Com novas usinas em operação, o Rio Grande do Norte lidera expansão energética nacional no 1º bimestre e reforça protagonismo do estado na transição para fontes renováveis
O Rio Grande do Norte consolidou sua posição como protagonista do setor elétrico brasileiro ao liderar a expansão energética nacional no início de 2026.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que o estado adicionou 640 megawatts (MW) de capacidade de geração ao sistema elétrico brasileiro apenas no primeiro bimestre do ano.
O volume representa uma das maiores ampliações registradas no período e coloca o RN no centro das discussões sobre o futuro da matriz energética do país.
Segundo matéria publicada pelo site Tribuna do Norte no dia 9 de março, o crescimento ocorreu principalmente com a entrada em operação de novas usinas, sobretudo projetos solares fotovoltaicos.
Em fevereiro, o Brasil registrou a inauguração de 16 empreendimentos de geração elétrica, sendo 14 solares, uma usina eólica e uma pequena central hidrelétrica.
Desse total, 13 começaram a operar no território do Rio Grande do Norte, consolidando o estado como o principal polo de expansão da geração de energia no país naquele momento.
Esse avanço reforça o papel estratégico do RN no fortalecimento das fontes renováveis no Brasil. A expansão da capacidade instalada não apenas amplia a oferta de eletricidade, como também contribui para a redução das emissões de carbono e para o desenvolvimento econômico regional.
Novas usinas solares impulsionam crescimento energético no Rio Grande do Norte
Grande parte da recente expansão energética no Rio Grande do Norte está diretamente ligada ao crescimento da geração solar fotovoltaica. A combinação entre alta incidência solar, disponibilidade territorial e políticas de incentivo tem atraído investimentos relevantes para o setor.
Um dos projetos mais importantes nesse contexto é o Complexo Fotovoltaico Assú Sol, empreendimento da empresa Engie instalado no município de Assú, no interior do RN. O projeto recebeu cerca de R$ 3,3 bilhões em investimentos e possui 895 megawatts-pico (MWp) de capacidade instalada, sendo considerado o maior complexo solar da companhia em operação no mundo.
O complexo é formado por 16 novas usinas solares, das quais 12 já estão em operação comercial. As demais unidades devem entrar em funcionamento até junho de 2026, ampliando ainda mais a produção de energia baseada em fontes renováveis no estado.
Além de contribuir para a expansão energética, o empreendimento fortalece a economia regional. Grandes projetos desse tipo movimentam cadeias produtivas locais, criam empregos durante a construção e ampliam a arrecadação de municípios onde são instalados.
Crescimento da matriz elétrica brasileira reforça protagonismo das fontes renováveis
O avanço observado no Rio Grande do Norte ocorre em um cenário nacional marcado pelo crescimento da geração elétrica sustentável. Segundo dados da ANEEL, a matriz de geração do Brasil aumentou 1.286 MW entre janeiro e fevereiro de 2026, impulsionada principalmente pela entrada em operação de novas usinas solares.
Atualmente, o país possui aproximadamente 217,9 gigawatts (GW) de potência fiscalizada instalada no sistema elétrico. Desse total, cerca de 84,7% da matriz elétrica brasileira é baseada em fontes renováveis, incluindo hidrelétricas, energia eólica, solar e biomassa.
Esse percentual coloca o Brasil entre os países com maior participação de geração limpa no mundo. Nesse cenário, o Rio Grande do Norte se destaca como um dos principais motores da expansão energética, especialmente pela rápida instalação de projetos solares e eólicos.
Economia
O desempenho do RN demonstra como o potencial natural do Nordeste tem sido fundamental para a diversificação da matriz energética nacional e para a consolidação das fontes renováveis como base da geração elétrica brasileira.
Nordeste concentra investimentos e amplia liderança na geração de energia limpa
O avanço do Rio Grande do Norte também está inserido em um contexto regional mais amplo. O Nordeste se consolidou nos últimos anos como o principal polo brasileiro de produção de energia proveniente de fontes renováveis, principalmente solar e eólica.
Segundo dados da ANEEL, a Bahia lidera o ranking nacional de capacidade instalada, com cerca de 46,4 gigawatts (GW) distribuídos em 1.176 empreendimentos de geração elétrica. O Rio Grande do Norte aparece logo em seguida entre os estados com maior destaque no setor, ocupando a terceira posição nacional, com aproximadamente 22,1 GW de capacidade instalada distribuídos em 652 projetos de geração.
Esse volume expressivo de empreendimentos reforça o papel do RN na expansão energética brasileira. A presença crescente de novas usinas na região demonstra como o Nordeste tem se tornado um território estratégico para investimentos no setor elétrico.
