A ação emergencial tem um motivo bilionário. Segundo a Polisen, o prejuízo provocado pelas fraudes no país já alcançou a marca de 5,7 bilhões de coroas suecas, valor equivalente a mais de R$ 2 bilhões. Como ocorre em diversas partes do mundo, a população idosa é o principal alvo dos criminosos.
Diante desse cenário, quatro personalidades conhecidas do país foram escaladas para conscientizar o público. Entre elas está a atriz Suzanne Reuter, de 74 anos, que faz um alerta direto sobre o comportamento das gerações mais velhas.
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“Muitas pessoas da minha geração foram criadas para serem sempre educadas e prestativas”, afirma Suzanne. Ela ressalta que essas qualidades são justamente o ponto fraco explorado pelos golpistas e conclui: “Isso não é falta de educação, mas sim autoproteção”.
As abordagens mais recorrentes contra pessoas com mais de 60 anos na Suécia ocorrem por ligação telefônica. Os estelionatários costumam enviar mensagens de texto fingindo representar órgãos governamentais, empresas, bancos ou associações. No texto, indicam um número para a vítima ligar sob o pretexto de resolver uma pendência ou buscar ajuda.
Ao atender a ligação, a vítima é confrontada por criminosos treinados com roteiros persuasivos, desenhados para gerar estresse e senso de urgência. Em muitos casos, os golpistas inventam que um crime está em andamento na conta bancária do idoso e exigem a transferência imediata do dinheiro para uma suposta “conta de proteção”.
A recomendação central da campanha é simples e drástica: ao notar qualquer sinal de suspeita ou pressão durante a conversa, a orientação é desligar imediatamente a chamada na cara do interlocutor.
A orientação também se estende aos golpes presenciais aplicados por falsos policiais. Nessa modalidade, criminosos disfarçados com fardamento aparecem na residência da vítima inventando histórias que exigem a entrega imediata de cartões de crédito, joias ou objetos de valor em ouro, bens que nunca mais são recuperados.
O chefe de operações nacionais da Polícia Sueca, Robert Öhman, reforça que a corporação jamais envia agentes para recolher ou guardar pertences pessoais dos cidadãos. Ele apela para que as pessoas ignorem a tendência de serem corteses e fechem a porta imediatamente à menor desconfiança.
Autoridades policiais alertam ainda que o impacto dos golpes vai além do prejuízo financeiro individual, uma vez que o dinheiro roubado das vítimas é frequentemente canalizado para o financiamento de organizações criminosas e delitos graves no país.
A explosão de estelionatos contra a terceira idade é um problema global. Nos EUA, dados do FBI (polícia federal americana) apontam que adultos a partir de 60 anos relataram perdas de US$ 7,75 bilhões (mais de R$ 40 bilhões) em 201.266 queixas registradas em 2025, um salto de 59% em relação ao ano anterior.
Fraudes de investimento, falso suporte técnico e golpes afetivos lideram os prejuízos no país, deixando mais de 12 mil pessoas com perdas individuais superiores a US$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil).
A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) destaca que, embora os idosos façam menos denúncias formais do que os mais jovens, o valor financeiro perdido por eles tende a ser significativamente maior.
Como essas estatísticas consideram apenas os casos notificados às autoridades, o rombo real do crime organizado é estimado em cifras muito superiores.
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