Vacina 20/07/2021 09:22
Ainda não há dados para justificar uma revacinação anual, dizem especialistas
Duração da imunidade ainda é estudada; indícios mostram proteção duradoura

Apesar do governo do Estado de São Paulo ter anunciado a revacinação da população paulista para janeiro, especialistas ouvidos pelo Poder360 afirmam que ainda não há dados que justifiquem a ação.
Estudos sobre a duração da imunidade das vacinas ainda estão sendo realizados e os primeiros resultados indicam uma proteção duradoura.
A revacinação é uma medida utilizada quando há provas de que o nível de proteção do corpo humano ao vírus cai com o tempo. Assim, campanhas são realizadas para garantir que o organismo mantenha a imunidade.
Para que uma vacina precise de uma 3ª dose ou de um novo ciclo vacinal, ou seja, novas doses administradas depois de um período específico de tempo, é necessário um acompanhamento da resposta imune. Esses estudos estão sendo realizados principalmente com as vacinas utilizadas em países da Europa e nos Estados Unidos. E eles indicam uma resposta imune duradoura.
Um estudo lançado na revista Nature em junho deste ano mostrou que as vacinas da Pfizer e da Moderna, por exemplo, provocam uma reação imunológica que pode durar anos ou até a vida inteira. Eis a íntegra do estudo, em inglês (3 MB).
As vacinas conseguem ativar uma parte do organismo humano que é treinada para reconhecer e combater o vírus. Basicamente, as células de proteção do corpo humano se lembram do coronavírus e conseguem identificá-lo mesmo quando há mudanças em seu código genético, ou seja, conseguem identificar as variantes.
“Os estudos que nós temos nesse sentido, com as vacinas que nós temos, não indicam nesse ponto que nós precisamos de um reforço anual. Não pela imunidade”, afirma Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Insitute.
Por outro lado, Flávio Guimarães da Fonseca, virologista do CT Vacinas (Centro de Tecnologia de Vacinas) e pesquisador do departamento de microbiologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) afirma que é provável que reforços sejam necessários. “Mas ainda não se sabe se de ano em ano ou a cada 2 anos. Faz pouco tempo que as vacinas foram aplicadas, é necessário esperar.”
Nesse sentido, a Pfizer e a AstraZeneca estão realizando testes no Brasil para uma possível 3ª dose dos imunizantes contra a covid-19. A Janssen já afirmou que uma nova dose de sua vacina não é necessária e que até o momento os indícios são de uma proteção de longa duração.

Deu em Poder360

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