Comportamento 05/04/2023 18:30
Na era do narcisismo digital, somos todos voyeurs?
Em série ficcional, Luiz Estevam Gonzalez supõe que o prazer em observar a intimidade do outro é mais comum do que se imagina

Passar horas distraído com a última fofoca do mundo das celebridades. Discutir com amigos sobre os mais novos acontecimentos do Big Brother ou de um reality show da Netflix.
Quem nunca? Ainda mais no Brasil, onde mais de 70% da população está nas redes sociais.
O país também tem o maior número de influenciadores do mundo, alcançando a marca de 500 mil, segundo a Nielsen.
Enquanto pesquisadores e acadêmicos analisam o cenário nacional, o escritor Luiz Estevam Gonzalez adapta essa conjuntura para a ficção por meio da trilogia Voyeur, que chega ao segundo volume com o lançamento de Omissão Fatal.
Nesta saga, o autor conta a história de um homem que sente atração ao observar a intimidade alheia com objetivo de questionar se a sociedade está mesmo distante das práticas do voyeurismo.
O próprio protagonista Celso Henrique atesta que todos são voyeuristas, o que muda é a intensidade.
Para ele, com poucas exceções, fundamentalmente a humanidade é voyeurista,
por um lado ou narcisista pelo outro.
Todos se espionam ou se exibem, com a maioria
das pessoas ansiando ser observada, reconhecida ou admirada, levianamente compartilhando
a própria intimidade com estranhos em uma profusão de redes sociais e “reality shows”, almejando
aprovação universal de seus estilos de vida, seja lá quais fossem. (Voyeur – Omissão Fatal, pág. 20)
No enredo, o personagem principal é um jovem rico que fundou o CH Motel para assistir à vida de seus clientes.
Essa violação também está próxima do cotidiano: recentes casos de câmeras escondidas em hospedagens foram investigados no Brasil; já na Coreia do Sul, 6 mil ocorrências de gravações não autorizadas são registradas anualmente segundo levantamento da ONG Human Rights Watch (HRW).
Com Voyeur – Omissão Fatal, o autor lança um olhar para situações que se escondem por trás da esfera íntima, mas que podem prejudicar milhares de pessoas.
Ao tratar da história fictícia, ele problematiza o debate ao inserir na trama um homem envolvido em uma série de crimes e que precisará combater o tráfico de crianças.
Luiz Estevam Gonzalezcoloca lentes de aumento em circunstâncias que os leitores poderiam preferir acreditar que não existem, como a invasão de privacidade e a exploração sexual infantil.
Fonte: Assessoria

Descrição Jornalista
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