Covid-19 avança no Brasil e Fiocruz alerta para aumento de casos graves; veja os estados afetados - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Vírus 07/11/2026 16:46

Covid-19 avança no Brasil e Fiocruz alerta para aumento de casos graves; veja os estados afetados

Covid-19 avança no Brasil e Fiocruz alerta para aumento de casos graves; veja os estados afetados

Os casos de Covid-19 estão em crescimento há seis semanas no Brasil, com sinais de avanço em 19 unidades da Federação, segundo dados do Ministério da Saúde.

O aumento da circulação do coronavírus também começou a aparecer nos registros de casos graves, conforme o boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na quinta-feira (5).

Apesar da tendência de alta, as autoridades de saúde afirmam que a situação ainda é considerada de baixo risco em todo o país. A incidência de casos graves permanece baixa, e não há evidências de que as variantes atualmente em circulação estejam provocando infecções mais agressivas.

Desde o início de 2026, o Brasil registrou 118.851 notificações de síndrome gripal por Covid-19, segundo dados oficiais atualizados até 4 de novembro. Já os registros acumulados até 31 de outubro apontam 3.479 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com detecção do coronavírus e 437 mortes de pacientes com quadros graves nos quais o vírus foi identificado.

Covid-19 apresenta crescimento em 19 estados e no DF

O Ministério da Saúde identificou tendência de aumento nas notificações de Covid-19 durante as seis semanas analisadas até 31 de outubro. O crescimento foi observado nas cinco regiões brasileiras e atinge diferentes faixas etárias.

As unidades da Federação com sinais de alta são:

Norte: Rondônia e Roraima.

Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso.

Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Os dados indicam uma tendência de crescimento no conjunto do período, o que não significa necessariamente aumento contínuo em todas as semanas ou situação de emergência nos locais mencionados.

Mesmo com a circulação mais intensa do vírus, o Ministério da Saúde mantém a classificação de baixo risco para a atividade da Covid-19 em todas as unidades da Federação.

Fiocruz identifica sinais de aumento dos casos graves

O boletim InfoGripe, divulgado em 5 de novembro, apontou sinais de crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave associados à Covid-19 em diferentes regiões do país.

O monitoramento identificou aumento em Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Distrito Federal. No Mato Grosso, o coronavírus aparece como principal responsável pelo crescimento dos registros de SRAG.

Nas demais unidades mencionadas, a incidência de casos graves de Covid-19 permanece em níveis muito baixos, apesar da tendência de alta.

O levantamento também mostra que o número total de internações por doenças respiratórias apresenta tendência de queda no Brasil. Isso acontece porque outros vírus responsáveis por hospitalizações não seguem necessariamente o mesmo comportamento do coronavírus.

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas analisadas, a Covid-19 respondeu por 8,5% dos casos de SRAG com resultado positivo para vírus respiratórios e esteve presente em 24,1% dos óbitos desse grupo.

Esses percentuais representam a participação do coronavírus entre os registros analisados, e não a probabilidade de morte entre todas as pessoas infectadas.

Por que os casos de Covid-19 estão aumentando novamente?

O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que o crescimento está relacionado ao comportamento dos vírus respiratórios, que passam por períodos de maior e menor circulação ao longo do ano.

A combinação entre novas variantes e a existência de pessoas mais suscetíveis à infecção favorece o surgimento de novas ondas de transmissão.

Esse fenômeno também ocorre com vírus como influenza, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR).

Quando o coronavírus passa a circular com maior intensidade, o número absoluto de pessoas que desenvolvem complicações também pode aumentar, mesmo sem uma mudança na gravidade das infecções.

Por isso, o crescimento das hospitalizações não significa, necessariamente, que a Covid-19 esteja se tornando mais agressiva.

Nova variante pode estar por trás do crescimento?

O Ministério da Saúde acompanha as variantes do coronavírus por meio do sequenciamento genético de amostras coletadas em diferentes regiões do país.

