Política 22/11/2025 07:07
Alcolumbre não rompeu (só) com o líder do governo

Lula (PT) e Davi Alcolumbre (União) tinham motivos para manter, no Senad o, uma relação mais amistosa do que aquela observada na Câmara liderada por Hugo Motta (Republicanos).
Alcolumbre tem interesses profundos nas incursões da Petrobras na Foz do Amazonas, localizada em seu estado, o Amapá.
Vê ali a oportunidade de jorrar em breve petróleo, votos e dinheiro em seu reduto.
Até pouco tempo, Lula tinha no Senado uma espécie de corretor automático das ousadias de deputados. Os integrantes da Casa mataram no peito e sepultaram projetos como a PEC da Blindagem. E preparavam as tesouras para aparar o PL Antifacção, que chegou por lá todo estrunchado devido às intervenções de Guilherme Derrite (PP), relator do projeto.
Isso tudo pode ir para o vinagre com a declaração de guerra de Alcolumbre a Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.
A razão é a indicação de Jorge Messias para a vaga de Luis Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.
Alcolumbre preferia que o nome fosse Rodrigo Pacheco, senador que ele instalou na presidência do Senado quando seu mandato se encerrou. Não rolou. E ele agora diz que não tem mais relação nem institucional nem pessoal com o senador petista.
A não ser que Wagner tenha dado a ele a certeza de que convenceria Lula a mudar de ideia, a reação de Alcolumbre parece (e é) um tanto desproporcional.
Fica parecendo que escolha de ministro para o STF é como esperar a vez de assumir o controle do videogame e ser passado para trás. Não é assim que funciona.
Tudo indica que existem outras razões para a bronca. Algumas inconfessáveis.
Em Brasília, o que se comenta é que metade do mundo político anda em polvorosa com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e suspeito de liderar uma das maiores fraudes em uma instituição bancária no país. Quando o mundo político se revolta contra a PF, o alvo é quase sempre quem manda na PF. No caso, o Ministério da Justiça. Logo, o Governo Federal, que pode criar pressão pela troca dos delegados escolhidos para postos-chave. O diretor, por exemplo.
E a pressão sobre Lula está pesada. Basta lembrar que toda vez que Flávio Dino, indicado do presidente ao Supremo, mexe nas emendas parlamentares, é a orelha dele que queima.
Eduardo Cunha, quando presidia a Câmara, rompeu com o governo antes de levantar na unha o impeachment contra Dilma Rousseff (PT).
Motta já indicou de que lado está.
E Alcolumbre começa a se pintar para a guerra.
Todo mundo sabe que romper com o líder do governo significa, na prática, um rompimento com o próprio governo.
E, a não ser que a turma do “deixa disso” entre em campo logo, a história de rompimentos do tipo nunca acaba bem.
Deu em IG

Descrição Jornalista
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