41% dos nordestinos acreditam que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, aponta Datafolha - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Pesquisa 17/06/2026 17:07

41% dos nordestinos acreditam que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, aponta Datafolha

41% dos nordestinos acreditam que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, aponta Datafolha

Uma pesquisa encomendada pelo Movimento Mulher 360 ao Datafolha revelou percepções contraditórias sobre a violência de gênero no Brasil.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todo o país, sendo 528 delas no Nordeste. Entre os entrevistados da região, 41% afirmaram concordar total ou parcialmente com a frase “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”.

O dado chama atenção por reforçar a banalização da violência de gênero. Ao mesmo tempo em que concordam com a afirmação acima, 65% dos nordestinos entrevistados também consideram a violência contra a mulher a forma mais grave de violência no país.

A contradição evidencia um dos principais alertas levantados pelo Movimento Mulher 360: a violência de gênero não se restringe às agressões físicas, mas também se manifesta por meio de comportamentos de controle, manipulação e privação da liberdade.

Embora atos como agressões físicas e ameaças sejam amplamente reconhecidos como violência, agressões psicológicas e coercitivas ainda costumam ser negligenciadas, apesar dos impactos profundos que causam na saúde emocional e na autoestima das mulheres.

“A pesquisa ajuda a mostrar que existe um vazio de reconhecimento justamente nas etapas anteriores à violência física, que são fundamentais para interromper o ciclo antes que ele se agrave”, afirma a diretora-executiva do Movimento Mulher 360, Margareth Goldenberg.

“Quando esses sinais não são reconhecidos socialmente como violência, homens e mulheres tendem a normalizar comportamentos abusivos por mais tempo. E isso reduz tanto a prevenção quanto a busca precoce por ajuda. Na prática, isso significa que muitas mulheres só conseguem reconhecer que estão vivendo violência quando ela já escalou para ameaças físicas, agressões ou risco concreto à integridade”, acrescenta.

Outro dado que chama atenção está relacionado ao controle das vestimentas da parceira.

Quando questionados sobre o fato de um homem controlar a roupa da parceira quando saem para jantar, 58% dos entrevistados no Nordeste não a reconheceram como uma forma de violência contra a mulher.

Desse total, 37% consideram a atitude problemática, mas não a classificam como violência, enquanto 21% a enxergam como uma situação normal entre casais.

Os resultados reforçam que, embora a violência contra a mulher seja hoje reconhecida pela população como uma das questões mais graves do país, ainda há desafios importantes para ampliar a compreensão sobre a temática.

Para Margareth Goldenberg, esse cenário evidencia a necessidade de um esforço coletivo para transformar percepções e comportamentos.

“Os dados mostram que a pauta sobre violência contra a mulher deixou de ser percebida como um tema privado ou exclusivamente feminino. Ela se tornou uma questão central de segurança pública e social. Por isso, acreditamos que transformar esse cenário exige conscientização e o comprometimento de atores públicos, privados e da sociedade”, afirma a diretora-executiva do Movimento Mulher 360.

Por essa razão, o Movimento Mulher 360 defende que o setor privado pode — e deve — atuar de forma concreta, por meio de políticas internas, canais seguros de escuta, capacitação de lideranças e iniciativas de conscientização.

O Movimento nasceu dessa mobilização coletiva e hoje reúne mais de 100 empresas comprometidas em acelerar práticas que promovam equidade de gênero, proteção e enfrentamento à violência contra a mulher dentro e fora das organizações.

“A violência contra a mulher atravessa relações familiares, afetivas, profissionais e sociais, expondo um cenário que reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes e maior participação de empresas e sociedade no combate a esse cenário”, diz Margareth.

Para mais informações sobre a pesquisa Datafolha no Brasil, acesse: https://movimentomulher360.com.br/noticias/pesquisa-violencia-contra-mulher-datafolha-mm360/

Sobre o Movimento Mulher 360

É uma associação empresarial sem fins lucrativos que reúne empresas comprometidas com o avanço da equidade de gênero no mundo do trabalho e na sociedade. Atua na mobilização, articulação e apoio às organizações para acelerar a adoção de políticas, práticas e compromissos que promovam ambientes corporativos mais inclusivos, diversos e equitativos.

Alinhado aos Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres, o Movimento Mulher 360 trabalha para fortalecer a liderança feminina, ampliar a representatividade das mulheres em diferentes níveis e áreas das organizações e fomentar a troca e disseminação de boas práticas empresariais. Também promove debates, pesquisas, formações e iniciativas coletivas voltadas à transformação cultural, justiça social e ao engajamento da alta liderança empresarial.

Atualmente, o MM360 reúne mais de 120 empresas associadas e é reconhecido como uma das principais referências nacionais na agenda de equidade de gênero no ambiente corporativo. A associação está aberta à adesão de novas empresas interessadas em contribuir para a construção de organizações e uma sociedade mais justa e inclusiva. Mais informações em Movimento Mulher 360.

Sobre Margareth Goldenberg

Psicóloga, especialista em direitos humanos & segmento corporativo privado e público, há 35 anos atua nos temas de responsabilidade social, diversidade e equidade de gênero em grandes corporações.

É diretora-executiva do Movimento Mulher 360 e CEO na Goldenberg Responsabilidade Social e Diversidade, onde atua como consultora estratégica e tática em diversidade, equidade e inclusão em várias empresas e instituições.

É membro do Comitê Consultivo do Elas Lideram 2030 – Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres e do Conselho Consultivo do Fórum LGBTI+, e Conselheira da FIESP para questões relacionadas ao tema de Equidade de Gênero na Industria. Co-autora da obra Diversidade e Suas Dimensões Vol II e Mulheres no Terceiro Setor

Fonte e foto: Assessoria

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista