Eleições 01/11/2026 16:13
Gastos com candidaturas ultrapassaram R$ 11 bilhões nas eleições de 2026

Os gastos de candidatos nas eleições deste ano somaram R$ 11,03 bilhões, R$ 2,36 bilhões a menos em comparação com o pleito de 2022, segundo dados disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até a última sexta-feira (30).
O levantamento da CNN contabiliza as despesas de campanhas de candidatos à Presidência da República, Senado Federal, Câmara dos Deputados, além de candidaturas para deputados estaduais e distritais.
Representando cerca de 52% das despesas (R$ 5,72 bilhões), o principal gasto dos candidatos foi com doações financeiras a outros candidatos e partidos. Esse mecanismo permite que um político transfira parte da própria verba eleitoral para outros concorrentes.
O segundo maior gasto das candidaturas foi com “publicidade por materiais impressos” (R$ 976 milhões) – categoria que engloba panfletos e cartazes –, seguido por serviços prestados por terceiros (R$ 795 milhões), atividades de militância e mobilização de rua (R$ 662 milhões) e “despesas com pessoal” (R$ 538 milhões).
Segundo a Corte eleitoral, outros gastos relevantes das campanhas foram despesas com impulsionamento de conteúdos (R$ 488 milhões), serviços advocatícios (R$ 302 milhões), publicidade por adesivos (R$ 289 milhões), produção de programas de rádio, televisão ou vídeo (R$ 282 milhões), publicidade por adesivos (R$ 454 milhões) e cessão ou locação de veículos (R$ 180 milhões).
Somadas, essas dez categorias representam 94% dos gastos totais da campanha, somando R$ 10,73 bilhões. Os outros R$ 662 milhões gastos na campanha estão diluídos em outras 32 despesas, que vão desde serviços contábeis (R$ 172 milhões) até encargos sociais ( R$ 12,4 mil).
Segundo Murilo Borsio Bataglia, professor de Direito da UnB (Universidade de Brasília), o destino dos investimentos mudou ao longo dos últimos anos por conta do avanço das plataformas digitais. Apesar da mudança, ele ressalta que todos os gastos devem respeitar as regras de financiamento, os limites legais e as exigências de transparência e prestação de contas à Justiça Eleitoral.
“Essas despesas correspondem a diferentes formas de alcançar o eleitor e transformar recursos financeiros em visibilidade, engajamento e mobilização política. Vivemos em uma sociedade em rede e em contexto de sociedade da informação, a realidade incorporou o digital. A produção de vídeos permite transmitir mensagens com maior capacidade de comunicação; os materiais impressos e adesivos ajudam a ampliar a presença da candidatura nos espaços públicos – que incluem agora o espaço ‘digital'”, disse.
Em relação à diminuição do montante gasto pelas campanhas em relação a 2022, ano da última eleição geral, Mariana Steinmetz, advogada e especialista em direito eleitoral, lembra que os candidatos podem declarar os gastos até a primeira quinzena de novembro, na próxima semana, o que pode elevar os custos das eleições deste ano.
“Acredito que a redução das despesas se explica, em grande medida, pelo fato de 21 estados terem definido a eleição para governador já no primeiro turno, o que evitou novos gastos com uma segunda etapa do pleito”, disse a advogada.
Por lei, os candidatos devem declarar as despesas do primeiro turno até 3 de novembro e os gastos com o segundo turno até o dia 14 do mesmo mês.
Entre os gastos destinados a plataformas digitais, o Facebook, da Meta, foi a ferramenta digital que mais recebeu recursos eleitorais no pleito deste ano. Os repasses à empresa estão relacionados ao impulsionamento digital de candidaturas.
Com 6% do total gasto nessas eleições, a empresa recebeu R$ 352 milhões em 28,6 mil contratos firmados – um salto de 272% frente ao pleito de 2022, quando as movimentações financeiras somaram R$ 129 milhões em cerca de 19,4 mil contratos.
Gustavo Ribeiro, cientista político com mestrado pela Universidade de Sorbonne, ressalta que as plataformas digitais são ferramentas fundamentais para a divulgação da campanha realizada na rua.
“A eleição de 2026 consolidou as redes sociais como o principal campo de batalha da disputa presidencial. Mais de 76% dos eleitores brasileiros já se informam pela internet, segundo o Reuters Inst., e o dinheiro acompanhou essa mudança. O peso do digital aparece também na estratégia das campanhas”, pontua.
O cientista político ainda lembra que as eleições deste ano foram marcadas por denúncias envolvendo a Meta e que acusam a empresa de ter tentar interferir no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Os recursos das eleições tem entre as origens o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), que corresponde a uma parte significativa do orçamento dos pleitos.
Nestas eleições, os recursos do “fundão” totalizaram R$ 4,91 bilhões, com PT (R$ 615 milhões), PL (R$ 882 milhões) e União Brasil (R$ 526 milhões) liderando os recebimentos por terem maior representação no Congresso Nacional. Os partidos também recebem uma verba do “fundo partidário” que, neste pleito, somou R$ 5 bilhões, valor que foi dividido entre 30 siglas.
Outras fontes de orçamento eleitoral são repasses de partidos ou outros candidatos (R$ 5,66 bilhões), além de doações de pessoas físicas (R$ 883 milhões) e doações próprias (R$ 175 milhões).

Descrição Jornalista
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