FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Lava Jato 18/03/2024 07:16

Gilmar diz que Lava Jato terminou como uma organização criminosa

Decano do STF diz que saldo do combate à corrupção no Brasil foi negativo

Gilmar diz que Lava Jato terminou como uma organização criminosa

Ministro mais antigo em atividade no Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes concluiu ser “marcadamente negativo” o saldo da Operação Lava Jato, que completa dez anos de sua ascensão como a maior ação de combate à corrupção da história do Brasil.

O decano da cúpula da Justiça brasileira diz que a operação chegou ao fim “como uma organização criminosa”, em entrevista à Agência Brasil, publicada neste domingo (17).

À agência estatal de notícias do governo de Lula (PT), que chegou a ser preso e condenado pela operação, Gilmar Mendes ressalta ter sido dele a primeira iniciativa de questionar atos como prisões alongadas em Curitiba e delações inconsistentes, consideradas por ele como abusos da Lava Jato.

O ministro conclui que a única lição aprendida pelo país foi a de não combater o crime praticando outros crimes, ao apontar a contradição entre a Lava Jato e as atividades criminosas que ela tinha a missão de combater.

Gilmar Mendes reforça argumentação feita pelo ministro Dias Toffoli, quando anulou provas contra a J&F a autorizou a empreiteira Novonor, antiga Odebrecht, a questionar valores devidos por acordo de leniência em que houve confissão de atos de corrupção, na Lava Jato.

Concluindo que houve conluio entre a acusação protagonizada pelo MPF e o então juiz da operação, o atual senador Sérgio Moro (União-PR), com base em dados da Operação Spoofing, que revelou diálogos entre Moro e procuradores da Lava Jato.

“Na verdade, a Lava Jato terminou como uma verdadeira organização criminosa, ela envolveu-se em uma série de abusos de autoridades, desvio de dinheiro, violação de uma série de princípios e tudo isso é de todo lamentável”, disse Gilmar Mendes, à agência estatal.

Com heróis voadores, sobra lixo’

O ministro foi voto decisivo nas decisões do STF de declarar a incompetência da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, que foi chefiada por Moro; considerar que o então juiz foi parcial, e anular ações penais contra Lula, que lhe garantiram recuperar direitos políticos e voltar à Presidência da República, após 580 dias preso na capital paranaense.

Ele sugere que o sistema da Justiça no Brasil não deve inventar a roda, diante de caso de corrupção.

Mas fazer o que se tem que fazer: deixar que as autoridades policiais façam as investigações, que o Ministério Público faça o seu acompanhamento, e fazer as coisas com o devido processo legal. Sem imaginar que haverá heróis voadores que resolvem com um milagre a questão da corrupção no país.

“Investigações espetaculares, tonitruantes, a gente tem aí aos montões e depois nós temos apenas um resto de lixo em anulações, em não há aproveitamento de provas, como acabou ocorrendo aqui na Lava Jato. Acho que o que a Lava Jato vai ensinar ao sistema jurídico processual brasileiro é como não se fazer determinadas coisas e ensinar que nós devemos ser extremamente cautelosos em relação a essas questões, aos procedimentos jurídicos, para não produzirmos situações estapafúrdias”, concluiu Gilmar Mendes.

Deu em Diário do Poder

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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