O governo federal usou a abertura da 31ª Agrishow, neste domingo (25), em Ribeirão Preto (SP), para anunciar R$ 10 bilhões em crédito destinado à compra de máquinas e implementos agrícolas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, comandaram o lançamento da nova fase do MOVE Brasil, batizada de Move Agricultura, e reforçaram compromissos com o seguro rural e a renegociação de dívidas do setor.
“O governo está liberando recursos para o setor de máquinas. Serão R$ 10 bilhões, com juros bem mais baixos, para financiar tratores, implementos e colheitadeiras, fortalecendo a modernização do campo”, afirmou Alckmin durante a cerimônia.
Como funciona o Move Agricultura
Os financiamentos contam com taxas de juros de um dígito e chegam ao produtor por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com participação do Banco do Brasil, cooperativas e instituições financeiras privadas.
A nova fase segue o modelo da primeira etapa do programa, voltada ao setor de caminhões, cujos recursos se esgotaram em cerca de 90 dias, evidenciando a alta demanda por crédito no segmento.
Alckmin também anunciou outras medidas de apoio à produção: R$ 15 bilhões pelo programa Brasil Soberano, direcionado a segmentos afetados no comércio exterior, e mais R$ 10 bilhões para financiamento de bens de capital.
Seguro rural e renegociação de dívidas na pauta
André de Paula destacou três prioridades do Ministério da Agricultura para os próximos meses: um novo recorde no Plano Safra com taxas compatíveis à realidade dos produtores, a aprovação do projeto de lei do seguro rural e uma nova proposta de renegociação de títulos rurais.

“Mais importante do que assegurar um valor expressivo de recursos é conseguir trabalhar com uma taxa compatível. E que viabilize o acesso dos nossos produtores”, disse o ministro.
Alckmin reforçou que a renegociação de dívidas vale tanto para produtores inadimplentes quanto para os adimplentes. Ele também citou as mudanças climáticas como fator que torna o seguro rural ainda mais urgente. “É evidente que as mudanças climáticas criam uma insegurança muito maior. Há necessidade de integração e apoio para melhorarmos o seguro rural”, afirmou.
O deputado federal Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), acompanhou os anúncios e cobrou avanço na renegociação. “Nós precisamos de um projeto de renegociação das dívidas para que o produtor possa retomar a sua produção e restabelecer a sua capacidade produtiva. Isso é indispensável”, disse.
Ribeirão Preto como símbolo do agro nacional
André de Paula aproveitou o palco da Agrishow para ressaltar o peso estratégico do agronegócio brasileiro, responsável por 25% do PIB e 49% da pauta de exportações. E destacar Ribeirão Preto como polo de referência nacional.
“A região reúne alta produtividade, inovação e integração entre produção e indústria. Simboliza o Brasil que produz energia limpa, alimento e desenvolvimento”, afirmou o ministro, lembrando que a área concentra uma das maiores produções mundiais de açúcar e etanol.
Agrishow 2026: confiança e tecnologia
Uma das maiores feiras de tecnologia agrícola do mundo, a Agrishow reúne anualmente produtores rurais, fabricantes de máquinas, startups e instituições do setor. Em 2025, o evento recebeu cerca de 197 mil visitantes e movimentou R$ 14,6 bilhões em negócios.

O presidente da feira, João Carlos Marchesan, colocou a edição de 2026 como um sinal de otimismo do setor. “O mundo espera que o Brasil aumente a oferta de alimentos em 40% até 2050. Isso não é apenas uma pressão, é uma oportunidade soberana”, afirmou.
A equipe do Agro em Campo estará presente na feira, com uma cobertura especial do evento.


