Rota 66 – Como a estrada que nasceu com “nome errado” virou ícone cultural e chegou aos 100 anos - Fatorrrh - Ricardo Rosado de Holanda
FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
PMN – Restituição Silidária – 2004 a 1905

Turismo 02/05/2026 18:30

Rota 66 – Como a estrada que nasceu com “nome errado” virou ícone cultural e chegou aos 100 anos

Rota 66 – Como a estrada que nasceu com “nome errado” virou ícone cultural e chegou aos 100 anos

Em 2026, a Rota 66 completa 100 anos, um marco simbólico para uma das estradas mais famosas da história.

Criada oficialmente em 11 de novembro de 1926, a rodovia que, em seu auge, atravessava o coração dos EUA por quase 4 mil km, conectando Chicago, no estado de Illinois, ao Píer de Santa Monica, na Califórnia, chega ao centenário jovem de espírito, mas com as devidas cicatrizes do tempo que contribuíram para transformá-la em um ícone cultural associado à liberdade, às roadtrips e ao imaginário americano.

Durante décadas, milhões de pessoas cruzaram a chamada Main Street of America (Rua Principal da América, um dos tantos apelidos da estrada) de carro, moto ou motorhome em busca de trabalho, oportunidades ou simplesmente aventura.
No meio do caminho, muitos foram os sonhos – ou insucessos – galgados no asfalto diante de planícies agrícolas, pequenos vilarejos interioranos, desertos e montanhas que, ainda hoje, oferecem um retrato singular da diversidade geográfica dos EUA.

Aos poucos, algumas dessas histórias despertaram a curiosidade até se tornarem presença constante na cultura popular. Livros, poemas, músicas, filmes e séries emprestaram à rodovia ares de mito moderno. Do romance “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, lançado em 1939, até a animação “Carros”, em 2006, muita água – ou poeira – passou por debaixo dessa ponte.

Hoje, mesmo após ter sido oficialmente desativada em 1985, a estrada continua atraindo viajantes do mundo inteiro.

Embora não seja mais possível percorrer todo o trajeto de forma contínua como acontecia no passado, uma vez que muitos trechos da Rota 66 foram substituídos por vias mais modernas ou simplesmente desapareceram do mapa, é possível programar visitas a atrações e pontos históricos preservados em diversas cidades.

São placas, postos de gasolina, restaurantes, drive-ins, motéis, fachadas comerciais e monumentos que ajudam a manter viva a memória desta agora centenária senhora repleta de histórias para contar.

Como surgiu a Rota 66 e a disputa que quase mudou seu nome

No início do século 20, viajar de carro pelos EUA era uma tarefa complicada. As estradas eram irregulares, muitas vezes não pavimentadas, e faltava um sistema padronizado de rotas. Para resolver esse problema, o governo americano criou em 1926 o U.S. Highway System, um sistema nacional de rodovias numeradas.

Entre essas rotas estava um ambicioso projeto que ligaria o Meio-Oeste ao litoral do Pacífico. O principal defensor da ideia era Cyrus Avery, empresário de Oklahoma que ficou conhecido como o “pai da Rota 66”. Ele acreditava que uma estrada que conectasse Chicago à Califórnia poderia estimular o comércio e o desenvolvimento das cidades do interior.

O número original proposto para a nova rodovia era 60, que na lógica do sistema indicaria uma rota importante no eixo leste-oeste. À época, no entanto, o estado de Kentucky reivindicava o mesmo nome para uma estrada que passaria por seu território.

A disputa se estendeu por meses entre autoridades estaduais e o Departamento de Transporte dos EUA. Com pressões políticas mais elaboradas, Kentucky desafiou os estados do sudoeste e venceu a guerra.

