O custo da cesta básica subiu em 24 das 27 capitais brasileiras entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Os dados integram a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta segunda-feira (9) pela Conab em parceria com o Dieese.
Manaus (AM), Palmas (TO) e Rio de Janeiro (RJ) registraram as maiores altas no conjunto de alimentos básicos, com variações de +4,44%, +3,37% e +3,22%, respectivamente.
Em contrapartida, São Luís (MA), Teresina (PI) e Natal (RN) apresentaram pequenas reduções, de -0,57%, -0,51% e -0,22%.
Tomate e pão francês pressionam cesta
O tomate e o pão francês foram os principais itens responsáveis pela alta. O preço do tomate aumentou em 26 das 27 capitais, após meses de queda, em razão da menor oferta de frutos de qualidade. Cuiabá (MT) registrou o maior aumento, de +63,54%, enquanto São Luís (MA) foi a única capital com redução, de -6,76%.
Já o pão francês encareceu em 22 capitais, com destaque para Manaus (AM), onde a alta chegou a +3,06%. O crescimento foi impulsionado pelo aumento nos custos da energia elétrica e da farinha de trigo, principal insumo e importada em grande parte.
Itens com queda de preço
Apesar da alta geral, alguns alimentos ficaram mais baratos em janeiro. O leite integral caiu em todas as capitais, reflexo dos altos estoques de derivados lácteos. Campo Grande (MS) teve a maior redução, de -8,0%.
Outros produtos com queda incluíram o óleo de soja, o arroz agulhinha, o café em pó e o açúcar.
O óleo de soja recuou em 25 cidades, com destaque para Campo Grande (-7,97%), devido à maior oferta da oleaginosa, valorização do real e baixa demanda interna.
O arroz ficou mais barato em 23 capitais, com a maior baixa em Macapá (AP) (-11,19%), influenciada pelos estoques elevados.
O café caiu em 22 cidades, com o recuo mais acentuado em Manaus (AM) (-5,29%).
O açúcar diminuiu em 21 capitais, favorecido pela ampla oferta e venda de produto de menor qualidade. Rio de Janeiro (RJ) teve a maior queda, de -4,82%.
Salário mínimo e tempo de trabalho
Segundo a pesquisa, o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas em janeiro de 2026 deveria ser de R$ 7.177,57, equivalente a 4,43 vezes o mínimo vigente (R$ 1.621,00).
Em dezembro de 2025, o valor necessário era de R$ 7.106,83, ou 4,68 vezes o piso de R$ 1.518,00.
O tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta básica nas 27 capitais foi de 93 horas e 47 minutos, menor do que em dezembro (98h41min) e também inferior ao de janeiro de 2025 (103h40min).
O trabalhador que recebe o salário mínimo comprometeu, em média, 46,08% da renda líquida com a compra da cesta básica em janeiro. Em dezembro, a proporção era de 48,49%, e em janeiro de 2025, 50,94%.
Expansão da pesquisa nacional
A parceria entre Conab e Dieese ampliou a coleta de preços da cesta básica de 17 para 27 capitais, fortalecendo as políticas nacionais de Segurança Alimentar e Abastecimento. A série completa passou a ser divulgada a partir de agosto de 2025.
Mais detalhes sobre os preços dos produtos estão disponíveis na Análise Mensal de janeiro de 2026, publicada nos sites da Conab e do Dieese.
Deu em IG/Agro em Campo


