Ele recordou números de 2022. No primeiro turno daquele ano, Lula (PT) tinha uma vantagem de 6,1 milhões de votos e terminou o segundo turno com uma diferença de 2,1 milhões.
“Em 2022, Jair Bolsonaro reduziu a diferença em 4 milhões de votos, feito que, se Lula conseguir esse ano, superaria Flávio Bolsonaro”, afirmou.
O analista ponderou, porém, que nunca houve uma virada de primeiro para segundo turno nas eleições presidenciais no Brasil: “Os números são bastante cruéis para Lula.”
Voto útil e abstenção beneficiaram Flávio Segundo o analista, houve uma corrida de voto útil nos últimos dias antes da eleição, o que beneficiou Flávio Bolsonaro. A terceira via chegou a registrar cerca de 12% dos votos válidos na segunda-feira anterior à votação e terminou com aproximadamente 7,8% das urnas.
“A dúvida que fica agora é quem migrou. Se todo mundo que migrou foi, de fato, só o eleitor do Flávio, sobrou menos gente que votou em candidatos da chamada terceira opção”, disse Tokarski.
A abstenção também teria retirado votos de Lula, segundo ele. Ela foi mais concentrada entre eleitores de baixa renda, baixa escolaridade e acima de 60 anos.
Os 8,8 milhões de votos em aberto Tokarski ressaltou que ainda não se sabe para quem irão os cerca de 8,8 milhões de votos dados no primeiro turno a candidatos como Renan Santos (Missão), Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP) e outros.
“A gente não sabe em quem essas pessoas votariam no segundo turno. As pesquisas internas já começaram a circular, mas as pesquisas divulgadas ainda não saíram”, afirmou. Segundo turno sem disputa estadual em 20 estados O analista chamou a atenção para o fato de que 20 estados não terão disputa para governador no segundo turno.
“92% do eleitorado terão só o voto para
presidente como motivação para sair de casa. Essa abstenção vai aumentar ou diminuir? Em 2018, a abstenção ficou estável, vamos ver o que vai acontecer agora”, afirmou.
Para ele, as campanhas de Lula e de Flávio terão o desafio de conquistar esse eleitorado, que, em tese, tende a rejeitar os dois candidatos.
Estratégias para o segundo turno Ao analisar as estratégias dos candidatos, Tokarski avaliou que os apoios partidários influenciam pouco o comportamento do eleitor.
“O apoio de Lula ou de Jair Bolsonaro são apoios que mexem com a disposição do eleitorado. O Caiado, com todo respeito, é um político super-experimentado, mas ele declarar apoio pode trazer votos, mas não vejo o eleitor se movimentando por isso”, exemplificou.
Na visão dele, a batalha principal continuará sendo travada no Sudeste, região onde Flávio ampliou sua vantagem em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “Em 26 das 27 unidades da federação, ou a vantagem de Lula diminuiu ou a vantagem bolsonarista se ampliou”, afirmou.
Sobre a campanha do PT, Tokarski avaliou que ela deve focar em desgastar a figura de Flávio Bolsonaro e do bolsonarismo. Ele ponderou: “São temas que já estão bastante precificados em parcela do eleitor, que já conhece, já leu sobre e que, mesmo assim, acabou votando em Flávio Bolsonaro.”
Já a campanha de Flávio, segundo ele, terá o desafio de não cometer erros. “Lula tem o desafio de crescer pelo menos 2,3 milhões de votos a mais que Flávio. Hoje o favoritismo está no campo bolsonarista”, concluiu.