Festa do Boi: café produzido no RN disputa título de melhor do Nordeste - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Agricultura 16/10/2026 09:00

Festa do Boi: café produzido no RN disputa título de melhor do Nordeste

Festa do Boi: café produzido no RN disputa título de melhor do Nordeste

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae-RN) promove, durante a programação da Festa do Boi 2026, o 1º Concurso de Qualidade dos Cafés do Nordeste.

Nesta quinta-feira (15), o público em geral — visitantes, compradores e participantes do evento — julgou os 10 cafés finalistas da competição e o resultado final será conhecido nesta sexta-feira (16).

Entre os finalistas, um dos cafés é potiguar, representado pelo produtor Diogo Castro, de Jaçanã, que investiu no café em 2020, retomando a história cafeeira das serras do sítio Rio Grande.

A competição, que ocorre em Parnamirim, é desenvolvida pelo Sebrae em parceria com o Núcleo de Estudos em Cafeicultura da Universidade Federal da Paraíba. Nesta quarta-feira (14), juízes especializados fizeram uma avaliação técnica dos produtos em diversos critérios. Nesta sexta-feira, será possível conhecer tanto o campeão do júri técnico quanto o café de destaque, escolhido pelo voto popular.

A proposta é reconhecer a qualidade e a diversidade de sabores de cafés especiais da região Nordeste, além de dar visibilidade aos produtores. Elton Alves, gestor de cafeicultura no Sebrae-RN, diz que o concurso “coroa o olhar que queremos trazer para o produtor rural do Nordeste, para o cafeicultor nordestino”.

Segundo ele, a raridade e a qualidade que as bebidas apresentam trarão para esses produtores “um excelente resultado financeiro e toda uma visibilidade”. “O campeão ganha premiações em equipamentos e em dinheiro e a ida para a Semana Internacional do Café em Belo Horizonte, que é o principal evento da atividade”, explica.

Participaram do concurso produtores do Rio Grande do Norte e dos estados da Paraíba, Ceará, Pernambuco e Bahia, sendo finalistas cafés do RN, Pernambuco e Bahia.

Para o potiguar Diogo Castro, “a importância de estar como finalista é imensurável para um produtor e para a cadeia da cafeicultura aqui no Rio Grande do Norte, de trazer esse pertencimento e mostrar que realmente produzimos um café de alta qualidade”.

Elton celebra que, entre 48 amostras participantes de cinco estados, uma das finalistas seja potiguar. Além da posição de Diogo no Top 10, a cafeicultora Gerlane Magalhães, de Portalegre (RN), foi uma das 24 semifinalistas.

“Os jurados seguem um protocolo internacional, avaliando qualidade física e qualidade sensorial. Tudo isso passou por etapas muito rigorosas. Os 10, na verdade, já são grandes campeões”, diz o gestor de cafeicultura.

O engenheiro-agrônomo Jheyson Dantas, um dos organizadores do concurso, explica que a competição também atua para mapear os cafés do Nordeste.

Entre os critérios técnicos, estão itens como o tamanho do grão e seu estado físico, umidade e o sensorial do café — “o que ele tem, se é mais doce, o tipo de acidez, o corpo, se ele é licoroso, se não é, e defeitos que podem pontuar negativamente esse café”.

Já o voto popular refletiu a opinião dos visitantes da Agência Sebrae na Festa do Boi. A costureira Fernanda Medeiros, 48, foi uma das votantes.

“Achei bem interessante participar. O café que eu escolhi, eu achei um aroma mais perfumado, diferenciado dos outros”. Ela experimentou dez sabores de café, sem saber informações do produto.

Flaviane Medeiros, 30, também julgou os cafés. Para ela, que estava acompanhada da família, a experiência foi “bem diferente”. “Isso traz a experiência de provar cafés especiais, que não é todo lugar que tem. Eu amei provar cafés diferentes. Escolhi um café pela doçura”, conta a técnica em enfermagem.

Diogo Castro, de Jaçanã, investiu no café em 2020 e está na final. Foto: Alex Régis

Técnicos e público fazem escolha

A competição adota a metodologia Coffee Value Assessment, desenvolvida pela Specialty Coffee Association, para a avaliação sensorial dos cafés. O julgamento técnico foi realizado por uma comissão formada por especialistas convidados, seguindo critérios de anonimização, padronização, imparcialidade, rastreabilidade e integridade.

O concurso tem duas categorias principais de reconhecimento: Categoria Técnica e Destaque do Público, ambas divididas entre as espécies Coffea arabica e Coffea canephora. Na Categoria Técnica, serão reconhecidos o primeiro, segundo e terceiro colocados de cada espécie, além dos produtores classificados entre o quarto e o décimo lugares, que formarão o Top 10.

Os campeões técnicos receberão troféu, certificado e o selo “O Melhor Café do Nordeste – Concurso ASFB 2026”. Eles também recebem uma devolutiva técnica sobre o desempenho do café e orientações para aprimoramento.

Os segundo e terceiro colocados receberão troféus e certificados, além de oportunidades de participação em rodadas de negócios. Após o conhecimento dos vencedores, haverá um cupping — prova técnica de cafés especiais — com empresários nesta sexta-feira.

Já os finalistas do quarto ao décimo lugar receberão certificado e poderão participar de ações de divulgação e promoção comercial realizadas pelo Sebrae-RN e parceiros.

Conforme divulgou o Sebrae-RN, para os vencedores da categoria Destaque do Público estão previstos troféu, certificado, produção de conteúdo promocional, divulgação nos canais institucionais e participação em rodadas de negócios e experiências gastronômicas.

Deu em Tribuna do Norte
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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