Até a semana epidemiológica 42 de 2026, foram registrados 2.199 sequenciamentos na plataforma internacional Gisaid. As análises identificaram 127 linhagens diferentes do SARS-CoV-2.

Aproximadamente 90% das amostras sequenciadas pertenciam à linhagem XFG ou a suas descendentes.

A predominância de determinada variante, entretanto, não comprova que ela seja responsável pelo aumento recente dos casos.

Segundo especialistas, o surgimento de novas linhagens é esperado durante a evolução do vírus. Até o momento, não foram identificados sinais de mudança significativa no padrão de gravidade da doença associados às variantes em circulação.

Quem corre maior risco de desenvolver Covid-19 grave?

Embora a maioria das infecções apresente evolução favorável, a Covid-19 continua oferecendo riscos para determinados grupos da população.

Idosos, pessoas imunocomprometidas e indivíduos com doenças crônicas estão entre os mais vulneráveis ao desenvolvimento de complicações.

Os dados da Fiocruz mostram que, considerando todas as causas de Síndrome Respiratória Aguda Grave, a incidência é maior entre crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos.

Já a mortalidade por SRAG é mais elevada entre pessoas com 65 anos ou mais.

Esses indicadores incluem diferentes vírus respiratórios e não devem ser interpretados como dados exclusivos da Covid-19.

No caso específico do coronavírus, a incidência de quadros graves permanece baixa em todas as faixas etárias, segundo o monitoramento mais recente.

Vacinação continua sendo a principal proteção

Diante dos sinais de aumento da circulação do coronavírus, a Fiocruz reforçou a importância da vacinação, especialmente para as pessoas com maior risco de desenvolver complicações.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da instituição, destacou o papel da imunização na prevenção dos quadros mais graves.

“A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por Covid-19 é a vacinação”, afirmou.

Pelo Calendário Nacional de Vacinação, idosos a partir de 60 anos têm recomendação de doses semestrais contra a Covid-19.

Gestantes devem receber a vacina a cada gravidez, enquanto crianças pequenas seguem o esquema estabelecido para cada imunizante.

Pessoas imunocomprometidas também precisam de doses periódicas. Outros grupos prioritários possuem recomendações específicas, conforme as condições de saúde e as orientações do Ministério da Saúde.

Quais cuidados devem ser adotados diante da alta?

O crescimento dos casos não levou, até o momento, à recomendação de mudanças generalizadas nas medidas de prevenção para toda a população.

Especialistas orientam que pessoas com sintomas respiratórios evitem contato próximo com indivíduos vulneráveis e adotem medidas para reduzir a transmissão do vírus.

O uso de máscaras bem ajustadas, a ventilação dos ambientes e a higienização das mãos continuam entre as medidas de proteção.

Entre os sintomas mais comuns da Covid-19 estão febre, tosse, dor de garganta, coriza, cansaço e dores no corpo. Algumas pessoas também podem apresentar alterações no olfato ou paladar e sintomas gastrointestinais.

A presença de falta de ar, dificuldade para respirar, dor persistente no peito ou outros sinais de agravamento exige avaliação médica imediata.

Próximos passos

O Ministério da Saúde e a Fiocruz continuarão acompanhando a circulação do coronavírus e os registros de hospitalizações nas próximas semanas.

Os dados de vigilância serão importantes para identificar se o crescimento recente representa uma nova onda de transmissão ou uma oscilação temporária na circulação do vírus.

Por enquanto, o cenário indica aumento das infecções e sinais de crescimento dos casos graves em algumas regiões, mas sem mudança relevante no padrão de gravidade da Covid-19.

A principal recomendação das autoridades sanitárias permanece concentrada na vacinação dos grupos prioritários, no acompanhamento dos sintomas e na prevenção da transmissão.

Deu em NCNews
Ricardo Rosado de Holanda
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Descrição Jornalista