Inadimplência empresarial bate recorde no Brasil com 9,1 milhões de CNPJs negativados - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
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Economia 18/08/2026 04:41

Inadimplência empresarial bate recorde no Brasil com 9,1 milhões de CNPJs negativados

Inadimplência empresarial bate recorde no Brasil com 9,1 milhões de CNPJs negativados

Dívidas vencidas somam R$ 232,9 bilhões e revelam cenário crítico para negócios de todos os portes

O Brasil alcançou uma marca inédita em junho: 9,1 milhões de , segundo levantamento da  antecipado pelo jornal O Globo.

O montante acumulado em  vencidas e não pagas chegou a R$ 232,9 bilhões, também o maior valor desde o início da série histórica, em 2016.

A escalada é veloz. Em maio, o país contabilizava nove milhões de CNPJs negativados, com R$ 229,9 bilhões em débitos pendentes. Em apenas 30 dias, cerca de 100 mil empresas engrossaram a lista, e o volume em atraso saltou R$ 3 bilhões.

Setor de serviços e comércio lideram os registros

O segmento de serviços respondia por 55,7% das empresas negativadas em junho. Logo atrás, o comércio representava 32,2% do total.

Cada CNPJ com pendências acumulava, em média, 7,3 contas vencidas — que podem incluir obrigações com bancos, fornecedores ou prestadores de serviços essenciais, como  e telecomunicações. O valor médio por empresa inadimplente ficou em R$ 25.508,96.

Micro e pequenas empresas são 95% dos inadimplentes

Os negócios de menor porte sofrem o impacto mais severo. Das 9,1 milhões de empresas com dívidas em atraso, 8,7 milhões eram micro e pequenas empresas — proporção que equivale a cerca de 95% do universo de inadimplentes.

Juros altos e consumo enfraquecido agravam o quadro

O crescimento da inadimplência ocorre em um cenário de crédito caro e demanda pressionada. Apesar de o ciclo de redução dos juros já ter sido iniciado, a taxa Selic se mantém em 14% ao ano — patamar que encarece empréstimos, capital de giro e qualquer tentativa de renegociação.

Do lado do consumo, o problema se retroalimenta. Dados da Serasa Experian apontam que 83,9 milhões de consumidores estavam negativados em julho.

Com parcela maior da renda comprometida com dívidas e despesas básicas, o dinheiro disponível para adquirir produtos e serviços diminui — reduzindo as receitas das empresas.

Recuperações judiciais ganham ritmo acelerado

A dificuldade em honrar compromissos financeiros também se reflete no aumento dos pedidos de recuperação judicial, instrumento que permite a empresas em crise renegociar dívidas com credores sob supervisão da Justiça. Neste último fim de semana, a Marabraz recorreu ao mecanismo para renegociar aproximadamente R$ 140 milhões em débitos.

No entanto, a recuperação judicial costuma ser uma ferramenta acessível sobretudo a empresas de maior porte. Negócios menores dependem, na prática, de negociações diretas, programas públicos ou linhas de crédito bancárias.

Programas governamentais já renegociaram R$ 28 bilhões

Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo divulgados pelo O Globo, iniciativas voltadas a empresas de menor porte já movimentaram R$ 28 bilhões em renegociações.

Foram 185 mil operações realizadas pelo , totalizando R$ 26 bilhões, além de 47 mil operações no ProCred 360, que somaram R$ 2 bilhões.

Ricardo Rosado de Holanda
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