Assim, a rota idealizada por Avery abraçou o número 66, considerado fácil de memorizar e visualmente marcante. Esperto, o empresário percebeu rapidamente o potencial da marca e passou a promovê-la em escala publicitária. A escolha acabou se revelando um golpe de sorte: a Route 66, ou Rota 66, se tornou um dos nomes de estrada mais reconhecidos do planeta.

Uma estrada, oito estados

Ao ser concluída, a Rota 66 somava 3.940 quilômetros de extensão. No total, a estrada cruzava, de Norte a Oeste, oito estados americanos:

  • Illinois
  • Missouri
  • Kansas
  • Oklahoma
  • Texas
  • Novo México
  • Arizona
  • Califórnia

Durante a década de 1930, a via transformou-se em uma das principais rotas de migração para trabalhadores que buscavam oportunidades na Califórnia, especialmente após a Grande Depressão ser amplificada por uma devastadora seca conhecida como Dust Bowl, com tempestades de poeira que destruíram comunidades agrícolas em diversos estados americanos.

Diante do fluxo contínuo, o trajeto passou a conectar grandes centros urbanos e pequenas cidades rurais, criando um corredor econômico que impulsionou o surgimento de restaurantes, motéis, postos de gasolina e atrações de beira de estrada.

Não demorou para que a Rota 66 ganhasse ares turísticos. Após a Segunda Guerra Mundial, com o crescimento da classe média americana e da cultura automobilística, a estrada virou um dos destinos favoritos para viagens de carro e moto nos EUA.

Como a Rota 66 virou um ícone da cultura americana

Foi apenas na década de 1940, entretanto, que a via deixou de ser apenas uma veia de transporte para se transformar em um dos símbolos mais reconhecíveis da cultura americana.

À medida que milhões de pessoas passaram a viajar pelo país de automóvel, a Rota 66 entrou definitivamente para o imaginário coletivo dos EUA, aparecendo com frequência em livros, músicas, filmes e séries de televisão.

Uma das obras que mais ajudaram a consolidar a importância simbólica da estrada foi o romance “As Vinhas da Ira”, publicado em 1939 pelo escritor John Steinbeck.

No livro, que retrata a migração de famílias durante a Grande Depressão, a rodovia aparece como o caminho percorrido por trabalhadores que deixavam o Meio-Oeste em direção à Califórnia em busca de uma nova vida. Foi nessa obra que Steinbeck popularizou o apelido Mother Road, alcunha usada até hoje para se referir à estrada.

A literatura americana continuaria reforçando esse imaginário ao longo das décadas. Em 1957, o escritor Jack Kerouac publicou “On the Road” (Pé na Estrada), livro fundamental da chamada geração beat. Embora não se concentre exclusivamente na Rota 66, a história ajudou a consolidar o mito da viagem pelas grandes rodovias americanas como símbolo de liberdade, descoberta e rebeldia.

No campo da música, a rodovia ganhou fama mundial com “Get Your Kicks on Route 66”, composta por Bobby Troup em 1946. A canção cita diversas cidades ao longo da estrada e rapidamente se tornou um clássico das rádios americanas.

Ao longo das décadas, foi gravada por artistas como Nat King Cole, Chuck Berry, The Rolling Stones e Depeche Mode, ajudando a espalhar a fama da estrada para além dos EUA.

Cinema e televisão

O cinema e a televisão também tiveram papel fundamental na construção do ícone. Entre 1960 e 1964, a série “Route 66”, exibida pela rede CBS, acompanhava dois jovens viajantes cruzando o país pela estrada e ajudou a consolidar a imagem da rodovia como um símbolo de aventura.

Cada episódio explorava uma cidade diferente ao longo da rota, mostrando paisagens e personagens que representavam a diversidade da sociedade americana.

A Mother Road aparece também em diversas produções ligadas à cultura automobilística e às viagens rodoviárias, como “Easy Rider” (1969), filme que capturou o espírito libertário das estradas americanas no final dos anos 1960.

