Corrupção 18/06/2026 16:42
Caso Master chega ao PT. E essa mancha vai ser difícil de remover

Em abril de 2018, a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal criada em 1979 pelo governo da Bahia para distribuir produtos básicos a preços acessíveis para a população de baixa renda, foi vendida a um grupo privado por R$ 15 milhões.
Com ela foi negociada a rede de supermercados Cesta do Povo. Na época as dívididas da estatal giraram em torno de R$ 381 milhões.
O comprador topou o preço após uma série de leilões fracassados. O lance inicial era de R$ 81 milhões, mas ninguém quis colocar dinheiro em um negócio que envolvia apenas gôndolas de supermercado.
Foi o portão de entrada para que os novos proprietários da empresa entrassem num mercado promissor – spoiler: não era o da venda de tomate a baixo custo.
O novo dono era o consórcio paulista NGV Empreendimentos e Participações e tinha por trás o investidor Augusto Lima.![]()
Com ele o serviço de crédito se expandiu, graças à parceria com o Banco Master, onde Lima atuou como CEO. De lá ele saltou, em 2025, para o próprio banco, o Pleno – um dos alvos das operações que miram os negócios de Daniel Vorcaro, seu ex-sócio.
O secretário de governo da Bahia na época mal sabia (ou sabia?) que estava ajudando a mudar o destino da nora no futuro.
O banco que cresceu e ficou fortinho pegando dinheiro de aposentados – e, mais tarde, vencendo títulos impagáveis – repassou R$ 12 milhões para uma empresa financeira de Bonnie Bonilha entre 2022 e 2025. O sogro dela é Jaques Wagner, o idealizador da venda da Ebal (leia-se Credcesta) para a turma de Daniel Vorcaro.
Hoje líder do governo Lula no Senado, Wagner entrou na mira da Polícia Federal nesta quinta-feira (18) durante uma operação de desdobramento do caso Master. Ele é suspeito de receber um imóvel de R$ 2,5 milhões de Augusto Lima.
Em Brasília, todos sabiam que a Bahia era um pé de barro e meio para o PT do discurso sobre o escândalo que alvejou o coração da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
As suspeitas atingiram oficialmente Jaques Wagner, mas respingam em Rui Costa, ministro da Casa Civil e governador na época da venda da Ebal. (Wagner, vale lembrar, também já foi ministro da Casa Civil, mas no governo Dilma).
Quando os rumos políticos mudaram, a turma interessada no dinheiro dos velhinhos ampliou o leque dos relacionamentos políticos.
E abriram o bolso para a extrema-direita e o centrão, que hoje correm para limpar as pegadas dos mimos (festas, viagens, deslocamento, financiamento de filme) oferecidos para Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Hugo Motta, Davi Alcolumbre e grande elenco.
Todos em algum momento foram citados como supostos beneficiários do esquema que só se tornou federal nos anos Bolsonaro e com a ajuda do Banco Central comandado na época por Roberto Campos Neto.
Mas, na guerra eleitoral que se avizinha, vai ser difícil apontar o dedo sem explicar que a conversa toda teve início em um enredo regional, lá na Bahia de Wagner e Rui Costa.
A nova fase da Operação Compliance Zero acaba de atingir o PT no peito. E vai ser difícil remover a mancha do palanque.

Descrição Jornalista
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