Saúde 21/02/2026 14:46
Você pesquisa sintomas na internet? Médico alerta os riscos do hábito

De acordo com uma pesquisa do Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS), cerca de 60% dos brasileiros dizem buscar informações sobre saúde na internet, mas a contradição é que desse percentual, 49% dos entrevistados afirma não confiar totalmente nas informações. A pesquisa ouviu 3.200 pessoas com mais 18 anos em oito regiões metropolitanas brasileiras.
Apesar de a pesquisa revelar a desconfiança, Lucas Albanaz, clínico geral e diretor médico do Hospital Santa Lúcia Gama, defende que essa é uma conversa ainda é urgente. “A intenção é compreensível: as pessoas querem respostas rápidas. Porém, muitas vezes essa busca gera mais ansiedade do que esclarecimento”, comenta à coluna.

Segundo Lucas Albanaz, o hábito pode gerar o atraso em diagnósticos de duas formas: quando a pessoa minimiza sinais importantes após ler que “é algo comum” ou quando, tomada pela ansiedade, busca múltiplos exames e especialistas sem coordenação, fragmentando o cuidado.
“O clínico geral ou médico de família é, na maioria das vezes, o melhor ponto de partida. Ele funciona como um coordenador do cuidado, evitando excessos e garantindo uma visão integral do paciente”, destaca.
O especialista explica que interpretar sintomas exige contexto clínico, com variantes individuais como idade, histórico de saúde, uso de medicamentos e estilo de vida
“É como tentar entender um filme assistindo apenas a cenas soltas. A internet mostra informações isoladas; o médico avalia o conjunto da história”, compara. Sem essa análise integrada, há risco de conclusões precipitadas”, destaca.

Entre os sintomas mais comuns pesquisados na internet, estão dor de cabeça, tontura, cansaço excessivo, dor no peito, formigamento, palpitações, dor abdominal e alterações intestinais. Alterações inespecíficas como “fraqueza”, “mal-estar” ou “sensação estranha no corpo” também costumam ser buscadas.
Lucas destaca que esses sintomas, geralmente, têm causas simples, como privação de sono, desidratação, alimentação irregular, estresse, anemia leve ou até mesmo excesso de tempo em frente às telas.
“Sintomas vagos passam a merecer investigação mais profunda quando não melhoram com medidas simples, quando duram semanas sem explicação clara, quando se repetem com intensidade crescente ou quando vêm acompanhados de sinais de alerta como sangramentos, perda de força, alteração da consciência, dor torácica intensa ou falta de ar”, complementa.


Descrição Jornalista
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