso dos afetados nessas áreas”, explicou Bauer.
Mas seria a solução do problema fazer as mulheres menos favorecidas acreditarem em seus talentos? Não exatamente. Em vez de talento, as autoras recomendam dar maior reconhecimento social à importância de qualidades como diligência e trabalho duro.
Isso porque as mulheres com status socioeconômico mais baixo, embora não se achem as mais talentosas, não se consideram menos esforçadas, conforme demonstrou um experimento previamente publicado.
O estudo sugere que o reconhecimento do esforço pode ocorrer de várias formas. Uma delas é mudar o modo no qual nos referimos a pessoas de alto desempenho ou damos feedbacks. Em vez de elogiar gênios naturalmente dotados e menosprezar os esforçados “nerds”, é preciso apreciar as pessoas por seu trabalho árduo.
A autora destaca, por exemplo, um feedback construtivo, “que deixe claro como as pessoas podem melhorar, em vez de apenas elogios ou críticas sem uma perspectiva de desenvolvimento”.
Mas o motivo por trás da autoimagem distorcida das mulheres de baixo status socioeconômico ainda será objeto de estudos futuros. “Estereótipos ou diferentes experiências com desafios, que são interpretados erroneamente como um sinal de falta de talento, podem desempenhar um papel.”