Além das condições climáticas favoráveis, fatores como disponibilidade de áreas para instalação de parques e políticas de incentivo também contribuem para atrair empresas interessadas em investir em fontes renováveis.
Infraestrutura de transmissão surge como principal desafio para novos projetos
Apesar do forte crescimento da geração elétrica no Rio Grande do Norte, especialistas apontam que o estado enfrenta desafios importantes para manter o ritmo de expansão nos próximos anos.
Um dos principais entraves está relacionado à infraestrutura de transmissão de energia. A limitação na capacidade das linhas de transmissão dificulta o escoamento da eletricidade produzida pelas novas usinas, o que pode reduzir a atratividade de novos projetos no RN.
Segundo Darlan Santos, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), essa limitação já começa a impactar o setor. De acordo com ele, alguns investimentos planejados para o Rio Grande do Norte têm sido direcionados para outros estados que possuem maior disponibilidade de rede elétrica.
“O Rio Grande do Norte vive um momento de diminuição de investimentos devido às restrições para escoamento da energia, o que tem aberto espaço para a transferência de projetos para outros estados, como a Bahia”, afirmou o especialista.
Para especialistas do setor, a ampliação das linhas de transmissão é fundamental para garantir a continuidade da expansão energética e evitar que novos empreendimentos de fontes renováveis deixem de ser instalados no estad
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Hilton Libório
Energia renovável pode atrair indústrias e transformar a economia do RN
Além da geração elétrica, especialistas defendem que o Rio Grande do Norte pode utilizar seu potencial energético como ferramenta de desenvolvimento econômico. Atualmente, grande parte da energia produzida pelas novas usinas instaladas no estado é exportada para outras regiões do país.
Para o Cerne, uma estratégia importante seria ampliar o uso local dessa eletricidade. O objetivo seria atrair setores industriais que dependem de grande consumo energético e que poderiam se beneficiar da disponibilidade de fontes renováveis no RN.
Entre os segmentos considerados promissores estão a mineração, a produção de fertilizantes, o hidrogênio verde e os centros de dados, conhecidos como data centers. Esses setores possuem alto consumo de eletricidade e podem encontrar no Rio Grande do Norte condições competitivas para instalação de novos empreendimentos.
A atração dessas indústrias pode gerar empregos qualificados, aumentar a arrecadação e diversificar a economia estadual. Nesse cenário, a expansão energética baseada em fontes renováveis deixaria de ser apenas um setor exportador de eletricidade para se tornar também um motor de desenvolvimento industrial.
Projeções indicam novas usinas e continuidade da expansão energética no Rio Grande do Norte
As projeções para os próximos anos indicam que o Rio Grande do Norte continuará ampliando sua participação na geração elétrica brasileira. Dados do painel de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração (RALIE), da ANEEL, mostram que diversos projetos já possuem previsão de entrada em operação.
Entre os empreendimentos planejados estão 17 novas usinas eólicas, com aproximadamente 507 MW de capacidade, previstas para iniciar operação ainda em 2026. Para 2027, estão previstos 14 projetos solares, somando cerca de 613 MW, além de uma usina eólica com 27 MW.
O planejamento também inclui dois projetos solares que somam 98 MW entre 2028 e 2029. Já para 2030, estão previstos 16 empreendimentos eólicos com cerca de 704 MW, além de três usinas solares que devem adicionar aproximadamente 144 MW.
Os números se tornam ainda mais expressivos nas projeções para 2031, quando estão previstos 16 parques eólicos com 514 MW, além de 145 projetos solares, que juntos devem acrescentar aproximadamente 6.136 MW ao sistema elétrico.
Se esses projetos forem confirmados, o Rio Grande do Norte poderá ampliar significativamente sua participação na expansão energética nacional e consolidar ainda mais sua posição como referência brasileira em fontes renováveis.
O protagonismo do Rio Grande do Norte na transição energética brasileira
O desempenho recente do Rio Grande do Norte demonstra como o estado se tornou um dos pilares da transformação da matriz energética brasileira. A rápida entrada em operação de novas usinas, principalmente solares e eólicas, colocou o RN no centro da expansão energética nacional.
Os 640 MW adicionados ao sistema elétrico brasileiro no primeiro bimestre de 2026 representam um avanço significativo e mostram a capacidade do estado de atrair investimentos em fontes renováveis.
Ao mesmo tempo, o potencial de crescimento permanece elevado. O grande volume de projetos planejados para os próximos anos indica que o Rio Grande do Norte deve continuar desempenhando um papel estratégico na produção de energia limpa no país.
Se conseguir superar desafios estruturais, especialmente na infraestrutura de transmissão, o RN poderá transformar sua liderança na expansão energética em um motor de desenvolvimento econômico regional, consolidando-se como um dos principais centros brasileiros de geração baseada em fontes renováveis.