Judiciário registra reajustes acima da média dos servidores desde 2015 - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Judiciário 15/08/2022 06:57

Judiciário registra reajustes acima da média dos servidores desde 2015

Nos últimos dois reajustes, ministros do STF e o Judiciário conseguiram aumentos maiores do que os concedidos aos funcionários da União

Judiciário registra reajustes acima da média dos servidores desde 2015

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovaram nesta semana um orçamento de R$ 850 milhões para a Corte em 2023, além de uma proposta de reajuste de 18% no salário de todos os servidores e magistrados da Justiça.

A proposta, que precisa da aprovação do Congresso, ganha os holofotes em meio aos embates entre o funcionalismo público federal e o Ministério da Economia. A categoria, que há cinco anos está sem reajuste, pleiteia um aumento de 19,9%.

Nas últimas duas negociações salariais, o Judiciário obteve reajustes maiores do que os dos funcionários da União.

Em 2013, o reajuste para os servidores federais foi de 15,8%. O índice foi pago de maneira parcelada. Em 2015, um novo aumento, de 10,8%, foi concedido de forma escalonada até 2018. Já os valores liberados para o Judiciário foram de 5% em 2013, e de 16,3% em 2018 — ano do mais recente reajuste.

Apesar do Judiciário ter historicamente ganhos elevados e acima da média, o percentual não pegou de surpresa os servidores federais.

O secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva, explica que o valor é referente às perdas inflacionárias do período. Para ele, esse movimento encorpa a luta pelo reajuste do funcionalismo da União.

“O STF está pegando uma carona na luta dos servidores. O que eles vem pleiteando é a inflação do período”, analisa.

Ele defende que a mesma lógica de reajuste seja estendida para outros funcionários públicos.

“O ideal é que todos possam ter seus salários recompostos devido à grande corrosão que a inflação causou no poder de compra do servidor”, conclui.

O economista Geraldo Biasoto Junior, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-coordenador de política fiscal do Ministério da Fazenda durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também avalia o aumento como natural.

“O reajuste [que estão pleiteando] é para recuperar perdas do período”, analisa ao se debruçar sobre a proposta do STF.

Contudo, o Biasoto defende que o país precisa diminuir as discrepância salariais entre servidores. “O absurdo do país é a falta de lógica dos salários. O judiciário com certa independência e poder de fogo, sai na frente, seguido pelo legislativo, pelo Ministério Público. É legítimo? Não é. O estado deveria ter uma gestão de recursos humanos que diminuísse as discrepâncias”, pondera.

O aumento

Os ministros do STF aprovaram uma aumento para os próprios salários, que atualmente é de R$ 39.293,32, e poderá passar a ser de 46.365,74.

A medida propõe que o aumento seja parcelado em quatro vezes — abril de 2023, agosto de 2023, janeiro de 2024 e julho de 2024.

Além do aumento na própria remuneração, o reajuste dos ministros do STF ocasiona o chamado “efeito-cascata”. Ou seja, altera o teto constitucional para os vencimentos proporcionais de várias carreiras públicas federais e estaduais, como governadores, desembargadores e juízes.

Quadros da União

A equipe econômica procura uma forma para garantir reajuste salarial ao funcionalismo púbico no próximo ano. Apesar de a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023 conter reserva de R$ 11,7 bilhões para recomposição na remuneração dos servidores, o dinheiro é insuficiente. Técnicos do Ministério da Economia afirmam que o valor poderia variar entre R$ 20 bilhões e 25 bilhões para um aumento linear a todas as categorias.

O funcionalismo tem pressionado o governo para garantir o reajuste. Os servidores reivindicam 19,99% para cerca de 1,2 milhão de servidores federais da ativa e inativos.

O principal argumento é a defasagem, que chega a 33%, segundo a categoria.

Os salários estão congelados há cinco anos.

Ao longo da pandemia de Covid-19, uma lei manteve os vencimentos de 2020 e 2021, mas havia categorias sem reajustes desde 2017.

Ricardo Rosado de Holanda
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