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Arqueologia 12/03/2026 12:10

Essas estruturas subaquáticas no Japão não têm sinais de terem sido feitas por humanos

Essas estruturas subaquáticas no Japão não têm sinais de terem sido feitas por humanos

Um conjunto de formações rochosas submersas localizado em Yonaguni, ilha do arquipélago de Ryukyus, no Japão, voltou a intrigar cientistas e mergulhadores após novas análises indicarem que essas estruturas provavelmente não foram construídas por humanos.

(Mas, calma: se você está achando que foram feitas por seres extraterrestres, também não é isso).

O Monumento Yonaguni, como a estrutura é conhecida, apresenta grandes degraus e plataformas que lembram pirâmides e templos antigos.

Desde sua descoberta há quatro décadas, o local gera um grande debate: seria essa uma construção de uma civilização desconhecida ou apenas uma formação natural incomum?

A estrutura de Yonaguni foi descoberta em 1986 por Kihachiro Aratake, mergulhador e diretor da Associação de Turismo Yonaguni-Cho, que explorava a região em busca de pontos de mergulho para levar turistas.

Aratake descobriu a enorme formação rochosa a cerca de 25 metros de profundidade ao se deparar com uma série de degraus de aparência surpreendentemente geométrica.

Para Aratake, a descoberta foi extremamente importante. “Fiquei muito emocionado quando a encontrei. Ao descobri-la, percebi que aquilo se tornaria um tesouro da ilha de Yonaguni”, disse o mergulhador à rede britânica BBC em 2022.

O monumento parece formar grandes terraços e escadarias, dando a impressão de que foram esculpidas de forma intencional. A descoberta rapidamente ganhou notoriedade e passou a ser conhecida como a “Atlântida japonesa” — referência à ilha fictícia mencionada nas obras de Platão.

Origem humana ou natural

Para alguns estudiosos, a formação poderia ser parte de uma antiga cidade submersa. As formas geométricas, os degraus gigantes e as superfícies lisas sugerem que a estrutura teria sido construída por uma civilização antiga.

Um dos principais defensores da hipótese de origem humana é Masaaki Kimura, geólogo marinho e professor emérito da Faculdade de Ciências da Universidade de Ryukyu. Em seu livro O Continente de Mu estava em Ryukyu, Kimura sugeriu que a área poderia estar relacionada ao suposto continente perdido de Mu.

Segundo a hipótese, Mu seria um nome alternativo para o hipotético continente de Lemúria, proposto em 1864 pelo zoólogo Philip Sclater para explicar a presença de fósseis de lêmures entre Madagascar e a Índia. A teoria, que se tornou obsoleta com a descoberta da tectônica de placas, sugeria que essas regiões teriam sido ligadas por um continente que ficou submerso no Oceano Índico há milhares de anos.

Kimura estimou que o local poderia ter cerca de 10 mil anos, mas, posteriormente reduziu sua estimativa para cerca de 2 mil a 3 mil anos. Ele afirmou ter identificado na região construções que pareciam pirâmides, castelos e até um estádio.

Apesar dessas interpretações, muitos cientistas consideram a hipótese de construção humana improvável. De acordo com o site IFL Science, o monumento poderia ter sido construído entre 10 mil e 14 mil anos atrás, sugerindo que ele já estaria no local antes mesmo de qualquer civilização ser capaz de criar esse tipo de estrutura.

Geólogos acreditam que a “cidade submersa” é uma formação natural — Foto: Melkov / Wikimedia Commons
Geólogos acreditam que a “cidade submersa” é uma formação natural — Foto: Melkov / Wikimedia Commons

Para Robert Schoch, geólogo e professor de ciência e matemática da Universidade de Boston, as formações seriam resultado de processos geológicos naturais, levando em conta que Yonaguni está localizada em uma região com forte atividade sísmica.

“Trata-se de geologia básica e estratigrafia clássica de arenito, que tende a se quebrar ao longo de planos e apresentar bordas muito retas, particularmente em uma área com muitas falhas e atividade tectônica”, explicou à National Geographic.

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista