Terra 12/03/2026 13:24
A África está se dividindo em duas bem diante dos nossos olhos: uma rachadura de mais de 6 mil km já rasga o leste do continente em dois, desloca países alguns centímetros por ano e pode abrir caminho para um gigantesco novo oceano
A ideia de que a África está se partindo em duas costuma aparecer em reportagens e publicações sobre o leste do continente.
Segundo especialistas, o que a geologia descreve é um processo lento e contínuo, já identificado há milhões de anos na região do Sistema de Rift da África Oriental.
Nesse trecho, a crosta terrestre passa por distensão e fraturamento, em um movimento que separa gradualmente a placa Nubiana, associada à maior parte do continente, da placa Somali, ligada ao leste africano e ao Chifre da África.
O tema voltou a circular com força em reportagens internacionais porque a região é considerada por pesquisadores uma das áreas mais importantes para o estudo da dinâmica tectônica.
A National Geographic já abordou o Rift da África Oriental como uma zona em que o continente está se abrindo.
Ainda assim, o processo não é interpretado pela comunidade científica como uma ruptura súbita ou visível no curto prazo.
As medições indicam um afastamento de poucos centímetros por ano, com efeitos geológicos acumulados ao longo de milhões de anos.
Na prática, esse movimento produz sinais típicos de rifteamento.
A crosta se alonga, perde espessura em alguns setores e passa a concentrar falhas, terremotos, vulcões, depressões alongadas e grandes lagos.
Em diferentes trechos do leste africano, a paisagem já reflete essa dinâmica.
Vales profundos, escarpas acentuadas, áreas vulcânicas e bacias ocupadas por água ajudam a caracterizar uma das estruturas tectônicas mais estudadas do planeta.

Essa faixa se estende da região de Afar, no nordeste da Etiópia, em direção ao sul, alcançando ou influenciando áreas de países como Quênia, Tanzânia, Uganda, Ruanda, Burundi, República Democrática do Congo, Zâmbia, Maláui e Moçambique.
Do ponto de vista geológico, não se trata de uma única fenda contínua, mas de um sistema amplo, com setores mais ativos e outros menos evidentes na superfície.
Mesmo com essas diferenças, o padrão geral observado pelos cientistas é o de abertura progressiva de uma zona de ruptura continental.
Afar recebe atenção especial em estudos geológicos porque reúne o encontro de três frentes tectônicas: o Rift da África Oriental, o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
De acordo com pesquisadores, essa configuração ajuda a explicar por que a área é usada como referência em estudos sobre separação continental.
A atividade vulcânica, a ocorrência de sismos e o afinamento da crosta tornam a região uma das mais ativas desse sistema.
O mecanismo associado a essa transformação está abaixo da superfície.
O interior da Terra transfere calor e movimento para a litosfera, camada rígida formada pela crosta e pela parte superior do manto.
No leste africano, forças tectônicas distendem essa estrutura, abrindo falhas e enfraquecendo o terreno.
Além disso, estudos científicos indicam que a ascensão de material quente do manto na região de Afar pode contribuir para esse enfraquecimento, estimulando o vulcanismo e alterando a crosta ao longo do tempo.
Esse contexto ajuda a explicar por que fissuras e abatimentos localizados às vezes ganham destaque.
Quando uma rachadura surge perto de estradas ou áreas habitadas, a imagem costuma ser associada à ideia de que o continente está se rompendo rapidamente.
Segundo especialistas, esses episódios representam manifestações superficiais de um sistema tectônico ativo e, em alguns casos, podem ser agravados por chuvas intensas, erosão e instabilidade do solo.
Por isso, as ocorrências são tratadas como sinais localizados de um processo geológico muito mais amplo.
Há registros, por exemplo, de fissuras e deformações do terreno no Quênia e na Etiópia que afetaram vias e construções.
Esses episódios não são apresentados por pesquisadores como indício de formação imediata de um oceano, mas como evidências de que o rifteamento produz impactos concretos no presente.
Em áreas urbanas e rurais próximas a falhas ativas, o monitoramento geológico é apontado como relevante para obras, transporte, planejamento territorial e redução de danos.
Além dos efeitos sobre o solo, o Rift também está associado a atividades econômicas e ambientais.
A energia geotérmica é um dos exemplos mais citados.
Países como Quênia e Etiópia já utilizam o calor do subsolo para geração de eletricidade, justamente em função das características tectônicas da região.
Ao mesmo tempo, grandes lagos ligados ao sistema, como Tanganica e Maláui, têm papel importante no abastecimento, na pesca, no turismo e na manutenção da biodiversidade.
A possibilidade de surgir um novo oceano está relacionada ao estágio mais avançado desse processo.
Segundo a explicação geológica mais aceita, um continente submetido à distensão prolongada pode ter a crosta afinada, fraturada e rebaixada em alguns setores.
Se a abertura continuar por tempo suficiente, essa separação pode evoluir até a formação de crosta oceânica, com entrada de água marinha e desenvolvimento de uma nova bacia.
No caso africano, esse cenário é tratado por pesquisadores como uma possibilidade de longo prazo, em escala de milhões de anos.

É nesse ponto que especialistas costumam fazer uma ressalva sobre a forma como o tema aparece no noticiário e nas redes.
A afirmação de que a África “vai se dividir” pode sugerir um evento próximo, quando o dado central é outro: o processo tectônico já está em curso, mas em ritmo extremamente lento.
Em termos científicos, o Rift da África Oriental é descrito como uma longa reorganização da crosta, acompanhada por terremotos, vulcões, subsidência e afastamento gradual entre placas tectônicas.
Também não há, do ponto de vista científico, uma “confirmação” no sentido de um anúncio isolado feito por uma revista.
O que existe, segundo instituições geológicas e estudos acadêmicos, é um conjunto amplo de evidências obtidas por satélites, medições por GPS, registros sísmicos e análises de campo.
Reportagens da National Geographic e de outros veículos ajudaram a popularizar o assunto, mas a base dessas informações está na literatura científica e no monitoramento realizado por pesquisadores e órgãos especializados.
Assim, a formulação mais precisa é a de que o leste da África passa por um processo real de separação tectônica, já perceptível em diferentes graus ao longo do Rift.
As marcas desse movimento aparecem na topografia, na atividade vulcânica, nos tremores e nas deformações do solo observadas em vários pontos da região.
Em horizonte geológico, se a abertura continuar, parte dessa faixa poderá ser ocupada por um novo oceano.
Até lá, o fenômeno segue sendo acompanhado como uma transformação lenta da superfície terrestre, registrada por estudos científicos e observações feitas ao longo de décadas.

Descrição Jornalista
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