Saúde 11/04/2026 13:39
Uma em cada 10 pessoas pode ter resistência a remédios como o Ozempic, revela Oxford

Pesquisadores identificaram que variantes genéticas específicas, presentes em aproximadamente 10% da população, estão associadas a um fenômeno chamado “resistência ao GLP-1”.
Nesses casos, embora os níveis do hormônio sejam mais elevados, sua eficácia biológica é reduzida.
Ao longo de uma década, o estudo combinou experimentos em humanos e camundongos, além da análise de dados de ensaios clínicos com medicamentos para diabetes.
Os resultados mostraram que pacientes com essas variantes genéticas têm mais dificuldade em reduzir os níveis de glicose no sangue, mesmo após meses de tratamento.
“Em alguns ensaios clínicos, observamos que esses indivíduos não conseguiam diminuir a glicemia com a mesma eficácia após seis meses”, afirmou Anna Gloyn, da Universidade de Oxford (Inglaterra), em comunicado. Segundo ela, identificar previamente quem responderá melhor ao tratamento pode acelerar a escolha do fármaco a ser utilizado.
Os cientistas concentraram a investigação em variantes do gene responsável pela enzima peptidilglicina alfa-amidante monooxigenase (PAM), essencial para ativar diversos hormônios no organismo, incluindo o GLP-1. A expectativa inicial era que alterações nesse gene reduzissem os níveis do hormônio.
No entanto, o que os pesquisadores encontraram foi o oposto: pessoas com essas variantes apresentaram níveis mais altos de GLP-1 circulante. Ainda assim, esse aumento não se traduziu em maior controle glicêmico — indicando que o organismo exige mais hormônio para obter o mesmo efeito, o que caracteriza a resistência.
Os testes também mostraram que essa resistência não afeta outros medicamentos comuns para diabetes, como metformina ou sulfonilureias, sugerindo que o fenômeno é específico aos fármacos que atuam na via do GLP-1.
O mecanismo por trás da resistência ao GLP-1 ainda não foi completamente esclarecido. Experimentos com camundongos indicaram que o problema não está na ligação do hormônio ao seu receptor, mas possivelmente em etapas posteriores da sinalização celular.
Outra questão observada pela equipe de pesquisadores foi que, nos animais com a enzima PAM inativada, o esvaziamento gástrico ocorreu mais rápido, processo esse que normalmente é retardo pelo GLP-1. Mesmo com o uso de medicamentos que imitam o hormônio, esse efeito não foi restaurado.
A análise de dados clínicos com mais de mil participantes mostrou que pacientes com variantes genéticas tiveram menor sucesso na redução da HbA1c, considerado um indicador importante do controle glicêmico.
Após seis meses de tratamento, apenas cerca de 11,5% a 18,5% desses indivíduos atingiram as metas recomendadas, contra 25% dos pacientes sem variantes.
Os resultados também levantam a possibilidade de que versões de ação prolongada dos medicamentos possam contornar parcialmente essa resistência, embora mais estudos sejam necessários. De qualquer maneira, ainda não está claro se o mesmo fenômeno afeta a perda de peso associada a esses fármacos – como o Ozempic e o Wegovy –, cada vez mais utilizados no tratamento da obesidade.
Os pesquisadores destacam que compreender melhor a resistência ao GLP-1 pode abrir caminho para terapias mais personalizadas. Entre as possibilidades estão o desenvolvimento de medicamentos que aumentem a sensibilidade ao hormônio ou formulações mais eficazes para pacientes com predisposição genética.
“Talvez possamos criar tratamentos que ajudem o organismo a responder melhor ao GLP-1 ou adaptar os medicamentos existentes para superar essa resistência”, observou Gloyn.
Deu em Galileu

Descrição Jornalista
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