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Uncategorized 08/03/2026 20:54

Dia das Mulheres: conheça 5 mulheres que foram ‘esquecidas’ pela história

Dia das Mulheres: conheça 5 mulheres que foram ‘esquecidas’ pela história

Neste domingo, 8 de março, o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, uma data que vai muito além de homenagens simbólicas.

Oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) na década de 1970, a ocasião remete a uma longa trajetória de mobilizações políticas e sociais protagonizadas por mulheres que, desde o início do século 20, reivindicam direitos básicos como igualdade perante a lei, melhores condições de trabalho, participação política e o combate à violência de gênero.

A origem da data está ligada a movimentos operários e manifestações que marcaram a história das lutas sociais, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Ao longo das décadas, o 8 de março se consolidou como um momento de reflexão sobre os avanços conquistados e os desafios que ainda persistem na busca por equidade entre homens e mulheres.

Nesse processo histórico, muitas mulheres desempenharam papéis decisivos em diferentes épocas e regiões do mundo — da Antiguidade às transformações políticas da América Latina no século 20.

No entanto, nem todas receberam o reconhecimento que mereciam. Tendo isso em mente, confira a seguir cinco mulheres importantes da história cujar trajetórias foram apagadas, minimizadas ou ofuscadas pelo tempo:

1. Hatshepsut

Inscrição de Hatshepsut diante de Amon e estátua a representando / Domínio Público / Licença Creative Commons

Hatshepsut foi uma das poucas mulheres a governar o Egito Antigo e protagonizou um dos reinados mais marcantes da XVIII Dinastia. Filha do faraó Tutmés I e da rainha Ahmose, ela se casou com seu meio-irmão Tutmés II, seguindo a tradição dinástica egípcia.

Após a morte do marido, em 1479 a.C., Hatshepsut assumiu inicialmente como regente do jovem Tutmés III, herdeiro ainda criança, mas posteriormente passou a exercer o poder como faraó do Alto e do Baixo Egito.

Para consolidar sua autoridade em uma posição tradicionalmente masculina, Hatshepsut adotou a iconografia típica dos faraós, sendo frequentemente representada com coroa, trajes reais e até a barba postiça associada ao poder divino. Apesar disso, nunca escondeu ser mulher. Seu governo foi marcado por prosperidade, grandes obras públicas e pela expansão das relações comerciais e diplomáticas do Egito.

Entre os episódios mais conhecidos de seu reinado está a expedição à misteriosa Terra de Punt, que retornou com produtos valiosos como mirra, marfim e ouro. Monumentos e templos erguidos durante seu governo também ajudaram a reforçar sua imagem de liderança.

Após sua morte, iniciou-se um processo de destruição de monumentos e apagamento de sua memória, o que fez com que sua história permanecesse obscurecida por séculos. Ainda assim, vestígios arqueológicos permitiram aos pesquisadores reconstruir o legado de uma das governantes mais influentes do Egito Antigo.


2. Júlia Lopes de Almeida

Fotografia de Júlia Lopes de Almeida e esboço a retratando / Crédito: Domínio Público

Júlia Lopes de Almeida foi uma escritora brasileira, abolicionista e uma das vozes literárias mais influentes do país no final do século 19 e início do 20.

Nascida no Rio de Janeiro em 24 de setembro de 1862, mudou-se ainda criança para Campinas e começou a escrever muito jovem: aos 19 anos já publicava textos no jornal ‘A Gazeta de Campinas’.

Criada em uma família liberal e culta, mudou-se para Lisboa em 1886, onde publicou contos infantis ao lado da irmã, Adelina Lopes Vieira. Pouco depois lançou sua primeira obra voltada ao público adulto, ‘Traços e iluminuras’.

De volta ao Brasil, a autora produziu romances, contos, crônicas, ensaios e peças teatrais, tornando-se uma das escritoras mais publicadas durante a Primeira República. Além da atividade literária, defendia causas consideradas avançadas para a época, como a abolição da escravidão, a proclamação da República e a emancipação feminina, tema sobre o qual também realizou diversas palestras.

Apesar de sua relevância intelectual, Júlia foi impedida de ocupar um lugar na recém-criada Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897, embora tenha participado de sua concepção. Como a instituição não aceitava mulheres, a cadeira que poderia ter sido sua acabou sendo ocupada por seu marido, o poeta Filinto de Almeida. Décadas depois, em 2017, a ABL reconheceu a injustiça e passou a considerá-la oficialmente como cofundadora da instituição.


3. Elizebeth Friedman

Fotografias de Elizebeth Friedman e dela ao lado do marido, William / Crédito: Domínio Público

Elizebeth S. Friedman é considerada a primeira criptoanalista dos Estados Unidos e desempenhou papel fundamental na decifração de mensagens secretas durante alguns dos períodos mais turbulentos do século 20, embora sua trajetória tenha permanecido por muito tempo fora dos registros históricos.

