FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado
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Crédito 29/03/2026 10:41

Brasil tem aumento de 22,7 milhões no grupo dos inadimplentes

Brasil tem aumento de 22,7 milhões no grupo dos inadimplentes

O Brasil teve aumento de 22,7 milhões de inadimplentes nos últimos dez anos, conforme dados da Serasa divulgados na semana passada.

quantidade de pessoas endividadas e inadimplentes tem crescido no país nos últimos anos e alcançou preocupação até do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que colocou o assunto como uma pauta frequente nas últimas falas.

A Serasa apresentou na semana passada um relatório chamado Mapa da Inadimplência do Brasil: 10 anos. O documento apresenta números de 2016 a 2026.

No período, a população endividada passou de 59 milhões para 81,7 milhões (+38,47%), crescimento bem maior do que o da população geral, que passou de 206 milhões para 213,4 milhões no período (+3,7%).

Onde está a dívida da inadimplência

  • Bancos e financeiras: 47,1%.
  • Contas básicas: 21,4%.
  • Serviços: 11,6%.
  • Varejo: 8,2%.
  • Outros: 6,8%.
  • Telefonia: 4,9%

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Ouro destaque do Mapa é que 42% dos brasileiros inadimplentes agora já enfrentaram restrições há 10 anos, ou seja, estavam com nome negativado.

No período analisado (2016-2026), outra questão interessante é a mudança na localização da dívida que dá origem à inadimplência. Os bancos e financeiras concentravam 32,7% da origem das dívidas e agora passaram para 47,1%. As contas básicas também assumiram protagonismo.

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No início do levantamento respondiam por 13,9% das dívidas fonte da inadimplência, mas passaram para 21,4% em 2026.

Banco Central

O Banco Central (BC) também acompanha o endividamento e a inadimplência. Levantamento divulgado no fim de fevereiro deste ano revelou que o endividamento das famílias atingiu 49,7% ao final de 2025, um aumento de 1,3 ponto percentual em 12 meses. O comprometimento de renda avançou e alcançou 29,2% em 2025.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na última sexta-feira (26/3) que os cartões de crédito são um ponto de atenção para a inadimplência.

“A maior parte da inadimplência está relacionada com o cartão de crédito e com o rotativo”, disse ele.

Os cartões de crédito cobram juros no rotativo que variam de 45,5% a até 1.216,55% ao ano. Ainda conforme Galípolo, cerca de 100 milhões de brasileiros estão sujeitos aos juros abusivos, aplicados em caso de inadimplência.

Lula entra na pauta

Na última terça-feira (24/3), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manifestou preocupação com o endividamento das famílias brasileiras. O presidente ressaltou que o país apresenta o menor desemprego da história e experimenta aumento da massa salarial. Lula levantou dúvidas sobre como isso combina com o aumento na inadimplência.

“Há uma contradição na economia que é o seguinte: o desemprego é o menor da história, o crescimento da massa salarial é o maior da história, o desemprego é o menor da história, mas há uma percepção na sociedade de que as coisas não estão bem, de que a sociedade está endividada. E eu tô querendo descobrir essas dívidas das pessoas”, disse o presidente.

No dia seguinte, em Anápolis, ao acompanhar reinauguração de uma linha de produção de uma montadora, Lula voltou ao tema e disse que o governo trabalha em uma “saída” para o problema.

“Nós estamos tentando encontrar uma saída para ver se a gente diminui, sabe, a angústia da sociedade. Para ver se a gente consegue melhorar essencialmente. Para ver se a gente consegue fazer com que as pessoas se sintam aliviadas. Não é uma tarefa fácil, completou o presidente.

Ainda na sexta, Galípolo negou que o BC tivesse a intenção de realizar uma possível intervenção nos juros praticados pelas instituições financeiras, mas revelou preocupação com o tema. Galípolo explicou ainda que o governo poderia atuar de outras maneiras, mas que isso não caberia à autoridade monetária presidida por ele.

“A dimensão que o BC está analisando, é uma discussão estrutural sobre como que você está o tempo todo produzindo normas e arranjos que são mais saudáveis do ponto de vista do consumo de crédito”, explicou.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


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