Mais recentemente, a Rota 66 voltou ao centro da cultura popular com o sucesso da animação “Carros” (2006), da Pixar. A saga se inspira diretamente em pequenas cidades que floresceram ao longo da estrada e depois entraram em declínio com a construção das autoestradas modernas.

Personagens e cenários foram baseados em lugares reais da rota, como Galena, no Kansas, terra do guincho original que deu vida ao caipira e divertido Tow Mate.

Declínio e renascimento turístico

Apesar da fama, a Rota 66 começou a perder importância a partir da década de 1950. Isso ocorreu quando o governo dos EUA iniciou a construção do Sistema Interestadual de Rodovias, rede moderna de autoestradas projetadas para viagens mais rápidas e seguras.

Afinal, o antigo roteiro era, por vezes, torturante, uma vez que reunia diversos trechos de mão dupla simples e ruas urbanas onde só era permitido rodar a baixas velocidades.

As novas vias, criadas com mais faixas e bem mais seguras, passaram a contornar muitas das regiões que dependiam do movimento da Rota 66, provocando o declínio econômico de diversos municípios ao longo do caminho.

 Em 1985, a Mother Road foi oficialmente removida do sistema federal de rodovias. Na prática, a antiga estrada deixou de ser reconhecida pelos EUA e foi apagada dos mapas oficiais. No entanto, sua história estava longe de terminar.

Nas décadas seguintes, comunidades locais começaram a perceber o valor histórico e cultural do antigo trajeto. Surgiram então associações dedicadas à preservação da rota, que foram autorizadas a classificar diversos trechos do percurso como Historic Route 66.

Já nos anos 2000, apesar de não contar mais com uma linha contínua e acumular diversos trechos substituídos por vias expressas, a Rota 66 voltou a figurar como um dos roteiros de férias mais famosos dos EUA, atraindo viajantes do mundo inteiro interessados em reviver o espírito das grandes viagens rodoviárias americanas.

Motéis vintage, postos de gasolina restaurados, restaurantes clássicos e museus tornaram-se queridinhos novamente. Hoje, não faltam paradas interessantes no antigo trajeto entre Chicago a Santa Monica, quer você tenha tempo e paciência de sobra para manter-se nele sempre que possível, quer opte por rodar pelas grandes rodovias na maior parte do tempo promovendo pequenos desvios para conhecer os pontos turísticos mais icônicos da estrada.

Principais trechos turísticos da Rota 66 

Ao longo da Rota 66, diversas atrações preservadas podem ser observadas nos oito estados que compõem o caminho. Muitas delas são vistas como kitsch (cafonas) ou, para os mais bondosos, vintage. Mas é exatamente o conjunto da obra que torna o trajeto mais divertido. Seja de carro, seja de moto ou motorhome, confira o que não pode ficar de fora do roteiro:

Illinois: onde a Rota 66 começa

A viagem clássica pela Rota 66 começa em Chicago, no estado de Illinois. O ponto simbólico inicial da estrada fica na East Adams Street, próximo à Michigan Avenue, onde está a placa com os dizeres “Historic Route 66 Begin Sign” (Início da Rota 66 Histórica).

Praticamente em frente ao Arts Institute of Chicago, principal museu da cidade, o sinal desponta a poucos quarteirões do Lago Michigan e costuma ser a primeira parada de quem decide cruzar a Mother Road. Lá perto, outra instituição ligada à rota é o Lou Mitchell’s Restaurant, tradicional diner inaugurado em 1923 e um dos cafés da manhã mais clássicos do trajeto.

Ao sair de Chicago, a rota segue em direção ao sudoeste passando por cidades históricas como Joliet, onde fica o Route 66 Welcome Center, instalado em um antigo teatro da década de 1920. Mais adiante, em Wilmington, um dos pontos mais fotografados é o Gemini Giant, estátua gigante inspirada na corrida espacial e que se tornou um dos símbolos kitsch da rodovia.

