O Brasil atravessa um momento preocupante para quem empreende. Somente no primeiro semestre de 2026, foram registrados mais de 6,3 mil pedidos de recuperação judicial de empresas, um número quase seis vezes maior do que o registrado no auge da pandemia de Covid-19.
De acordo com os dados apresentados, foram 6.341 pedidos de recuperação judicial somente neste ano.
Em 2020, durante um dos períodos mais críticos da pandemia, foram registrados 1.179 pedidos. A diferença evidencia a dimensão do cenário atual: o número de empresas que buscam proteção da Justiça para evitar a falência já supera, com larga margem, o patamar observado durante a crise sanitária.
O cenário atinge empresas de diferentes setores e está relacionado a uma combinação de fatores que há anos desafiam os empresários brasileiros.
O país é considerado um dos ambientes mais difíceis do mundo para empreender, marcado pela elevada carga tributária, juros altos, burocracia e insegurança econômica e jurídica.
Na prática, muitos empresários enfrentam uma realidade em que trabalham mais, aumentam o faturamento, mas encontram cada vez mais dificuldades para manter dinheiro no caixa.
Custos elevados e um ambiente econômico desafiador reduzem as margens e tornam a gestão financeira ainda mais complexa.
E os desafios não terminam aí. A Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças já realizadas no sistema de impostos brasileiro e começará a produzir novas etapas de implementação a partir do próximo ano. A mudança terá impacto direto na forma como as empresas calculam seus tributos, definem preços, administram suas margens e organizam o fluxo de caixa.
Nesse cenário, a preparação deixa de ser apenas uma questão de planejamento e passa a ser uma necessidade para a sobrevivência de muitos negócios. Empresas que não entenderem as novas regras e não ajustarem sua estrutura financeira e tributária poderão enfrentar dificuldades ainda maiores.
A tendência é que o ambiente continue exigindo atenção dos empresários. A mudança alcançará empresas de diferentes portes e setores entender as mudanças, revisar custos, analisar a carga tributária e preparar o fluxo de caixa pode fazer a diferença entre atravessar esse período com segurança.

