Política 21/01/2023 11:36
Jobim critica ‘euforia’ do PT e diz que ‘retaliação generalizada’ fortalece Bolsonaro
E ainda alertou para o que chamou de "radicalização de uma extrema esquerda" que hoje vê como próxima do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-ministro Nelson Jobim pregou cautela nesta quinta-feira ao comentar os atos golpistas do dia 8 em Brasília e afirmou que uma “retaliação generalizada” pode fortalecer o ex-presidente Jair Bolsonaro. Jobim lembrou que o resultado das urnas foi apertado e disse que a vitória foi “pequena” e não autoriza a “euforia” do PT.
E ainda alertou para o que chamou de “radicalização de uma extrema esquerda” que hoje vê como próxima do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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O ex-ministro se referia ao episódio no qual os prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto foram depredados por golpistas e as centenas de prisões pela Justiça dos acusados de vandalismo e da retórica dos petistas contra Bolsonaro.
Sem se referir diretamente a bandeira “sem anistia” defendida por boa parte da esquerda, Jobim defendeu a pacificação do país. Ele também afirmou que a gestão de Lula “precisa ter sucesso na economia” e buscar um entendimento com os militares.
—Radicalizar não adianta. Precisamos superar— complementou.
Para o ex-ministro, o líder petista se fortaleceu após a reação das instituições democráticas contra os atos golpistas.
Ainda assim, recomendou que a gestão petista tenha “prudência” e “lucidez” na condução do país daqui para frente.
— Aquela cena do Lula descendo a esplanada com a presença de ministros do STF e governadores tem um efeito que foi bom em termos políticos para o Lula. Agora, isso também causa uma radicalização na extrema esquerda do PT, que hoje está muito circulando, está em torno do presidente Lula. A vitória não foi do Partido dos Trabalhadores. Foi dos petistas que votaram em Lula, mas também daqueles que não queriam saber mais do Bolsonaro — disse Jobim.
O ex-ministro ainda ponderou que não se deve afirmar que todos que participaram da manifestação golpista tinham intenção de fazer quebra-quebra.
Além disso, também fez afagos a José Mucio, ministro da Defesa que foi muito criticado após os atos de vandalismo e disse que o “apagão de inteligência” foi de todos responsáveis pela segurança dos prédios.
Para Jobim, Múcio é habilidoso para enfrentar o que classificou como processo de “militarização” do Ministério da Defesa. Ele entende que é preciso aos poucos “tornar o poder civil” na pasta.
— A questão a ser investigada é se esse apagão foi subjetivamente intencional. Temos que lembrar que o responsável pela proteção dos palácios é o GSI. Foi um apagão e um nível de leniência. Onde estava a guarda presidencial? Onde estavam as ações do GSI? Foi um apagão de inteligência e um nível de leniência em relação as precauções.
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