Em Pontiac, cerca de 160 km ao sul de Chicago, encontra-se o Route 66 Hall of Fame and Museum, museu dedicado à história da estrada. Uma vez na região, não deixe de avistar os murais gigantes espalhados pelo centro, que celebram personagens e histórias da Mother Road.

Já em Springfield, capital de Illinois, é hora de matar a fome no Cozy Dog Drive In, famoso por reivindicar a invenção do corn dog (salsicha no palito envolvida por uma massa frita de farinha de milho), um clássico da culinária americana. Mas guarde um espacinho no estômago, pois pouco mais ao sul, em Litchfield, está o Ariston Cafe, tido como o restaurante mais antigo em funcionamento contínuo na Rota 66. A casa foi inaugurada em 1924, antes mesmo de a estrada passar por lá.

Missouri: pontes históricas às margens do Mississippi

Ao deixar Illinois, a Rota 66 cruza o rio Mississippi e adentra o estado do Missouri, onde fica St. Louis, conhecida como Gateway to the West (Portal para o Oeste).

O principal cartão-postal da cidade é o Gateway Arch, arco com 192 metros de altura que simboliza a expansão americana rumo ao oeste. Embora tenha sido construído décadas depois da criação da rodovia, tornou-se um ponto turístico clássico para quem a percorre.

Outro marco histórico é a Chain of Rocks Bridge, ponte construída em 1929 que atravessa o rio Mississippi com uma curva peculiar de 22 graus no meio da estrutura. Hoje, ela funciona como passarela para pedestres e ciclistas e preserva a memória da antiga estrada, rendendo belas fotos.

Já no interior do Missouri, pequenas cidades preservam o espírito da viagem clássica. Um bom exemplo é Cuba, que ostenta murais históricos da Rota 66. Outro é Lebanon, onde fica o Munger Moss Motel, um dos motéis vintage mais famosos da estrada.

O caminho então leva a Springfield, palco do Route 66 Car Museum, repleto de carros antigos. Daí para frente, vale a pena parar em postos de gasolina históricos, como o Gary’s Gay Parita, em frente do qual há um grande símbolo da Rota 66 pintado no asfalto, e em Carthage, cujos destaques são o Boots Court Motel e o 66 Drive-In Theatre, clássico cinema ao ar livre americano que está na ativa até hoje.

Entre um pitstop e outro, é possível que você encontre forasteiros percorrendo a rota ou mesmo nativos dispostos a contar histórias locais. Em Carterville, por exemplo, o simpático Sr. Mickey Bulger faz questão de receber todos os viajantes na Bulger’s Used Car Lot, revendedora de carros usados que mantém um antigo escritório na cidade.

É uma delícia bater papo com ele, descobrir como o negócio da família prosperou por conta da estrada e assinar o livro de mapas na página que retrata o Brasil.

Antes de deixar o estado, não deixe de passar por Joplin. Ali, há murais históricos em um local colorido chamado Route 66 Mural Park. Um deles retrata o mapa completo da Mother Road.

E é por essas e outras boas surpresas que muita gente considera o Missouri, com razão, um dos trechos mais divertidos da Rota 66.

Kansas: a terra de Tow Mater

O estado do Kansas abriga apenas 21 km da Rota 66, o que faz dele o trecho mais curto do trajeto. Mesmo assim, ali estão algumas das paradas mais curiosas e autênticas da viagem.

Um bom exemplo é a cidade de Galena, praticamente na divisa com o Missouri. Antigo centro de mineração de chumbo e zinco no início do século 20, o município acabou entrando na rota dos viajantes por conta do Cars on the Route, antigo posto de gasolina transformado em loja e centro de visitantes.

Tudo isso porque ali está estacionado o guincho enferrujado que inspirou a criação do personagem Tow Mater (Mate), da animação “Carros”. Uma placa instalada no local explica a ligação do veículo com a observação dos roteiristas da Disney-Pixar.

