Os psicólogos confirmam: os aposentados mais felizes não passam os dias descansando, mas mantêm vivos estes 3 hábitos - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Aposentados 06/11/2026 07:48

Os psicólogos confirmam: os aposentados mais felizes não passam os dias descansando, mas mantêm vivos estes 3 hábitos

Os psicólogos confirmam: os aposentados mais felizes não passam os dias descansando, mas mantêm vivos estes 3 hábitos

Os aposentados mais felizes não são os que passam o dia no sofá.

Segundo psicólogos ouvidos pela revista italiana Grazia, quem vive bem essa fase mantém três coisas em movimento: paixões de verdade, a mente em paz com o passado e uma criatividade livre, sem cara de trabalho.

A reportagem parte de algo que muita gente só percebe depois de parar. O emprego organizava a rotina, dava um papel social e garantia conversa diária com colegas. Quando tudo isso some de uma vez, o tempo livre tão esperado pode virar uma sensação de vazio difícil de explicar, que os especialistas chamam de choque da aposentadoria.

Só descansar não sustenta o bom humor

Os números citados pela Grazia mostram a diferença. De acordo com as pesquisas reunidas pela revista, os aposentados mais satisfeitos têm em média 3,6 hobbies regulares, contra 1,9 entre os menos satisfeitos. Eles também viajam mais: cerca de 2,4 vezes por ano, contra 1,4.

A mesma reportagem aponta que quem mora perto de pelo menos metade dos filhos tem chance cerca de cinco vezes maior de se declarar feliz. Para os psicólogos, a conta não depende só de dinheiro. Pesa o jeito de usar o tempo e com quem ele é dividido.

Primeiro hábito: paixões que fazem perder a noção da hora

Não se trata de lotar a agenda com qualquer tarefa. Contam as ocupações que dão brilho no olhar. Isso inclui largar regras que a própria pessoa se impõe, como achar que precisa estar sempre disponível para todos ou que certas coisas já não combinam com a idade.

No Brasil, as opções costumam estar perto de casa: universidades abertas à terceira idade, coral do bairro, grupo de caminhada, horta comunitária, voluntariado. Há quem vá além, como a aposentada de 83 anos que voltou a estudar depois de perder o marido. Cuidar dos netos também entra, desde que com limites claros e escolhidos.

Por que fazer as pazes com o passado pesa tanto?

O segundo hábito é menos visível. Segundo os especialistas ouvidos pela revista, os aposentados que vivem melhor trabalharam, muitas vezes por anos, os próprios nós emocionais: culpa pelo tempo longe dos filhos, uma carreira diferente da sonhada, um casamento que terminou mal. Terapia, meditação, oração e escrita aparecem como caminhos.

Um exercício sugerido é reservar uma página do caderno por semana para uma lembrança difícil e reescrevê-la com o olhar de hoje, mais maduro e mais gentil. Se o peso continuar grande, procurar um psicólogo é manutenção da vida emocional, não luxo. Pelo SUS, a unidade básica de saúde é a porta de entrada para esse atendimento.

Criatividade livre, sem virar bico

A terceira constante é criar: jardinagem, escrever memórias, música, artesanato, pintura, teatro amador, juntar as histórias da família para os netos. Cuidar de plantas, aliás, aparece com frequência nessa lista, e a psicologia tem algumas pistas sobre o que significa encher a casa de vasos depois dos 50. Talento especial não é exigido, só constância e prazer.

O cuidado é não transformar o passatempo em obrigação. Quando a atividade ganha prazo, cliente e meta de renda, o estresse volta. Livre, ela estimula o cérebro, fortalece a autoestima e dá a sensação de continuar crescendo.

Grupos e pequenos gestos fecham a receita

Os laços sociais completam o quadro.

Um estudo da Universidade de Queensland publicado na BMJ Open acompanhou 424 aposentados ingleses por seis anos: quem participava de dois grupos antes de parar e manteve os dois teve risco de morte de 2% no período, contra 12% entre os que perderam ambos. Vale aula de dança, associação de bairro, time de bocha ou grupo da igreja.

Na prática, a checagem é curta: contar quantos momentos da semana são dedicados a algo que empolga, com a meta de chegar a pelo menos três; ter um horário fixo para cuidar do mundo interno; e fazer alguma coisa só pelo gosto de fazer. A felicidade não chega junto com o primeiro depósito do INSS.

Ela vem de proteger, todo dia, essas três frentes, começando por um gesto pequeno.

Deu em Catraca Livre

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista