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Arqueologia 25/03/2023 11:06

“Ancestral de Dubai”, cidade que extraía pérolas há 1,3 mil anos é achada

Assentamento foi escavado por arqueólogos em Umm al-Quwain, nos Emirados Árabes, e é o mais antigo do tipo no Golfo Pérsico; veja imagens

“Ancestral de Dubai”, cidade que extraía pérolas há 1,3 mil anos é achada

A cidade mais antiga do Golfo Pérsico que extraía pérolas, apelidada de “ancestral de Dubai”, foi descoberta por arqueólogos na Ilha de Siniyah, que protege os pântanos de Khor al-Beida, em Umm al-Quwain.

Segundo a agência Associated Press (AP) informou nesta segunda-feira (20), a ilha tem nome que significa “luzes piscantes”, provavelmente devido ao seu Sol escaldante.

O local também foi palco em 2022 para a descoberta de um antigo mosteiro cristão que data de 1,4 mil anos.A existência de quartos apertados a casas mais amplas com pátios sugeria uma estratificação social, conforme explica Power. “As casas estão amontoadas lá dentro, lado a lado”, acrescenta. “A chave lá é a permanência. As pessoas viviam lá o ano todo.”

Os monges do mosteiro podem ter feito seu lar próximo ao importante assentamento de pérolas, segundo o site The National News. A cidade de 1,3 mil anos antecede a ascensão do Islã e tinha centenas de casas, abrigando milhares de pessoas.

Artefatos encontrados na cidade datam da história pré-islâmica da região. “Este é o exemplo mais antigo desse tipo de cidade de extração de pérolas muito específica do Khaleeji [golfo]”, disse à AP, Timothy Power, professor associado de arqueologia da Universidade dos Emirados Árabes Unidos. “É o ancestral espiritual de cidades como Dubai.”

Embora outras cidades de pérolas do mesmo período sejam conhecidas por fontes históricas como tendo existido no Golfo Pérsico, esta é a primeira vez que o local de uma delas foi investigada, documentada e escavada. Lá os arqueólogos encontram uma variedade de casas feitas de rocha de praia e argamassa de cal.

Nas habitações palacianas com grandes pátios se acredita que viviam ricos mercadores de pérolas e membros da elite da sociedade. Já nas casas menores, logo ao lado, havia possivelmente pescadores mais pobres.

Tanto os ricos como os pobres negociaram com países de todo o mundo, com o foco predominantemente na extração de pérolas durante cerca de 200 anos de ocupação. Como a cidade é anterior à ascensão do Islã na Península Arábica, isso torna seus residentes prováveis ​​cristãos.

Havia nas casas pérolas soltas e pesos de mergulho, que os mergulhadores livres costumavam jogar rapidamente no fundo do mar para afundarem, contando apenas com a habilidade de suspender a respiração.

Naquelas águas rasas e quentes do Golfo, havia algumas das pérolas mais valiosas do mundo. Mas o mergulho era uma tarefa difícil e os mergulhadores corriam risco de morrer.

Subjacente ao trabalho árduo, um enorme monte de conchas de ostras abertas e descartadas foi descoberto em uma península em frente à cidade.“Você só encontra uma pérola em cada 10 mil conchas de ostras”, explica Power. “Você precisa encontrar e descartar milhares e milhares de conchas de ostras para encontrar uma. O desperdício da indústria de pérolas era colossal”.

Os pesquisadores dataram a cidade como sendo do final do século 6 ou início do 7 a meados do século 8. Uma das razões apontadas para o seu declínio são tensões regionais, mas a equipe acredita que mais estudos são necessários para confirmar essa informação.

Deu em Galileu

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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