De volta à estrada, rapidamente chega-se a Riverton, vilarejo onde fica a Rainbow Bridge. Com cerca de 30 metros de extensão, a ponte construída em 1923, antes mesmo da criação oficial da rodovia, é a última estrutura de concreto em arco da Rota 66 ainda em funcionamento em seu traçado original.

Outro ponto curioso próximo dali é o Old Riverton Store, pequeno mercado fundado em 1925 e que continua com as portas abertas. O lugar preserva o estilo das antigas mercearias que atendiam viajantes da estrada e vende desde lembranças da Rota 66 até sanduíches tradicionais da região.

Oklahoma: o coração da Rota 66

Com cerca de 640 quilômetros da rota originalOklahoma abriga o maior trecho contínuo da Mother Road e, frequentemente, é chamado de coração histórico da estrada. Isso se deve tanto à extensão preservada da rodovia quanto ao grande número de atrações que ajudam a contar a história da Rota 66.

Uma das cidades mais importantes no trajeto é Tulsa, no nordeste do estado. Durante as décadas de 1920 e 1930, a região se tornou um importante centro da indústria petrolífera americana, o que ajudou a impulsionar o desenvolvimento local.

Entre os marcos do pedaço está a Golden Driller, estátua com quase 23 metros de altura dedicada aos trabalhadores da indústria do petróleo, e o Route 66 Historical Village, complexo que reúne um antigo trem, vagões ferroviários, uma torre de perfuração de petróleo e exposições a respeito do papel da estrada no desenvolvimento econômico da região.

Seguindo viagem, um dos pontos mais curiosos da rota aparece na cidade de Catoosa, cerca de 30 km a leste de Tulsa. Ali está a famosa Blue Whale of Catoosa, uma gigantesca baleia azul construída em 1972 às margens de um lago. Originalmente criada como presente de aniversário por um morador local para sua esposa, a escultura acabou se tornando uma das atrações mais excêntricas e fotografadas da Rota 66. De tão feia, chega a ser bonita.

Mais adiante está Arcadia, onde fica um dos edifícios mais peculiares do caminho: o Arcadia Round Barn. Construído em 1898 inteiramente em madeira, o celeiro circular resistiu a décadas de abandono até ser restaurado nos anos 1990. Hoje, funciona como museu e centro de visitantes da Mother Road, além de abrigar uma pequena loja de suvenires.

Ainda em Arcadia, outro ponto popular é o Pops 66 Soda Ranch. Moderno, o local ganhou fama por reunir uma coleção com mais de 700 tipos diferentes de refrigerantes. Na fachada, uma enorme garrafa iluminada de 20 metros não deixa ninguém passar despercebido.

Rumo a oeste, Clinton abriga o Oklahoma Route 66 Museum, um dos museus mais completos dedicados à história da estrada. As exposições percorrem diferentes décadas da Rota 66, mostrando desde os anos da Grande Depressão até o auge das viagens rodoviárias após a Segunda Guerra Mundial.

Texas: o Rancho dos Cadillacs

Rota 66 atravessa cerca de 280 quilômetros do Texas, passando pela região conhecida como Panhandle, uma vasta área de planícies abertas no norte do estado. Esse trecho é marcado por paisagens típicas do interior americano e por algumas das atrações mais icônicas da estrada.

A principal cidade pelo caminho é Amarillo, ponto de parada clássico desde a década de 1940.

Afinal, é lá que fica uma das atrações mais famosas do trajeto: o Cadillac Ranch. Criada em 1974 pelo coletivo artístico Ant Farm, a instalação consiste em dez carros Cadillac parcialmente enterrados no solo, todos eles inclinados com a frente voltada para o chão.

A obra foi financiada por um excêntrico milionário local e rapidamente se tornou um símbolo da cultura pop americana. Uma curiosidade é que os visitantes podem grafitar os carros, o que faz com que a aparência do local mude constantemente.

