Eleições 23/07/2026 11:09
Dividido entre Lula e Flávio, Centrão caminha para ficar neutro no 1º turno

Os partidos do chamado “Centrão” caminham para formalizar posição de neutralidade nas eleições presidenciais deste ano, nas convenções realizadas até 5 de agosto.
A prioridade será investir recursos e esforços nas eleições ao Congresso Nacional.
Assim, as legendas ficarão fora dos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Muitos dos partidos, inclusive, foram cortejados pelos dois lados dos presidenciáveis que estão à frente nas pesquisas. Algumas legendas até mantêm espaços na Esplanada dos Ministérios do Governo Lula, mesmo que, após a desincompatibilização, os cargos em primeiro escalão tenham reduzido de forma significativa.
Nos estados em que Lula tende a ter maior vantagem eleitoral – no Nordeste, por exemplo –, pré-candidatos do Centrão a vagas no Congresso, por mais que sejam próximos de Flávio Bolsonaro, têm sido cautelosos ao declarar apoio, sob pena de prejudicar a própria candidatura. O pragmatismo tem prevalecido.
O PT foi mais discreto nos avanços para acordos federais com partidos do Centrão. Anteriormente, Lula distribuiu ministérios a legendas de centro para garantir a governabilidade e o avanço de pautas no Congresso. Agora, já com foco nas eleições, preferiu mirar parcerias mais à esquerda para formar o palanque nacional.
Esse cenário, no entanto, não quer dizer que, em nível local, a legenda do atual presidente não esteja buscando proximidade com nomes mais ao centro. A ideia é ter mais visibilidade dentro dos estados ao projeto de reeleição.
Já o Partido Liberal (PL) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi mais enfático e tentou até os últimos dias atrair o apoio de legendas de centro, chegando a colocar na mesa a indicação da vice-presidência. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, se reuniu com a senadora e líder da bancada do Progressistas, Tereza Cristina (PP-MS), mas recebeu a negativa da ex-ministra da Agricultura.
Flávio ainda tentou procurar o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), nesta semana, mas o cacique já sinalizou a aliados que a posição é de neutralidade no pleito para viabilizar candidaturas em todos os estados.
“Esse sempre foi o consenso da federação para que os estados fiquem livres para eleger o maior número de deputados”, disse um integrante da executiva nacional do Progressistas ao Metrópoles.
Valdemar também procurou o Republicanos e o Podemos, mas as duas legendas também não fecharam apoio a Flávio Bolsonaro, até então. O partido de Marcos Pereira chegou a rodar pesquisa testando nomes femininos do Republicanos para eventual vice, mas o resultado não animou. A convenção nacional do PL ocorrerá neste sábado (25/7), em São Paulo.
Por outro lado, é o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques que mais agrada Flávio Bolsonaro. A republicana, porém, recém-filiada, enfrenta resistências tanto no PL quanto no próprio partido. Valdemar chegou a dizer que Marques “precisa ter voto” para ser vice.
Ao mesmo tempo, ante o imbróglio, Valdemar deixou a decisão para os Bolsonaros. Ao Metrópoles, disse que a decisão será de Flávio e que será “uma escolha pessoal” do pré-candidato à Presidência.
Outro partido de grande porte a assumir a neutralidade deverá ser o MDB. O cenário deve se repetir, ainda, para o Solidariedade e o PRD.
O único partido do Centrão com candidatura própria é o PSD, que terá o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como cabeça de chapa e o presidente nacional, Gilberto Kassab, como vice. Apesar da escolha, o PSD não deve empurrar palanques nos estados, também tendo em mente a realidade de cada localidade.
O partido de Kassab tem proximidade com bolsonaristas em determinados estados e com Lula em outros. Um exemplo é o Rio de Janeiro, onde o pré-candidato Eduardo Paes (PSD-RJ) é lulista assumido.
Nesse contexto, mesmo sendo do partido do nome ao governo, Caiado não terá palanque de Paes no Rio.
O atual cenário difere da posição adotada pelo Centrão nas últimas eleições gerais, quando Jair Bolsonaro tentava a reeleição, e Lula, um terceiro mandato.
Naquele ano, o PP e o Republicanos formaram coligação com o PL para tentar reeleger Bolsonaro. À época, Ciro Nogueira era ministro da Casa Civil.
No primeiro turno, o MDB, o União Brasil e o PDT tiveram candidaturas próprias. O MDB lançou Simone Tebet, em aliança com PSDB, Cidadania e Podemos, enquanto o PDT lançou Ciro Gomes. Tebet apoiou Lula no segundo turno e acabou se tornando ministra do Planejamento, mas o MDB liberou seus filiados. Já o PDT apoiou o petista, mas Ciro Gomes, então pedetista e hoje no PSDB, não.
O União Brasil lançou a senadora Soraya Thronicke, hoje no PSB, para o primeiro turno, mas depois manteve a neutralidade no segundo turno de 2022.
Quem apoiou Bolsonaro no primeiro turno em 2022
Quem apoiou Lula no primeiro turno de 2022
Deu em Metrópoles

Descrição Jornalista
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