Ciência 29/04/2020 15:27
Cientistas ingleses falam em liberar vacina contra a Covid-19 em setembro
Os bons resultados na imunização de macacos rhesus animaram pesquisadores da Universidade de Oxford a dar início aos ensaios de uma vacina contra a Covid-19 em humanos, no Reino Unido.

Os bons resultados na imunização de macacos rhesus animaram pesquisadores da Universidade de Oxford a dar início aos ensaios de uma vacina contra a Covid-19 em humanos, no Reino Unido.
O grupo de cientistas deve testar a fórmula em cerca de 1.100 voluntários, ao longo das próximas semanas, e prevê disponibilizar a vacina em setembro.
O que acontecerá se os desdobramentos forem iguais aos obtidos com os primatas: seis receberam dose única da vacina, chamada ChAdOx1 nCoV-19, e não se infectaram pelo novo coronavírus mesmo sendo expostos durante 28 dias ao micro-organismo.
“O macaco rhesus é a coisa mais próxima que temos dos seres humanos”, ressaltou Vincent Munster, um dos integrantes da equipe de pesquisa, ao jornal americano The New York Times.
Segundo ele, os resultados da pequisa com as cobaias serão compartilhados na próxima semana e enviados a uma revista científica.
Segundo um comunicado da Universidade de Oxford, as primeiras doses em humanos foram aplicadas no último dia 23, e outros voluntários, moradores de Oxford, Southampton, Londres e Bristol, estão sendo imunizados desde então.
Os participantes, com idade entre 18 e 55 anos, têm que estar em boa saúde, morar nas áreas de recrutamento e serem diagnosticados negativamente para a Covid-19.
Eles são divididos aleatoriamente em dois grupos: o imunizado pela ChAdOx1 nCoV-19 e o que recebe uma vacina contra meningite amplamente disponível (que funcionará como controle). Os cientistas planejam, nessa fase, colher informações sobre os aspectos de segurança da vacina e sua capacidade de gerar boas respostas imunes contra o coronavírus.
A equipe escolheu um grupo “de controle ativo”, em vez do tradicional controle salino, porque espera detectar alguns efeitos colaterais menores da vacina ChAdOx1 nCOV-19, como dor no braço, dor de cabeça e febre. A solução salina, porém, não causa nenhum desses efeitos colaterais, o que poderia ajudar na identificação de quem não recebeu a fórmula experimental.
“Se os participantes recebessem apenas a nossa vacina ou um controle salino e desenvolvessem efeitos colaterais, eles estariam cientes de que haviam recebido a nova vacina. É fundamental para o estudo que os participantes permaneçam cegos para receber ou não a vacina, pois, se souberem, isso pode afetar os seus comportamentos de saúde na comunidade após a vacinação e influenciar nos resultados”, justificam os pesquisadores, no comunicado.
Deu em Diário do Poder

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