A consolidação da cerveja artesanal brasileira no cenário internacional deixou de ser promessa e passou a ser um fato incontestável.
Em um mercado historicamente dominado por potências tradicionais, o Brasil vem demonstrando maturidade técnica, criatividade e identidade própria.
O reconhecimento mais recente ocorreu em uma das competições mais respeitadas do setor, quando rótulos nacionais conquistaram o topo do pódio e reforçaram a posição do país como protagonista na produção cervejeira mundial.
Reconhecimento global na maior competição do setor
O prestigiado World Beer Cup, frequentemente chamado de “Copa do Mundo da Cerveja”, reúne milhares de amostras de diferentes continentes e avalia critérios rigorosos como aroma, sabor, equilíbrio, técnica e fidelidade ao estilo. Conquistar uma medalha de ouro nesse evento significa superar algumas das melhores cervejarias do planeta.
Na edição de 2025, três rótulos brasileiros atingiram esse patamar de excelência, comprovando que a cervejaria artesanal no Brasil alcançou um nível competitivo comparável aos grandes centros produtores.
O protagonismo das cervejarias nacionais
Entre as vencedoras, duas medalhas foram conquistadas pela 277 Craft Beer, sediada no Paraná, enquanto a terceira ficou com a Sim! Cerveja!, de Campinas, reconhecida por sua especialização em rótulos sem álcool.
O resultado não apenas celebra a qualidade dos produtos, mas também evidencia a diversidade de estilos e propostas sensoriais exploradas no país, desde cervejas intensas e complexas até opções leves e inovadoras.
Quadruppel 277: complexidade e sofisticação sensorial

Quadrupel 277 (Foto: Divulgação)
A medalha de ouro na categoria Belgian-Style Strong Specialty Ale ficou com a Quadruppel 277, um rótulo que se destaca pelo perfil robusto e pela riqueza aromática.
Especialistas descrevem a bebida como uma experiência sensorial profunda, marcada por notas que remetem a frutas maduras, como ameixas e tâmaras, além de nuances vínicas semelhantes ao vinho do porto.
Um dos diferenciais está no processo de produção: a maturação prolongada em barril de castanheira, que amplia a complexidade de sabores e confere elegância ao conjunto.
Canoa Quebrada: tradição europeia com identidade brasileira

Foto: Divulgação
Também premiada, a Canoa Quebrada conquistou ouro na categoria Gose, estilo alemão tradicionalmente ácido e levemente salgado.
O toque inovador vem da adição de caju, ingrediente que imprime personalidade tropical e reforça a criatividade da cerveja artesanal brasileira.
Com baixo amargor e perfil refrescante, o rótulo já vinha acumulando reconhecimento, incluindo destaque na Copa Cerveja Brasil. A vitória internacional consolida a trajetória ascendente da marca.
Melancia SOUR’n Salt: inovação no segmento sem álcool

Foto: Divulgação
O terceiro ouro ficou com a Melancia SOUR’n Salt, da Sim! Cerveja!, vencedora na categoria Specialty Non-Alcohol Beer. A bebida combina acidez equilibrada, leve salinidade e notas frescas de melancia, mostrando que a cerveja sem álcool premium também pode alcançar alto nível técnico e sensorial.
Esse reconhecimento demonstra a evolução de um segmento em expansão, cada vez mais valorizado por consumidores que buscam experiências sofisticadas sem consumo de álcool.
Brasil no mapa da excelência cervejeira
As conquistas no World Beer Cup representam mais do que troféus: simbolizam a consolidação de um mercado que investe em qualidade, inovação e identidade local.
O desempenho brasileiro evidencia a capacidade de competir em igualdade com países de tradição centenária e confirma o amadurecimento da indústria nacional.
Para o público, o resultado tem um significado especial: é possível degustar cervejas premiadas internacionalmente sem sair do país, explorando rótulos que traduzem a diversidade e o potencial criativo do Brasil.
Em síntese, o sucesso desses rótulos reforça que a cerveja artesanal brasileira deixou de ser tendência para se tornar referência, um movimento que une técnica, cultura e paixão em cada copo. 🍻


