Petróleo 01/11/2026 14:03
Trabalhadores dos campos de petróleo em terra do RN viram a produção cair 16,1% em 2026, num segmento que tira 3% do óleo do país e faz quase 35% das horas trabalhadas Imagem de perfil do autor Paulo Nogueira

São cerca de 5,1 mil barris a menos por dia no maior produtor de petróleo em terra do Brasil. A queda atinge as petroleiras que operam campos antigos, quem presta serviço para elas e o caixa do estado, que recebe menos royalties.
O assunto dominou o SMS Oil & Gas 2026, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) na quinta (29) e na sexta (30), na sede do Sebrae-RN.
Os números foram publicados pelo Agora RN e pelo Portal N10 com base na ANP. A média diária de janeiro a agosto foi de 26.572,47 barris, contra 31.676,41 no mesmo período de 2025.
O trimestre de abril a junho mostra o mesmo desenho. A produção de petróleo do estado caiu de 2,93 milhões para 2,40 milhões de barris, recuo de 17,82%.
O gás natural acompanhou a queda do óleo, embora num ritmo um pouco menor. No mesmo trimestre, o volume passou de 112,30 milhões para 97,66 milhões de metros cúbicos, queda de 13,04%.
O boletim da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado (Sedec-RN), também feito com dados da ANP, separa o que sai da terra e do mar. Nos campos terrestres, o petróleo somou 2,25 milhões de barris no 2º trimestre, queda de 18,07%.
No mar, onde o RN produz bem menos, foram 157,48 mil barris, recuo de 14%. O gás marítimo caiu 23,9%, para 10,04 milhões de metros cúbicos.
E não começou agora.
A tendência já vinha do início do ano. No 1º trimestre, a produção terrestre de petróleo já tinha caído 15,85%, e a de gás, 20,34%.

A conta chegou ao governo. No 1º semestre, o Rio Grande do Norte arrecadou R$ 105,57 milhões em royalties, contra R$ 128,96 milhões no mesmo período de 2025, segundo o boletim da Sedec-RN noticiado pelo BNews RN.
É dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos.
São R$ 23,39 milhões a menos, uma queda de 18,14%. Entre janeiro e abril, o recuo passou de 28%, e a arrecadação melhorou a partir de maio, sem compensar o começo do ano.
A explicação dos produtores é o envelhecimento dos campos, a mesma apontada pela Sedec-RN no boletim, que fala em “evolução natural dos reservatórios” e declínio gradual das taxas de produção. Boa parte deles produz há décadas.
“Essas empresas adquiriram ativos maduros que estão há décadas produzindo, mas também são ativos marginais, ou seja, estão na margem da economicidade. De forma natural, existe o declínio desses ativos”, disse o secretário-executivo da ABPIP, Lucas Mota, ao Agora RN.
O superintendente adjunto de Segurança Operacional da ANP, Rafael Duarte, descreveu o problema na prática: “A tendência, à medida que você explora campos maduros, é diminuir o teor de óleo e tirar cada vez mais água”.
O peso do setor para o emprego é maior do que o volume sugere. Segundo dados apresentados por Duarte no fórum, a produção terrestre responde por cerca de 3% do petróleo extraído no Brasil, mas as operadoras em terra somam quase 35% das horas trabalhadas na indústria petrolífera do país.
Ou seja: cada barril perdido em terra pesa mais no emprego do que um barril perdido no pré-sal.
Para o representante da ANP, ainda há espaço. “Por mais que sejam campos maduros, não só no RN, mas no Nordeste todo, existe potencial para gerar lucro e riqueza para a sociedade”, afirmou.

Para frear o declínio, as operadoras defendem duas frentes: perfurar novos poços e modernizar as instalações que já existem, com mais eficiência operacional e recuperação de poços parados. Mota disse que a ABPIP conversa com o Idema, o órgão ambiental do estado, sobre os prazos de licenciamento dos projetos.
Um exemplo já está na fila. A Brava Energia pediu licença para 30 poços em Alto do Rodrigues, Pendências e Mossoró, publicados no Diário Oficial do Estado em 7 de outubro.
A mesma empresa comunicou à ANP, em 15 de outubro, uma acumulação de gás a 2.230 metros de profundidade no Campo de Sanhaçu, na Bacia Potiguar, ainda em estudo.
No primeiro dia do fórum, a ABPIP e o Sebrae-RN assinaram um memorando de 24 meses para aproximar pequenas empresas, startups e institutos de pesquisa das petroleiras independentes, segundo a TN Petróleo.
A ideia é qualificar fornecedores locais e buscar tecnologias que reduzam o custo de manter campos antigos de pé. “Queremos aproximar os produtores independentes das pequenas empresas, startups e instituições de pesquisa”, disse o presidente da ABPIP, Márcio Félix.
O CPG já mostrou que campos maduros podem reduzir o declínio de 19% para 7% com investimento. No RN, isso depende de licenças saírem a tempo e de as empresas terem caixa para furar.
Enquanto os poços novos não chegam, cada mês de queda pesa no emprego das cidades do petróleo e nos royalties do estado. Você mora numa cidade do petróleo em terra? Conte nos comentários se a queda já aparece no seu dia a dia.

Descrição Jornalista
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