Especialista em reconhecer padrões em códigos complexos, ela ajudou a decodificar comunicações utilizadas por redes de espionagem e por potências do Eixo, incluindo mensagens criptografadas pelo sistema alemão Enigma durante a Segunda Guerra Mundial.

Nascida em uma fazenda em 26 de agosto de 1892, ela era interessada desde jovem por linguística e literatura, e formou-se em Literatura Inglesa e começou a trabalhar no Riverbank Laboratories, onde teve seu primeiro contato com a criptografia.

Ali também conheceu William Friedman, com quem se casou e passou a colaborar profissionalmente na área de decodificação de códigos. Durante a Primeira Guerra Mundial e nos anos seguintes, o casal liderou equipes de especialistas, treinou militares e desenvolveu métodos próprios de criptografia.

Na década de 1920, Elizebeth tornou-se a primeira mulher a dirigir uma unidade criptanalítica, atuando contra redes de contrabando e contribuindo para centenas de processos criminais.

Durante a Segunda Guerra, foi responsável por decifrar comunicações entre agentes nazistas e contatos na América do Sul, ajudando a desmantelar uma rede de espionagem alemã. Apesar de suas conquistas, seu trabalho foi por muito tempo ofuscado por autoridades como J. Edgar Hoover, e o reconhecimento de seu legado só começou a ganhar força décadas após sua morte, em 1980.


4. Emilie Schindler

Emilie e Oskar em Cracóvia, em 1942/ Crédito: Imagem cedida por Erika Rosenberg-Band

Emilie Schindler foi uma figura central — e por muito tempo pouco reconhecida — no resgate de judeus durante o Holocausto. Esposa do empresário alemão Oskar Schindler, ela desempenhou papel fundamental nas ações que salvaram mais de 1.200 pessoas da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Nascida em 22 de outubro de 1907 na aldeia de Alt Moletein, então parte do Império Austro-Húngaro, Emilie Pelzl teve uma infância ligada à natureza e à vida rural.

Em 1928, conheceu Oskar Schindler quando ele visitou sua cidade a negócios; após seis semanas de namoro, os dois se casaram. Com o início da guerra, o casal mudou-se para Cracóvia, na Polônia, onde Oskar assumiu uma fábrica de artigos esmaltados.

Inicialmente motivado por interesses econômicos, ele passou a empregar trabalhadores judeus — decisão que, ao lado de Emilie, evoluiu para um esforço ativo para protegê-los das políticas de extermínio nazistas.

Enquanto Oskar subornava guardas e incluía judeus em listas de operários essenciais, Emilie também atuava diretamente para salvá-los. Um episódio marcante ocorreu em janeiro de 1945, quando ela alimentou e cuidou de cerca de 120 prisioneiros judeus extremamente debilitados que estavam sendo transportados por soldados nazistas.

Após a guerra, o casal mudou-se para a Argentina, onde viveu como agricultores.

Anos depois, Oskar retornou à Alemanha e o casal nunca mais se reencontrou. Embora a história de Schindler tenha ganhado fama mundial com o filme de Steven Spielberg, o papel de Emilie permaneceu por muito tempo à margem. Apenas décadas depois sua trajetória começou a ser resgatada por pesquisadores e jornalistas, que passaram a destacar sua atuação como uma verdadeira “heroína autônoma” no salvamento de judeus durante o conflito.

Ela faleceu na noite de 5 de outubro, semanas antes de completar 94 anos, após um derrame.


5. Celia Sánchez

Celia Sánchez, Raúl Castro (irmão de Fidel) e Che Guevara / Crédito: Getty Images

Celia Sánchez foi uma das figuras centrais da Revolução Cubana e uma das principais organizadoras do movimento que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, ao lado de Fidel Castro e Che Guevara. Nascida em 9 de maio de 1920, na cidade de Media Luna, no leste de Cuba, cresceu influenciada pelo pai, um médico humanista que criticava as desigualdades sociais e atendia gratuitamente populações pobres.

Após o golpe de Batista em 1952, Celia passou a atuar na resistência e ajudou a fundar o Movimento 26 de Julho. Ela teve papel decisivo na preparação do desembarque do iate Granma, que levou guerrilheiros liderados por Fidel Castro do México para Cuba em 1956.

Nos primeiros anos da luta armada, organizou uma extensa rede de apoio aos combatentes na Serra Maestra, coordenando o envio de armas, alimentos, medicamentos e reforços, além de recrutar camponeses para a guerrilha.

Perseguida pelo regime, Celia acabou se juntando diretamente aos guerrilheiros, tornando-se a primeira mulher a atuar na linha de frente do movimento. Próxima de Fidel Castro, participou da organização estratégica e logística da revolução.

Após a vitória dos revolucionários em 1959, ocupou cargos importantes no governo cubano e permaneceu próxima de Fidel até sua morte, em 1980, aos 59 anos.

Deu em Aventuras na História
Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista