Comportamento 17/07/2025 11:10
Sinal de alerta: Adolescentes dizem que preferem conversar com IA do que com amigos reais, revela pesquisa

Uma nova pesquisa revelou um dado preocupante sobre o comportamento de adolescentes americanos: muitos deles estão preferindo interações com inteligência artificial (IA) em vez de conversas com amigos reais.
O levantamento foi feito pela organização Common Sense Media e mostrou o avanço dos chamados “companheiros de IA” na rotina de jovens de 13 a 17 anos.
Mais da metade dos adolescentes entrevistados relataram usar regularmente esses bots. E 31% afirmaram que as conversas com a IA são tão satisfatórias quanto ou até melhores do que com amigos humanos.
A pesquisa mostra como as novas tecnologias estão impactando de forma direta a adolescência.
Os companheiros de IA são diferentes dos assistentes de uso geral como o ChatGPT. Eles são criados para imitar personas, com interações mais emocionais e envolventes.
Ferramentas como Character.AI e Replika são os exemplos mais populares.
Segundo a pesquisa, cerca de três em cada quatro adolescentes já utilizaram esse tipo de IA. Mais da metade afirmou conversar com esses bots algumas vezes por mês, o que foi considerado como “uso regular” pelos pesquisadores.
Os dados foram coletados com 1.060 adolescentes em todo os Estados Unidos.
Michael Robb, chefe de pesquisa da Common Sense, disse que o número alto de usuários foi uma das descobertas que mais chamaram sua atenção.
Segundo ele, a popularidade desses companheiros virtuais é um sinal claro de que a IA já está profundamente presente no cotidiano adolescente.
A pesquisa também investigou os motivos que levam os jovens a usarem esses bots. Cerca de 46% disseram que os usam como ferramentas, por curiosidade ou para se divertir.
Outros 33% afirmaram buscar interação social, prática de conversas, apoio emocional e até mesmo amizade ou romance com os bots.
Para muitos adolescentes, a IA se tornou uma forma de companhia. Mesmo assim, 80% dos usuários afirmaram que ainda passam mais tempo com amigos reais.
Cerca da metade também demonstrou ceticismo em relação à precisão das informações fornecidas pelos bots.
Robb destacou que muitos adolescentes estão agindo com pragmatismo. Eles veem esses companheiros virtuais como uma tecnologia nova, interessante e útil em alguns momentos.
A maioria ainda valoriza as interações humanas.
Apesar disso, a pesquisa mostra um dado mais delicado. Um grupo de adolescentes declarou preferir conversar com a IA a interações humanas.
Cerca de 21% disseram que os diálogos com os bots são tão bons quanto com pessoas reais. E 10% afirmaram que as conversas com IA são até melhores do que com amigos de verdade.
Além disso, um terço dos jovens usuários afirmou que escolheu discutir assuntos sérios ou delicados com bots, e não com colegas humanos. Para os pesquisadores, isso acende um alerta sobre o tipo de vínculo que esses adolescentes estão criando com a tecnologia.
“Há uma boa parcela de adolescentes que estão optando por discutir assuntos pessoais com a IA em vez de pessoas reais”, disse Robb. Ele demonstrou preocupação com o fato de que muitos jovens estão compartilhando dados íntimos com empresas por meio dessas conversas.
Outro ponto de preocupação levantado pelo estudo é o destino das informações fornecidas pelos adolescentes durante as conversas com IA.
Os termos de uso de muitas dessas plataformas garantem às empresas o direito de usar os dados pessoais compartilhados, incluindo nomes, localizações, imagens e até pensamentos íntimos.
Robb afirma que essa exposição é perigosa. “Tudo o que um adolescente compartilha pode se tornar material usado pelas empresas como bem entenderem”, alertou.
Embora muitas plataformas afirmem proibir o uso por menores, a prática é bem diferente. A Character.AI, por exemplo, permite acesso a partir dos 13 anos. Na maioria dos casos, basta fornecer um e-mail e uma data de nascimento para começar a usar os serviços.
Um dos principais problemas apontados pelos pesquisadores é a ausência de regulamentação clara sobre o uso de IA por adolescentes.
A indústria de inteligência artificial ainda se autorregula e não há leis específicas que limitem como os produtos devem ser lançados, promovidos ou utilizados por menores.
Segundo Robb, isso deixa uma responsabilidade enorme para os pais. Como a indústria atua livremente, o controle do uso por adolescentes acaba recaindo sobre as famílias, que muitas vezes não sabem nem que essas plataformas existem.
“Os pais enfrentam grandes corporações com interesse direto em atrair seus filhos para essas plataformas. Muitos pais nem sabem que isso está acontecendo”, disse Robb.
O uso de IA por adolescentes já foi alvo de outros estudos. Em uma análise anterior, o próprio Common Sense e o laboratório Brainstorm da Universidade de Stanford chegaram à conclusão de que nenhum companheiro de IA é seguro para menores de 18 anos.
Esses bots podem gerar conteúdo sexual ou violento, têm dificuldades para fornecer informações confiáveis e ainda oferecem um canal de conversa sempre disponível, que pode causar impactos psicológicos a longo prazo em crianças e adolescentes.
Além disso, os riscos não são apenas teóricos. A empresa Character.AI, por exemplo, enfrenta dois processos judiciais nos Estados Unidos. Em um dos casos mais trágicos, um adolescente de 14 anos chamado Sewell Setzer III cometeu suicídio após manter interações íntimas e sexualizadas com bots da plataforma.
A denúncia afirma que a tecnologia foi lançada de forma negligente e imprudente, e que contribuiu para danos físicos e psicológicos ao menor.
Para os especialistas, o primeiro passo para enfrentar o problema é o diálogo. Robb recomenda que os pais conversem com os filhos sobre o uso dessas tecnologias, de forma aberta e sem julgamento. Assim, é possível entender como eles estão lidando com os companheiros de IA e estabelecer limites saudáveis.
Não existe uma solução perfeita, mas é necessário reconhecer que a IA já faz parte da realidade dos adolescentes. E o impacto disso na formação emocional e social dos jovens ainda está longe de ser completamente compreendido.
O estudo da Common Sense Media mostra que os companheiros de IA já não são uma curiosidade distante: eles fazem parte do cotidiano de muitos adolescentes.
Embora a maioria ainda valorize as amizades reais, uma parcela significativa encontra na IA algo que considera mais confiável ou confortável.
Em um cenário de rápida transformação tecnológica e ausência de regulamentação, os desafios se multiplicam.
Os pais, educadores e legisladores precisam acompanhar esse movimento com atenção redobrada.
Afinal, o que está em jogo não é apenas o uso de um aplicativo, mas o modo como os adolescentes estão crescendo, se relacionando e formando sua identidade em meio à presença constante da inteligência artificial.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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