Uma pesquisa publicada na revista Personality and Individual Differences e realizada pela Universidade do Mississippi, com 451 participantes, analisou como traços de psicopatia aparecem no estilo de escrita ao sugerir que a pessoa narre momentos marcantes de sua vida.
O estudo avaliou universitários e cidadãos que passaram pelo sistema prisional e utilizou o modelo triárquico da psicopatia.
Em vez de focar um diagnóstico fechado, a pesquisa observou a maneira como três dimensões específicas influenciam a escolha de palavras quando descrevemos momentos felizes, difíceis ou de mudança. São eles:
- Audácia (boldness): associada ao uso menos frequente de termos ligados à ansiedade (como “medo” ou “preocupação”). Paradoxalmente, apareceram mais palavras de tom positivo, como as ligadas a recompensas e conquistas.
- Insensibilidade/frieza (meanness): relacionada a uma menor quantidade de palavras com emoção negativa (como “mágoa” ou “ódio”) em momentos de mudança de rumo.
- Desinibição (disihibition): apresentou as relações mais marcantes, associando-se a um tom mais negativo em momentos felizes, com menos menções a resultados positivos. Notou-se ainda maior referência a substâncias como álcool e tabaco em fases difíceis. Também aparecem menos citações sobre amizades e mais relacionadas a grandes feitos.
Nota clínica do blog: Especialistas reforçam que traços isolados ou padrões de escrita não substituem um diagnóstico psiquiátrico ou psicológico formal, que exige avaliação aprofundada por profissionais especializados.

