Ciência 12/10/2024 13:24
A história do brasileiro indicado 7 vezes ao Nobel – e que não ganhou nenhuma
Apesar de ser considerado um dos maiores cientistas da história do país, Cesar Lattes não ganhou um Nobel. Entenda por quê - e veja qual era a opinião do físico sobre ter sido ignorado pela honraria

Quando alguém deseja checar um currículo acadêmico de algum cientista ou professor, o melhor lugar é o Currículo Lattes, que reúne informações sobre pesquisadores de todo o Brasil.
Mas você sabe quem foi o homem que da nome à plataforma? A resposta mais curta é: um dos maiores físicos (e, por que não, cientistas) da história do país.
Nascido em 11 de julho de 1924, em Curitiba, Cesare Mansueto Giulio Lattes se graduou pela Universidade de São Paulo (USP) em física e em matemática.
O diretor do Departamento de física, e também fundador do curso, Gleb Wataghin, orientou o cientista a seguir em sua pesquisa de pós-graduação na área de física de partículas.
Sob a tutela do mestre, Lattes conseguiu fazer descobertas inéditas sobre subpartículas que conseguem unir o núcleo com o átomo.
Em 1946, o cientista deu um salto na carreira, e começou a fazer parte da equipe H. H. Wills Laboratory, liderado por Cecil Frank Powell, na Universidade de Bristol, na Inglaterra.
Para testar a sua teoria subatômica e entender como os prótons se mantinham unidos no núcleo do átomo, Lattes foi até Chacaltaya, pico com mais de 5 mil metros acima do mar, localizado na Bolívia. O objetivo da pesquisa era de fotografar a trajetória de partículas vindas de raios cósmicos através de chapas fotográficas.
Durante a experiência, Lattes ordenou que um dos membros da equipe colocasse mais do elemento químico boro na composição das placas de emulsão nuclear.
Como resultado, obtiveram a descoberta de uma nova partícula atômica, o méson pi — identificado pelas chapas fotográficas. Sem entrarmos à fundo na física mais cabeçuda, o méson pi se trata de um tipo de partícula subatômica responsável por manter o núcleo dos átomos coeso.
No período entre 1949 e 1954, Lattes recebeu ao todo 7 indicações ao Nobel de Física. Em nenhuma delas, porém, o físico brasileiro foi escolhido.
Em 1950, seu chefe, Cecil Frank Powell, que era líder do grupo de pesquisa, levou a honraria pelo desenvolvimento do método fotográfico de estudo dos processos nucleares e suas descobertas em relação a mésons.
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Em 2001, Lattes deu uma entrevista para o Jornal da Unicamp e explicou por que acreditava não ter recebido nenhum Nobel: “malandragem” dos colegas de trabalho.
“Sabe por que eu não ganhei o prêmio Nobel? Em Chacaltaya, quando descobrimos o méson-pi, se publicou: Lattes, Occhialini e Powell.
E o Powell, malandro, pegou o prêmio Nobel pra ele. Occhialini e eu entramos pelo cano. Ele era mais conhecido, tinha o trabalho da produção de pósitrons, em 1933″, afirma.
Muitos questionamentos surgiram pelo fato de Lattes não ter ganhado premiações. Inclusive, existiam teorias de que sua nacionalidade teria sido um fator decisivo para a falta de Prêmio.
Em uma entrevista à revista Superinteressante, em 2005, Lattes disse que não achava que o fato de ser brasileiro tenha levado outro cientista a ganhar o Nobel.
“Apesar de a comissão julgadora ser formada por ingleses, acredito que não foi minha nacionalidade que pesou na decisão do vencedor. Tanto na descoberta do méson pi, em 1946, como na sua criação artificial, em 1948, tive colaboração do Giuseppe Occhialini. Quem deveria ter ganho era ele. E, em 1950, quem levou o prêmio foi Cecil Powell, que também participou do trabalho. Mas deixa isso para lá. Esses prêmios grandiosos não ajudam a ciência”, disse.
Outro fator que pode ter contribuído com a falta de premiações é que até 1960, existia a regra de apenas premiar os líderes das equipes responsáveis pelas descobertas. E, devido a política interna do Nobel, Lattes não poderia ser contemplado com o prêmio, já que não era o chefe da equipe.
Embora não tenha recebido nenhum Prêmio Nobel, em 1965, Lattes recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de São Paulo.
Em 1999, para homenagear o cientista, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), deu seu nome a plataforma que contém cadastros acadêmicos de cientistas, pesquisadores e professores.
O resto é história.
Deu em Galileu

Descrição Jornalista
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