A ONG Transparência Internacional – Brasil afirmou na quinta-feira, 19, ser cada dia “mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF”.
A organização anticorrupção reagiu à intimação do presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, que irá prestar depoimento nesta sexta, 20, à Polícia Federal no âmbito do inquérito que apura suspeitas de acesso a dados fiscais protegidos de ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus familiares.
“Um presidente de sindicato é alvo de intimidação por parte de um juiz constitucional, por defender servidores (culpados ou não) vítimas de evidente abuso de autoridade.
É cada dia mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF e o declínio democrático brasileiro”, publicou a TI Brasil no X.
A convocação veio após Cabral conceder entrevistas a veículos de imprensa para comentar o caso de Ricardo Mansano de Moraes, um dos servidores investigados.
Durante as entrevistas, Cabral classificou as medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes – a pedido da Procuradoria-Geral da República – como fora de proporção e com efeito intimidatório sobre o funcionalismo.
“Mensagem intimidatória”
Em entrevista ao programa Meio-Dia em Brasília, Kleber Cabral afirmou que “os crimes que estão sendo aventados, mesmo se confirmados ao final, dão uma pena que é, no máximo, igual a essa que eles já estão sofrendo”.
“Foi determinado uma espécie de regime semiaberto, as pessoas estão de torneira eletrônica, têm que voltar para casa no final do dia, não podem se ausentar no final de semana. Isso é o regime semiaberto, quer dizer, é o máximo que, ao final, essas pessoas pegariam no caso mais grave de vazamento doloso de informações, o que está muitíssimo longe dos fatos concretos que nós temos apurados até o momento”, comentou Cabral, que tem jogado luz sobre o nebuloso processo conduzido por Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
Cabral classificou como “um dos casos mais aviltantes de excesso de desproporcionalidade da história do Judiciário brasileiro” a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de impor a utilização de tornozeleira eletrônica a quatro servidores públicos suspeitos de vazar dados da Receita Federal.


