Meta nega interferência nas eleições brasileiras e atribui problemas a falhas técnicas - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Redes Sociais 17/10/2026 16:06

Meta nega interferência nas eleições brasileiras e atribui problemas a falhas técnicas

Meta nega interferência nas eleições brasileiras e atribui problemas a falhas técnicas

A Meta publicou, nesta sexta-feira (16), um posicionamento em que nega interferir nas eleições brasileiras de 2026 e afirma que problemas recentes envolvendo as campanhas presidenciais foram causados por falhas técnicas.

A empresa, responsável por Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, sustenta que suas regras são aplicadas igualmente a candidatos e partidos, sem favorecimento político.

A manifestação ocorre em meio a acusações da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que conteúdos e contas ligados ao presidente sofreram restrições nas plataformas. Em publicação no blog institucional, a companhia detalhou episódios envolvendo anúncios, contagem de visualizações e a ferramenta de inteligência artificial Meta AI.

A versão da empresa, porém, divide espaço com relatos publicados pela Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, mensagens internas de funcionários da Meta registraram restrições que prejudicaram contas de Lula e recomendações algorítmicas do perfil e do canal de WhatsApp de Flávio Bolsonaro (PL).

Semana trouxe polêmica sobre comportamento da IA da Meta em relação aos candidatos à Presidência do Brasil, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Semana trouxe polêmica sobre comportamento da IA da Meta em relação aos candidatos à Presidência do Brasil, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) – Imagem: gerada por IA

Meta aponta falhas em anúncios e visualizações

  • Um dos episódios citados pela empresa ocorreu em 23 de setembro, quando a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por pouco mais de uma hora;
  • Segundo a Meta, o bloqueio aconteceu depois que um anúncio foi classificado incorretamente como possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise antifraude;
  • A empresa afirma que a situação foi corrigida e ressalta que as páginas oficiais da campanha no Facebook e no Instagram não foram bloqueadas;
  • Outro incidente ocorreu em 7 de outubro, quando uma falha nos sistemas de contagem de visualizações de vídeos afetou os Reels. Durante cerca de cinco horas, os números ficaram congelados, incorretos ou zerados, embora os conteúdos continuassem sendo distribuídos normalmente;
  • De acordo com a Meta, o problema atingiu criadores em mais de 100 países e não ficou restrito ao Brasil ou a uma campanha específica. A companhia também afirma que a campanha de Flávio Bolsonaro relatou o mesmo problema naquele dia. Segundo a empresa, a conta oficial de Lula no Instagram registrou desempenho acima de seu próprio patamar recente durante o período;
  • A Meta também menciona uma falha identificada em 9 de outubro no Gerenciador de Anúncios. Causado por uma atualização de código, o problema impediu temporariamente a criação de anúncios a partir de publicações já existentes no Instagram. A empresa diz que milhares de anunciantes em diferentes países foram afetados e que a falha foi resolvida após a reversão da atualização, nas primeiras horas de 10 de outubro;
  • Segundo a companhia, a limitação não impediu a criação de anúncios por meio de uploads diretos no Gerenciador de Anúncios. Os anúncios que já estavam em veiculação, incluindo os da campanha de Lula, também não teriam sido afetados.

Mensagens internas relatam restrições à campanha de Lula

A explicação da Meta contrasta com informações publicadas pela Folha em reportagem baseada em mensagens internas da empresa. Segundo o jornal, funcionários reconheceram que restrições prejudicaram contas de Lula no Instagram e relataram recomendações algorítmicas do perfil de Flávio Bolsonaro na plataforma e de seu canal no WhatsApp.

Um dos episódios relatados pela Folha envolve a impossibilidade de impulsionar publicações já feitas no feed do Instagram por quase 24 horas, a partir de 9 de outubro. A campanha ainda conseguia promover novos conteúdos por outros formatos, mas não podia pagar para ampliar o alcance das publicações existentes no feed.

A campanha de Lula estimou que a restrição fez com que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixassem de ver anúncios. Esse número é uma estimativa apresentada pela própria campanha, e não uma medição independente.

Agentes como o Muse podem assumir etapas de compras e atendimento, mudando a relação entre consumidores e empresas no comércio.
Segundo a Meta, o Meta AI foi temporariamente impedido de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil, como parte das medidas adotadas para cumprir as regras eleitorais – Imagem: jackpress/Shutterstock

A Reuters repercutiu o relato da Folha nesta sexta-feira. A agência informou que as mensagens internas mencionadas pelo jornal indicavam tanto o impacto das restrições sobre contas de Lula quanto recomendações de conteúdo associado a Flávio Bolsonaro.

Deu em Olhar Digital
Ricardo Rosado de Holanda
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