FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Eleições 12/06/2022 10:00

Tebet fala em “avenida eleitoral” entre Lula e Bolsonaro: “Apoios virão”

Senadora escolhida para representar o centro democrático vê uma "avenida eleitoral" entre aqueles que definiram o voto por não aceitarem Bolsonaro nem Lula no Planalto. Ela considera naturais as peculiaridades dos palanques nos estados

Tebet fala em “avenida eleitoral” entre Lula e Bolsonaro: “Apoios virão”

Em casa, recuperando-se de uma infecção de covid-19, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) tirou o sábado para falar da campanha para a Presidência, já como pré-candidata oficial do autodenominado centro democrático — aliança integrada por MDB, PSDB e Cidadania.

Na conversa com o Correio, criticou o populismo dos dois favoritos e tentou passar confiança de que pode se tornar uma candidata competitiva, a ponto de disputar o segundo turno.

Sobre as divergências internas, a senadora reconhece que não terá unanimidade dentro dos partidos que compõem a tríplice aliança, e não vê problemas em dividir palanques ora com apoiadores de Lula, ora com bolsonaristas.

Na entrevista, Tebet também falou de privatizações, machismo, violência contra a mulher e se colocou “radicalmente contra” armar a população civil.

A senhora se propõe a romper a polarização entre Lula e Bolsonaro. Mas os dois principais partidos da terceira via — MDB e PSDB — estão polarizados há muito tempo em vários estados.

Essa eleição é atípica em todos os sentidos. Primeiro, porque a minha candidatura era uma entre sete ou oito pré-candidatos. De dez dias para cá, as coisas mudaram, chegou-se ao meu nome. Agora, nós zeramos o jogo e começamos a construção em favor deste centro democrático. MDB e PSDB começaram com uma incerteza, eu tinha uma maioria não folgada e, agora, cheguei na última reunião da Executiva com mais de 90% de apoio. Aconteceu a mesma coisa no PSDB. A partir daí as coisas acontecem nos palanques regionais.

O processo, então, ocorre dentro do esperado?

Nesse aspecto, essa eleição não vai ser diferente das outras, apenas a pré-campanha, hoje, virou um Big Brother, está mais exposta. Nós sempre tivemos, num país da grandeza do Brasil, palanques regionais com decisões diferentes das posições nacionais. A diferença é que o centro democrático, agora, tem três partidos históricos unidos para apresentarmos uma alternativa a essa polarização ideológica que está levando o país para o abismo.

O eleitor vai perceber isso?

A sociedade e o eleitorado têm essa percepção. O eleitor, hoje, está optando pelo voto do “não”, e não pelo voto do “sim”. Nesse aspecto, temos uma avenida pela frente. E quando temos essa avenida eleitoral, automaticamente você cria apoios a partir do fortalecimento da sua candidatura. Os apoios virão quando nos posicionarmos e começarmos a pontuar nas pesquisas.

Como se equilibrar diante dessas divergências?

Sei que haverá estados em que teremos dois palanques, estados em que não teremos nenhum e estados em que nós teremos que dividir palanque com outras candidaturas, porque os candidatos a governador, muitas vezes, terão apoio de partidos que já têm candidatos à Presidência da República. Como é que vai fechar o palanque para um candidato só?

São os dilemas da política do mundo real…

Há um equívoco de achar que o palanque regional vai conseguir impor uma candidatura à Presidência da República. O que a gente precisa nessa união é a estrutura que esses partidos têm para oferecer — nem tanto a financeira. É do tempo de rádio, de televisão, a estrutura intelectual. Os três coordenadores (dos partidos aliados) estão conversando. Esse é um ativo muito importante para uma campanha. Hoje eu sou MDB, hoje eu sou PSDB, sou Cidadania, represento essa força, esse movimento.

E o que acontece agora?

A partir do momento em que, de forma organizada, começarmos a preparar um mesmo programa de governo, os presidentes (das legendas) terão força igualmente, os coordenadores de campanha vão ter força igualmente. A conta é simples: há 40% dos eleitores que não votam em candidato nenhum ou que podem mudar o voto. Se quase 60% não me conhecem e há 40% que não querem nenhum dos dois e pensam em mudar o voto, há uma avenida muito grande.

Qual foi o papel do senador Tasso Jereissati e do ex-governador Eduardo Leite nas negociações para destravar a terceira via?

Sobre Leite, tenho pouco a falar, estivemos juntos poucas vezes. Mas o fato de ele ter tido esse espírito democrático de reconhecer que o palanque regional é uma construção o coloca numa posição importante no processo. Tasso Jereissati, sim, somos muito próximos. Ele é um baluarte do PSDB. Foi importantíssimo nessa construção. Mas não podemos desmerecer quem foi decisivo na unificação, o presidente (do PSDB) Bruno Araújo. Ele foi incansável na demonstração de que este é um momento atípico em que não se pode dividir palanque.

Como pretende reduzir o crescimento da rejeição ao seu nome, conforme indicam algumas pesquisas?

Você rejeita o que não conhece. Eu sou desconhecida por mais de 60% do eleitorado. É natural que as pessoas não queiram votar em quem não conhecem. Ao mesmo tempo, por ser desconhecida, eu não tenho rejeição que me impeça de crescer. Essa é a facilidade de se unir a pessoas que pensam não de forma hegemônica, mas homogênea. Temos a mesma visão de Brasil e o mesmo entendimento para a saída da crise econômica. Nossa equipe não deixa de ter uma irmandade com a equipe econômica do PSDB.

A quem a senhora se refere?

Estou falando de Elena Landau, de pessoas que vieram nos ajudando e que são, de alguma forma, atreladas ao Plano Real. E a gente vinha dialogando, também, pois somos muito amigas, com a equipe feminina do PSDB do João Doria, como (a economista) Zeina Latif. São projetos que se somam. Vamos conversar, no momento oportuno, com (o ex-governador) João Doria, com (governador de São Paulo) Rodrigo Garcia. Queremos ouvi-los em relação ao plano de governo.

Como ele será elaborado?

O plano não está pronto, acabado, nem estará pronto até as convenções (partidárias, a partir do fim de julho), faço questão de dizer isso. O arcabouço e as linhas mestras estão muito bem definidas na minha cabeça. Criança, adolescente e família como centro das políticas públicas na sua transversalidade. O centro são as pessoas, o cidadão do presente e do futuro. A partir daí, tudo vem sob a ótica social, sob a ótica ambiental, de um governo eficiente como meio de alcançar o desenvolvimento sustentável. Temos uma visão muito similar sobre como alcançar essa justiça social, essa diminuição da desigualdade.

Deu em Correio Braziliense

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista