Artigo 03/09/2025 09:37
A reação em cadeia que virá com julgamento de Bolsonaro

O resultado do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro é previsível.
Seu andamento e efeitos políticos não são.
Mas dá para dizer que ele inaugura uma sequência de reações em cadeia que levará a novos impasses institucionais e reforçará alinhamentos políticos importantes para a eleição de 2026.
Na origem está a pressão sobre o STF: a polarização do caso, críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e, principalmente, da possibilidade de aplicação de mais sanções do governo americano contra ministros.
Na sequência, por mais que o presidente Lula tenha trabalhado para transmitir a imagem de que não estar envolvido com julgamento, o governo terá que sair ao socorro de ministros eventualmente sob sanções.
Provavelmente essa situação levará o Planalto a retaliar os Estados Unidos, tendo como opções movimentos diplomáticos ou econômicos.
O setor financeiro é o mais exposto em razão da natureza da Lei Magnitsky.
Acompanhando as medidas, o governo irá reforçar o mote da soberania, que já estreou nas redes sociais como fortíssima linguagem eleitoral.
O roteiro é previsível: “depois de ser derrotado por eleitores, Bolsonaro recorreu a um governo estrangeiro para retornar ao poder e Lula terá que se pintar para a guerra de novo como a última linha de defesa da independência.”
Essa é uma estratégia que traz como bônus a manutenção de Bolsonaro na disputa eleitoral mesmo que ele esteja preso.
É difícil dizer como o ex-presidente reagirá ao encarceramento porque a natureza desse evento, o cerceamento da liberdade, é algo que foge da racionalidade política, sendo impossível dizer que a contingência o levará a fazer A ou B.
Os atores políticos interessados, no entanto, sabem que da posição de Bolsonaro pode depender as chances reais de cada um. Os pretendentes ao espólio de Bolsonaro já tratam do assunto sem que o corpo tenha ainda esfriado.
Gente qualificada leu na declaração recente de Tarcísio de Freitas, de que concederia o perdão como seu primeiro ato caso fosse eleito para o Planalto, como a sua primeira promessa de campanha.
O Congresso será arrastado para a festa. Considerando que as sanções exigirão do governo uma resposta, parte das medidas adotadas podem ter que ser aprovadas pelos parlamentares.
Remando no sentido contrário, o PL e segmentos de outros partidos do Centrão provavelmente denunciarão o STF por suposta parcialidade e articularão a votação de um projeto de anistia.
Davi Alcolumbre e Hugo Motta cerrarão fileiras com o STF e com o presidente Lula? Escolherão esse caminho em contraposição a uma maioria do Congresso que tende a não ter uma boa avaliação da corte e que não quer arriscar-se a também sofrer sanções?
Ao defenderem a soberania, entrarão de carona na narrativa governamental/eleitoral desenvolvida pelo marqueteiro Sidônio Palmeira?
Esse julgamento tem capacidade a aumentar o nível de stress institucional que tem, por sua vez, chance pequena de ser resolvido por uma saída consensuada. O cenário será construído pelos alinhamentos que cada impasse vai exigir dos players políticos.
Resumindo: o julgamento vai levar a mais sanções por parte dos EUA, o que vai gerar retaliações por parte do governo brasileiro. Por sua vez, isso vai levar o Congresso a ter que votar para apoiar as contramedidas ou tentar saída institucional, gerando um impasse, que vai forçar um alinhamento a favor ou contrário à institucionalidade atual.
Nesse sentido, Lula caminha para ter à mão um discurso para deslegitimar qualquer oposição a ele ou à institucionalidade que ele representa. Uma armadilha e tanto para a oposição.
Leonardo Barreto é cientista político
Instagram: leobarretobsb
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