Outra atração em Amarillo é o Big Texan Steak Ranch, restaurante inaugurado em 1960 e famoso por um desafio gastronômico no qual os clientes tentam comer um enorme bife de dois quilos em menos de uma hora. Se não estiver faminto, nem passe por lá.

Ainda no Texas, vale a pena visitar a cidade de Shamrock, onde fica o icônico U-Drop Inn. Construído em 1936 em estilo art déco, o edifício funcionava originalmente como posto de gasolina e café. Depois de passar por restauração, passou a abrigar o centro de visitantes da cidade e um pequeno museu da estrada, além de ser frequentemente apontado como um dos prédios mais bonitos e fotografados da Mother Road.

Dali, é fácil alcançar Adrian, cidade que abriga o MidPoint Cafe, famoso por marcar o ponto exato entre Chicago e Santa Monica. Muitos viajantes param no local para tirar fotos com a placa que indica o meio da estrada.

Novo México: portas abertas para o Velho Oeste

Ao entrar no Novo México, a Rota 66 ganha uma nova atmosfera marcada pela cultura do sudoeste americano, com influências indígenas, hispânicas e da antiga fronteira do Velho Oeste.

Esse trecho da estrada também revela paisagens amplas, cidades históricas como Tucumcari e um patrimônio arquitetônico que mistura motéis vintage, letreiros de neon e restaurantes clássicos da época de ouro das viagens rodoviárias.

Albuquerque, maior metrópole do estado e cenário da série “Breaking Bad”, é uma das paradas mais importantes. O trecho da estrada que a atravessa corresponde hoje à Central Avenue, um dos segmentos urbanos mais longos da antiga rodovia. Ao longo dessa avenida ainda sobrevivem diversos estabelecimentos das décadas de 1940 e 1950, muitos deles restaurados para preservar a atmosfera histórica da Mother Road.

É o caso do 66 Diner, restaurante temático inaugurado nos anos 1980 que recria o ambiente clássico das lanchonetes da Rota 66. O local é decorado com carros antigos, jukeboxes e objetos ligados à cultura automobilística americana. No cardápio, há desde hambúrgueres até filés de frango frito com ovos.

Nas proximidades de Albuquerque, já perto de Tijeras, está a “a estrada que canta”, um dos trechos mais curiosos do caminho, conhecido como musical road (estrada musical).

Isso porque, nesse ponto, pequenas ranhuras foram esculpidas no asfalto de modo que, quando os carros passam por elas a uma velocidade específica, geralmente em torno de 70 km/h, os pneus produzem uma sequência de notas que reproduz a melodia de “America the Beautiful”, uma das canções patrióticas mais conhecidas dos EUA.

Nos arredores, outro destino histórico ligado à rota é Santa Fé, capital do Novo México. Embora a cidade esteja hoje fora do traçado principal da estrada, ela fez parte do trajeto original da Mother Road entre 1926 e 1937, antes de o caminho ser realinhado para um percurso mais direto.

Ainda assim, a região costuma ser uma parada popular entre viajantes interessados na história e na cultura do sudoeste americano graças à arquitetura em estilo adobe de algumas edificações. O local também conta com galerias de arte e alta influência indígena e espanhola.

Arizona: paisagens clássicas da Rota 66

Ao entrar no Arizona vindo do Novo México, a Rota 66 começa a revelar alguns dos trechos mais preservados e emblemáticos do trajeto. Longas retas cortam paisagens áridas e pequenas cidades históricas que ajudam a criar o cenário apontado por muitos estradeiros como o retrato mais autêntico da Mother Road.

A primeira parada indicada por lá é Williams, localizada cerca de 100 km ao sul do Grand Canyon. Na cidade, é possível pegar o Grand Canyon Railway, trem turístico que leva visitantes diretamente ao South Rim, a borda sul de um dos cenários naturais mais impressionantes do planeta. Ou então seguir de carro até o parque nacional e, depois, rumar em direção ao oeste.

