História 08/03/2025 09:28
A história viral do sobrevivente de naufrágio que, 40 anos depois, deu o azar de embarcar no Titanic

Já imaginou enfrentar uma situação traumática, passar anos tentando superar o medo desenvolvido e, quando você finalmente se sente pronto para seguir com a sua vida, o mesmo evento traumático volta a acontecer – e em escala ainda pior?
Sim, parece quase um pesadelo, mas foi exatamente o que aconteceu com Ramon Artagaveytia, um uruguaio sobrevivente de naufrágio. Ele deu o azar de, 40 anos depois do seu primeiro acidente, embarcar em nada menos do que o Titanic.
Em um grande exemplo de ironia do destino, cartas trocadas pelo homem com seus familiares, acessadas pelo site Oceanliner Designs & Illustration, revelam que ele havia escolhido viajar para Nova York, nos Estados Unidos, a bordo do “Navio Inafundável” por sua suposta segurança e tecnologia. Ele subiu na primeira parada do navio, em Cherbourg-en-Cotentin, na França.
O caso viralizou nas redes sociais recentemente. Este vídeo sobre a história do uruguaio, publicado no último dia 24 de fevereiro, somou mais de 8,1 mil visualizações no Instagram:
Ramon Artagaveytia nasceu em Montevidéu, na capital do Uruguai, em 1840. Por longos anos, ele atuou como gerente da fazenda de sua família, localizada na Argentina, e mantinha um estilo de vida relativamente pacífico.
Aos 31 anos, na véspera de Natal de 1871, Artagaveytia enfrentou o seu primeiro acidente na água. Ele estava a bordo do navio a vapor America, em meio a uma corrida contra outro navio no porto de Montevidéu. Um excesso de pressão nas caldeiras e um incêndio fatal fizeram a embarcação afundar rapidamente.
Dos 164 passageiros, apenas 65 sobreviveram, e muitos ficaram gravemente queimados. Artagaveytia conseguiu pular na água antes de ser atingido pelo fogo e foi recuperado por um navio de resgate. No entanto, as cicatrizes emocionais de perder tantos colegas permaneceram com ele por anos.
Em uma carta para um primo, o homem relatou que os pesadelos com o acidente continuaram o atormentando. “Mesmo nas viagens mais tranquilas, acordo no meio da noite com pesadelos terríveis e sempre ouvindo a mesma palavra fatídica: Fogo! Fogo! Fogo!”, escreveu ele.
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Foi somente em 1912, 41 anos depois do naufrágio de América, que Artagaveytia decidiu enfrentar seus medos novamente e viajar, de navio, para visitar a família. Ele havia ficado fascinado com a segurança e as tecnologias ultramodernas do Titanic.
“Quando o América afundou, bem em frente a Montevidéu, ninguém respondeu às luzes pedindo ajuda. Os que nos viram do navio Villa del Salto, não responderam aos nossos sinais luminosos. Agora, com um telefone a bordo, isso não acontecerá novamente. Podemos nos comunicar instantaneamente com o mundo inteiro”, registrou o uruguaio, em uma carta para outro colega.
Com a notícia se espalhando de que havia algum tipo de problema no Titanic, acredita-se que Artagaveytia e seus colegas tenham ido para o convés dos barcos de emergência. Por lá, eles foram avistados por um passageiro da primeira classe, Elmer Taylor.
Em uma carta também acessada pelo Oceanliner Designs & Illustration, o uruguaio indica que, durante a viagem, ele e sua esposa foram apresentados a dois homens que falavam espanhol e moravam na Argentina. Embora eles não conseguissem se comunicar verbalmente, pela barreira da variante linguística, trocavam cumprimentos a cada novo encontro.
Na noite do acidente, Taylor viu Artagaveytia e um companheiro, os descrevendo como “mais mortos do que vivos”. “Nesse encontro, repetimos as saudações habituais, apertamos as mãos e garantimos que não havia perigo, sorrimos e seguimos nosso caminho, para carregar o medo que eles exibiam em seus rostos pelo resto da minha vida”.
Uma semana após o naufrágio do Titanic, o navio-cabo Mackay-Bennett, do Reino Unido, recuperou o corpo do uruguaio, que, como tantos outros repousavam sobre a superfície gelada do Oceano Atlântico. Seus restos mortais foram devolvidos a Montevidéu, onde foi enterrado.

Descrição Jornalista
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