Comportamento 21/01/2024 15:52
“Estresse é contagioso como um vírus”, avisa neurocientista
Segundo a neurocientista Ana Carolina Souza, o cérebro imita comportamentos, podendo nos levar a sentir os efeitos do estresse de outros

Um inimigo silencioso, que se espalha pelo ambiente causando problemas de saúde em quem tem contato com ele.
Essa poderia ser a descrição de um novo vírus respiratório, mas é como a neurocientista Ana Carolina Souza compara o “contágio do estresse”.
Segundo Ana Carolina, mesmo as pessoas que não estão vivenciando situações pessoais de estresse podem sofrer as consequências físicas dele – com alterações hormonais, cardíacas e da pressão, por exemplo – caso alguém do convívio próximo esteja se sentindo sobrecarregado, pressionado e desmotivado.
De acordo com a neurociência, isso ocorre porque o cérebro tem circuitos que mimetizam o que a outra pessoa está sentindo e experimentando. Alguns estudos mostram que algumas pessoas, inclusive, levam esses reflexos consigo.
“Estar próximo de alguém que está vivendo uma situação estressante ou que vive uma carga de estresse grande faria com que começássemos a mimetizar essa pessoa, a simular no nosso cérebro o que ela está expressando naquele momento. E com isso começamos a ter uma reverberação que não é nossa”, afirma Ana Carolina, em entrevista ao Metrópoles.
A capacidade de mimetização corresponde à teoria dos neurônios espelho, que são ativados quando vemos outra pessoa expressar determinada emoção ou comportamento.
Esta teoria, segundo Ana Carolina, é a base da empatia. A especialista tem formação em biomedicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado em psicologia e neurociência.
Ao se deparar com uma ameaça real ou psicológica, o cérebro dispara uma resposta automática. Ela é feita com a ativação da liberação de hormônios do estresse, como o cortisol e adrenalina, para reagir de forma adequada.
“Você precisa acelerar o seu coração, precisa de mais sangue circulando no corpo para correr, lutar, então é necessário esse tipo de resposta”, explica Ana Carolina.
Logo em seguida, outras áreas do cérebro processam essas mesmas respostas. É então que tentamos entender o que está acontecendo. Todo esse processo gera um impacto no organismo.
Ele pode ser positivo, quando nos faz evitar uma situação de risco, ou ineficiente quando a percepção de ameaça é distorcida.
“A pressão, a urgência, o excesso de demandas, a dificuldade de organizar o tempo e tudo o que vivemos no trabalho gera uma carga de estresse que se acumula com outras situações da vida, as questões financeiras, de relacionamento, a preocupação com a família. Tudo isso é como um copinho que vai enchendo e essas respostas que são físicas, estão acontecendo quando o tempo todo”, considera a neurocientista.
Como consequência à liberação constante dos hormônios do estresse e pressão arterial mais alta, o corpo sofre um desequilíbrio e há um desgaste.
Pessoas nessas situações tendem a ter infecções recorrentes – como gripes, alergias, dores de estômago e de cabeça.
Todas essas consequências podem acontecer também em uma pessoa que sequer passou por uma situação de estresse, apenas por estar sentada ao lado de outras pessoas com o estresse elevado em um escritório, por exemplo.
“Agora estou ativando todo esse circuito no meu cérebro inconscientemente. Então a minha pressão arterial começa a mudar porque vejo alguém estressado do meu lado. Os efeitos de quem está sofrendo essa resposta cronicamente podem gerar um desgaste na outra pessoa que está testemunhando o estresse”, detalha a especialista.
O primeiro passo para minimizar os efeitos físicos do estresse diário é entender quais situações necessitam de uma reação de resposta.
Em situações pontuais, que não foram previstas, é possível fazer um sistema de compensação.
“Se passei por uma situação muito difícil, a minha cabeça está explodindo e não quero ver ninguém, talvez fosse bom respeitar isso, dar um tempo e se afastar para não potencializar o estresse”, ensina.
A neurocientista lembra de uma fórmula da psicologia que sugere três situações prazerosas e que trazem relaxamento para cada uma situação estressante vivida. A estratégia ajuda a balancear os efeitos físicos do estresse.
“Todos nós deveríamos preservar um certo espaço para o autocuidado”, aconselha Ana Carolina.

Descrição Jornalista
Josimey Costa apresenta ‘Quase conto’ – a literatura que se lê com os olhos
01/10/2026 16:45 66 visualizações
Como votam evangélicos e católicos nesta eleição?
01/10/2026 13:22 62 visualizações
Mais de 12 mil agentes: SESED define esquema de segurança para as Eleições 2026 no RN
01/10/2026 15:14 58 visualizações
Crusoé: Só 13% associam Lula ao “futuro”, indica Realtime
01/10/2026 16:07 52 visualizações
Vinhos de Vorcaro para almoço com Moraes podem valer mais de R$ 450 mil
01/10/2026 18:23 49 visualizações
01/10/2026 12:09 47 visualizações
Aos 107 anos, mulher revela o que acredita ser o segredo para viver tanto
01/10/2026 17:18 45 visualizações
9º Curta de Caicó bate recorde de inscrições e anuncia filmes selecionados para a edição 2026
01/10/2026 20:35 36 visualizações
01/10/2026 19:41 34 visualizações
Caviar, trufas e vinhos raros: o almoço VIP de Vorcaro para Moraes que durou quatro horas
01/10/2026 18:14 32 visualizações