Alguns quilômetros adiante está Seligman, o berço do movimento de preservação da Rota 66. Foi ali que o barbeiro e empresário Angel Delgadillo iniciou, na década de 1980, uma campanha para salvar a memória da estrada depois que ela foi oficialmente retirada do sistema federal de rodovias. Graças a essa mobilização, diversos trechos históricos passaram a ser reconhecidos e sinalizados como Historic Route 66, o que ajudou a revitalizar o turismo ao longo do trajeto.

Ainda no Arizona, outra parada clássica é a Hackberry General Store, localizada no deserto entre Seligman e Kingman. O local começou como posto de gasolina e mercado na década de 1930 e, atualmente, funciona como uma espécie de museu informal da via mais icônica dos EUA.

O espaço reúne carros antigos, bombas de combustível históricas, placas vintage e diversos objetos ligados à era de ouro das viagens rodoviárias americanas.

Mais adiante, já em Kingman, é possível visitar o Arizona Route 66 Museum, instalado dentro do Powerhouse Visitor Center. O museu apresenta exposições detalhadas a respeito da história da estrada, da migração de famílias durante a Grande Depressão e da evolução das viagens de automóvel nos EUA.

Califórnia: o fim da jornada

Ao entrar na Califórnia, a Rota 66 atravessa o deserto de Mojave, uma das paisagens mais emblemáticas da viagem. Esse trecho da rodovia é marcado por longas retas cercadas por montanhas áridas, antigas cidades ferroviárias e postos de gasolina icônicos.

Uma vez em Amboy, vilarejo praticamente abandonado no meio do deserto, estacione em frente ao Roy’s Motel and Café. Inaugurado em 1938, o hotel à beira da estrada chama atenção pelo enorme letreiro de neon que se tornou um dos símbolos mais fotografados da Mother Road. Durante décadas, o local serviu como parada para viajantes que cruzavam o deserto rumo a Los Angeles.

De volta ao asfalto, é hora de esticar até Ludlow, outro lugar que preserva o clima das antigas cidades da rota. A partir daí, vale a pena parar em Barstow, onde fica o Route 66 Mother Road Museum, instalado em uma antiga estação ferroviária. O museu reúne carros clássicos, placas históricas, fotografias e exposições sobre o papel da estrada durante a Grande Depressão e o crescimento das viagens rodoviárias no século 20.

Mais adiante, o roteiro em direção ao oeste passa por cidades importantes do interior californiano, como Victorville e San Bernardino. Foi nesta última que surgiu o primeiro restaurante da rede McDonald’s, inaugurado em 1940 pelos irmãos Richard e Maurice McDonald.

Hoje, o endereço abriga o Original McDonald’s Site and Museum, dedicado à história da famosa rede de fast food. Detalhe: o endereço não é suplementado de forma oficial pela marca, mas conta com várias relíquias.

À medida que a estrada se aproxima da região metropolitana de Los Angeles, o cenário muda gradualmente: o deserto dá lugar a áreas urbanizadas, avenidas largas e bairros residenciais. A jornada termina oficialmente no Píer de Santa Monica, já no litoral da Califórnia.

Ali, uma placa próxima ao Oceano Pacífico marca o ponto simbólico do fim da Rota 66. O píer, inaugurado em 1909 com parque de diversões, restaurantes e uma vista clássica do pôr do sol sobre o mar, é um dos cartões-postais mais famosos da região.

Para muita gente, chegar a Santa Monica partindo de Chicago representa uma conquista histórica realizada após encarar um trajeto longo, cansativo e repleto de nuances, mas extremamente recompensador. Nada muito diferente da própria trajetória da Mother Road, que completa 100 anos com a certeza de estar mais viva do que nunca no imaginário de viajantes de todas as partes do mundo.

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Deu em Rota de Férias

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista