Entenda por que Ancelotti freia clamor popular e adota cautela com Endrick na Seleção - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Futebol 17/06/2026 13:40

Entenda por que Ancelotti freia clamor popular e adota cautela com Endrick na Seleção

Entenda por que Ancelotti freia clamor popular e adota cautela com Endrick na Seleção

 

Nem tanta empolgação como o clamor popular, nem tanta calmaria como o histórico com a camisa da Seleção indica. Endrick praticamente monopolizou as atenções do torcedor após não entrar em campo diante do Marrocos na estreia do Brasil na Copa do Mundo, e o desafio de Carlo Ancelotti é equilibrar realidade e expectativa para um jovem que a comissão não quer o carimbo de salvador.

É bem verdade que o italiano não é o primeiro a adotar cautela quando o assunto é o prodígio do Real Madrid. Há dois anos, também nos EUA, Dorival Júnior relutou a dar oportunidades ao garoto na Copa América, mesmo após impacto imediato em amistosos contra Inglaterra, Espanha e México.

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O cenário era similar ao atual até que coube a Endrick a responsabilidade de substituir um suspenso Vini Júnior nas quartas de final diante do Uruguai. A atuação foi apagada, e o Brasil foi eliminado nos pênaltis.

Esta, por sinal, foi a única partida em que o atacante ficou em campo os 90 minutos com a camisa da Seleção. Com 17 jogos desde 2023, Endrick foi titular apenas mais uma vez, diante do Paraguai, pelas eliminatórias, quando foi sacado no intervalo.

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No total, são 534 minutos em campo com a camisa do Brasil, media de 34 por partida, e cinco participações em gol: quatro gols e uma assistência. Com Ancelotti, foi preciso esperar cinco listas até ser lembrado em março e precisar de pouco mais de 15 minutos para carimbar a vaga na Copa.

Carleto, por outro lado, já deu sinais claros da cautela adotada para o tema Endrick. Se após o empate com os marroquinos fugiu da pergunta e disse não falar de quem não entrou em campo, antes mesmo do jogo com a Croácia adotou um tom de projeção futura para protagonismo e questionou até mesmo onde o garoto se encaixaria melhor no time:

— Essa é uma boa pergunta. Porque eu pensava que Endrick era um jogador mais de área, um camisa 9. Mas agora ele está jogando aberto, está jogando muito bem aberto. É um jogador jovem, com muita qualidade. Faz parte do futuro da Seleção Brasileira. Ele, Rayan, Estêvão… são jogadores que vão ser protagonistas da Seleção no futuro – disse o treinador, em entrevista do fim de março deste ano.

A postura é similar à dos tempos de Real Madrid quando mesmo com o impacto de gols na disputa da Copa do Rei, Endrick voltava para o banco e não tinha sequência no time principal. A percepção da comissão técnica de Ancelotti é de que o atacante precisa evoluir para ser mais participativo em fases diversas do jogo e não somente próximo da área.

A capacidade de concentração no jogo por períodos mais longos também é algo que Endrick é bastante cobrado internamente. Por mais que o entendimento seja de que é um processo natural no amadurecimento de um jogador tão jovem.

As cobranças encontram eco até mesmo no português Paulo Fonseca, responsável pela ótima fase do brasileiro com a camisa do Lyon. Entre muitos gols e assistências, o treinador disse “não estar satisfeito e que Endrick deveria fazer mais pelo time em campo”.

Endrick não saiu do banco na estreia do Brasil em empate da Seleção com Marrocos — Foto: Image Photo Agency/Getty Images

Nos bastidores da CBF, há ainda correntes que se preocupam em amenizar a expectativa para que a entrada no time não se torne uma pressão para o próprio jovem. Não há dúvidas de que Endrick terá minutos e será útil para a Seleção, mas não em cenários em que tenha que resolver problemas coletivos.

Neste período de Copa do Mundo, o comportamento do garoto tem sido elogiado internamente, e os relatos são de que, apesar da vontade de entrar em campo, Endrick entende todos os processos. Mesmo externamente, a percepção é de um jogador mais leve e entrosado do que em outras convocações.

Entre o clamor e a paciência, Ancelotti segue firme em suas convicções para que Endrick seja útil para o Brasil. Sexta-feira, às 21h30 (de Brasilia), a expectativa já é grande para tê-lo em campo por minutos diante do Haiti, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo.

 

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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