“Flávio foi visto como mais seguro, direto e claro, especialmente em segurança pública e tecnologia. Lula teve melhor desempenho percebido em saúde e pandemia, mas parte dos participantes considerou suas respostas confusas, carregadas de números e difíceis de acompanhar.
Ao mesmo tempo, a segurança de Flávio não eliminou a crítica de que ele deixou perguntas sem resposta e evitou temas nos quais parecia menos preparado”, diz o relatório revelado por O Globo.
“O debate não parece ter produzido uma virada de percepção significativa. A avaliação ligeiramente superior de Flávio se apoiou em postura, clareza e domínio percebido de segurança e tecnologia. Lula preservou uma vantagem temática em saúde e conseguiu momentos de ataque efetivo, mas pagou o preço de respostas que parte do grupo considerou confusas. Flávio, por outro lado, transmitiu segurança sem dissipar a impressão de que evitava responder a perguntas difíceis”, acrescentou.
A Quaest fez a pesquisa com 30 grupos de eleitores, de oito a 12 pessoas cada.
Em cada um dos grupos havia eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro, além de indecisos.
O debate
Lula e Flávio Bolsonaro finalmente se encontraram em um debate no domingo, 18, na Band. Durante duas horas, eles trocaram acusações duras e apresentaram algumas propostas de governo — mais Flávio do que Lula.
Esta foi a primeira campanha presidencial desde 1989 em que os principais candidatos não se encontraram em nenhum debate no primeiro turno.
O evento de domingo remediou essa ausência, tanto por permitir observar o comportamento dos dois sob pressão quanto por trazer à discussão temas de seus programas de governo.
O candidato do PL foi mais disciplinado na apresentação dos temas e das ideias centrais de sua campanha.
Repetiu, em diferentes oportunidades, suas propostas para a segurança pública e a promoção da prosperidade, sempre associadas ao slogan do “momento de mudança”. Falou também mais diretamente com o eleitor, dirigindo-se a ele na segunda pessoa.
Lula foi menos explícito na apresentação de propostas. Fez um debate mais voltado à desconstrução do adversário, procurando demonstrar experiência, mas por vezes com um toque de arrogância. Insistiu em perguntas sobre suspeitas envolvendo Flávio e seus aliados e desafiou o senador a abrir seus sigilos bancário e telefônico.
Deu em O Antagonista

