Violência 22/10/2021 13:35
Brasil perde 19 adolescentes e crianças por dia para a violência
Pesquisa revela que 35 mil crianças e adolescentes morreram nos últimos 5 anos. Número de vítimas com até 4 anos cresceu 27%

A tia de Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, morto e torturado por policiais militares no bairro da Vila Clara, na zona sul de São Paulo, sente pânico toda vez que o irmão do rapaz, Gustavo, sai de casa para ir ao mercado.
“Tento mantê-lo perto de mim a maior parte do tempo”, diz Andreza da Silva Noronha, de 37 anos. Para Luciangela dos Santos, 48 anos, que perdeu a neta Sophia, de 3, vítima de violência sexual e doméstica, o medo e a lembrança surgem sempre que vê uma criança sozinha com um adulto dentro de casa.
Em comum, Andreza e Luciangela têm o fato de terem perdido o sobrinho e a neta para a violência letal no Brasil. Guilherme e Sophia fazem parte do contingente de 35 mil crianças e adolescentes mortos de forma violenta no país nos últimos cinco anos. Isso representa uma média de 7 mil por ano, ou 19 crianças e jovens que perdem a vida a cada dia.
Os números, divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, fazem parte do Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil. Das 35 mil mortes violentas registradas nos últimos cinco anos, mais de 31 mil foram de jovens entre 15 e 19 anos. O número caiu de 6.505, em 2016, para 4.481, em 2020.
Muitos países não têm um número total de homicídios equivalente ao que o Brasil possui para essa parcela da população. Isso revela um nível de exposição de crianças e adolescentes assustad
Entretanto, o percentual de crianças com até 4 anos vítimas de violência letal aumentou. No período pesquisado, houve um crescimento de 27% no percentual de mortes violentas para essa faixa etária.
“Muitos países não têm um número total de homicídios equivalente ao que o Brasil possui para essa parcela da população. Isso revela um nível de exposição de crianças e adolescentes assustador”, afirma Danilo Moura, oficial de monitoramento e avaliação do Unicef no Brasil. “Isso é a ponta do iceberg ao pensarmos no total de crianças que sofrem violências que não terminam em morte.”
Por trás dos números das mortes, ressalta Moura, existem mães, pais, tios, tias, irmãos, avôs e avós que são vítimas indiretas dessas tragédias. “Quando olhamos o todo, percebemos que os impactos recaem sobre os sobreviventes, os familiares, os territórios onde viviam essas pessoas e a comunidade. É uma cadeia de perdas e um ciclo de consequências assustador.”
Segundo a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Sofia Reinach, os crimes têm diferentes características a depender da idade da vítima. “Até os 9 anos eles têm maior igualdade de sexo, raça e cor e ocorrem mais dentro das residências”, afirma. “A partir dos 10 anos, esses crimes passam a ocorrer em vias públicas. Quanto maior a faixa etária, maior o percentual de mortes causadas por arma de fogo e de agressores desconhecidos.”
Até os 9 anos os crimes têm maior igualdade de sexo, raça e cor e ocorrem mais dentro das residências. A partir dos 10 anos, passam a ocorrer em vias públicas, por autores desconhecidos
O advogado Ariel de Castro Alves, especializado em direitos da criança e do adolescente, afirma que o Brasil é reconhecido mundialmente pela violência contra essa faixa etária. “Apesar de ter uma das legislações mais avançadas do mundo, o ECA, o país não cumpre o estatuto e não garante a proteção integral prevista na Constituição Federal”, diz.
“Há uma grande distância entre a legislação e a prática, principalmente para crianças pobres e negras que moram em áreas periféricas e rurais.
Deu em R7

Descrição Jornalista
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