FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Comportamento 20/03/2026 19:20

Ajudar o garçom a tirar a mesa parece um gesto gentil, mas psicólogos enxergam algo muito mais profundo

Ajudar o garçom a tirar a mesa parece um gesto gentil, mas psicólogos enxergam algo muito mais profundo

Repare na próxima vez que for a um restaurante ou cafeteria com familiares e amigos: quando o garçom se aproximar para recolher os pratos, seja para servir a próxima etapa da refeição ou porque ela terminou, alguém à mesa, de forma espontânea e instintiva, já irá juntar ou aproximar os pratos antes mesmo da chegada do garçom, para facilitar o serviço.

Esse gesto é quase imperceptível para a maioria das pessoas, mas, segundo o psicólogo Francisco Tabernero, essa ação tão comum e espontânea pode revelar muito mais do que aparenta.

“Esse gesto simples de ajudar o garçom significa várias coisas”, afirma Tabernero.

Mais do que educação

Além de ser um sinal de educação, o ato de ajudar o garçom de forma espontânea e sem interesse demonstra dois traços de personalidade principais e bem definidos.

Tabernero destaca que, por um lado, “oferecer ajuda desinteressada ao garçom denota um traço de empatia”, que se manifesta em “ajudar simplesmente por altruísmo”.

Esse comportamento pode ser considerado um sinal do que os psicólogos chamam de atitude pró-social. Ou seja, ações voluntárias que beneficiam outras pessoas sem buscar nenhuma compensação direta ou reconhecimento.

Pessoas que ajudam a recolher a mesa ao final da refeição podem estar demonstrando qualidades internas como empatia, humildade e responsabilidade social, características que muitas vezes não são evidentes à primeira vista, mas que têm grande peso, inclusive no ambiente profissional.

Embora os estudos sobre esse tipo de comportamento atribuam grande parte do mérito aos hábitos adquiridos e à influência dos pais, também há evidências de que essa conduta está diretamente ligada a uma compreensão ativa do esforço alheio.

Déficit de assertividade e julgamento social

Da mesma forma, Tabernero destaca que o comportamento também pode revelar um tipo de assertividade passiva, que “provoca um medo excessivo da avaliação negativa dos outros. Esse traço é observado em pessoas excessivamente prestativas, tanto com conhecidos quanto com desconhecidos”.

Da mesma forma, Tabernero destaca que o comportamento também pode revelar um tipo de assertividade passiva, que “provoca um medo excessivo da avaliação negativa dos outros. Esse traço é observado em pessoas excessivamente prestativas, tanto com conhecidos quanto com desconhecidos”.

Segundo o psicólogo, “às vezes, não é apenas um gesto altruísta, mas prevalece a necessidade de agradar e evitar ser mal avaliado. É a necessidade de ‘ser bem visto’”.

O que todos os recrutadores buscam: espírito de equipe

O especialista também reconhece traços de comportamento pró-social na iniciativa proativa de colaborar com o garçom, contribuindo para que o trabalho que ocupa sua atenção naquele momento (recolher a mesa) seja feito com rapidez e eficiência, demonstrando envolvimento mesmo em tarefas que não são suas.

Essa atitude colaborativa está entre as chamadas soft skills, ou habilidades interpessoais, que têm ganhado cada vez mais importância nos processos de recrutamento.

Um metaestudo publicado na Journal of Applied Psychology concluiu que funcionários que apresentam comportamentos pró-sociais de forma consistente aumentam a produtividade e fortalecem o clima em equipes de trabalho.

A pesquisa reuniu dados de mais de 9.800 colaboradores de diversos setores e revela que esse tipo de atitude gera menos tensões internas e maior coesão entre os membros da equipe, tornando esses perfis altamente valorizados pelas empresas.

Segundo um estudo publicado pela Harvard Business School, “as equipes com maior número de funcionários que agem por iniciativa própria em benefício do grupo apresentaram um aumento de 16% nos níveis de produtividade e 12% em indicadores de coesão interna”.

No entanto, Tabernero ressalta que, neste caso, a ação de “colaborar para recolher a mesa pode estar mais ligada a uma condição prévia da pessoa — ser muito inquieta ou nervosa — que a leva a querer que tudo ao seu redor seja feito imediatamente, e não a uma atitude consciente e planejada de ajudar o garçom ou torná-lo mais eficiente em seu trabalho”.

Deu em Minha Vida

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista