Combustíveis 28/01/2026 10:21
Estudo inédito revela as regiões do Brasil com mais fraudes em combustíveis: 28% das amostras apresentam irregularidades, com bombas chipadas, metanol tóxico, crime organizado e risco de danos graves ao moto

Um levantamento do Instituto Combustível Legal (ICL) identificou que 28% das amostras de gasolina, etanol e diesel coletadas em 2025 apresentaram algum tipo de irregularidade.
Ao todo, foram analisadas 3.210 amostras recolhidas em postos de combustíveis de 14 estados brasileiros, com 888 resultados fora dos padrões técnicos após exames laboratoriais.
Os dados fazem parte de um estudo que utiliza o método de fiscalização conhecido como “cliente misterioso”.
Nesse modelo, um veículo descaracterizado abastece como um consumidor comum.
O combustível adquirido é posteriormente analisado para identificar adulterações, fraudes volumétricas e problemas de qualidade.
A partir desse material, o instituto elabora mapas de calor que indicam as regiões com maior incidência de não conformidades.
Segundo o ICL, a principal característica do “cliente misterioso” é reproduzir o cenário cotidiano enfrentado pelo motorista.
O posto não é informado previamente sobre a fiscalização.
A estratégia, de acordo com o instituto, permite verificar se o combustível entregue ao consumidor está em conformidade com as regras técnicas vigentes.
As amostras coletadas são encaminhadas a laboratórios especializados.
Nesses locais, passam por análises físico-químicas.
O levantamento não se restringe à gasolina.
Também são avaliados etanol e diesel, já que irregularidades podem ocorrer tanto na composição do produto quanto no funcionamento das bombas.
Entre as inconformidades identificadas em 2025, a mais frequente foi a fraude volumétrica.
Nesse tipo de ocorrência, a bomba indica um volume maior do que o efetivamente fornecido ao veículo.
Na sequência, aparecem problemas relacionados à qualidade de gasolina e etanol.
Também foram registrados casos de teor de etanol acima do permitido na gasolina.
No diesel, surgem situações de baixo teor de biodiesel.
Houve ainda ocorrências pontuais de adulteração com metanol.
De acordo com o levantamento, foram contabilizados 324 casos de bomba fraudada.
Outros 227 registros envolveram baixa qualidade de gasolina e etanol.
Além disso, 226 episódios indicaram excesso de etanol na gasolina.
Foram identificadas ainda 93 ocorrências de teor insuficiente de biodiesel.
O estudo apontou quatro casos envolvendo metanol.
Em entrevista à Autoesporte, Carlo Faccio, diretor executivo do ICL, afirmou que a fraude volumétrica costuma ser aplicada diretamente no equipamento de abastecimento.
Segundo ele, há situações em que o painel da bomba não corresponde ao volume real entregue ao consumidor.
“Pelo cliente misterioso já identificamos inconformidades que chegam a 31% [do volume] exibido no painel”.
Ainda de acordo com Faccio, o estudo indicou concentração regional desse tipo de prática.
No recorte divulgado, 52% das fraudes volumétricas foram registradas no Paraná.
O aumento da atenção sobre o tema ocorreu após a deflagração da Operação Carbono Oculto.
A ação foi conduzida pela Receita Federal com apoio de outros órgãos.
A investigação apurou um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o mercado de combustíveis.
Mandados foram cumpridos em oito estados, incluindo São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Informações oficiais divulgadas à época indicaram a identificação de irregularidades em mais de mil postos.
Esses estabelecimentos estavam distribuídos por 10 estados.
O balanço também apontou movimentação financeira estimada em R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
Entre as práticas investigadas, apareceu o desvio de metanol para adulteração de combustíveis.
Parte das irregularidades envolve o teor de etanol presente na gasolina.
Desde agosto de 2025, o Brasil passou a adotar oficialmente a gasolina E30.
O combustível contém 30% de etanol anidro, conforme decisões do Conselho Nacional de Política Energética.
A regulamentação é feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Nesses casos, a infração ocorre quando o percentual permitido é ultrapassado.
A ANP informa que alterações no comportamento do veículo podem servir como alerta.
Segundo a agência, aumento de consumo, perda de potência ou falhas no funcionamento podem ter diferentes causas.
Entre elas está a qualidade do combustível, embora o órgão ressalte que esses sinais não substituem análises técnicas.
A adulteração com metanol representa uma parcela pequena das ocorrências mapeadas pelo ICL.
Ainda assim, o tema é acompanhado de perto devido aos riscos envolvidos.
Em declarações públicas, Carlo Faccio destacou que se trata de uma substância tóxica e corrosiva.
Segundo ele, o produto pode causar danos à saúde de trabalhadores e consumidores.
Em 2025, autoridades sanitárias investigaram casos de intoxicação associados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol.
Os boletins oficiais trataram de notificações e confirmações laboratoriais em alguns estados.
Até o momento, não há divulgação de um número consolidado de hospitalizações em escala nacional.
Com base nas amostras coletadas, o ICL elaborou mapas de calor para indicar as chamadas zonas de risco.
A classificação varia conforme o tipo de irregularidade.

Nos casos de fraude volumétrica, aparecem com mais registros municípios como São Paulo, Campinas, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Mauá, Santos e Guarujá.
No Rio de Janeiro, os destaques são Rio de Janeiro, Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
No Paraná, surgem Curitiba, São José dos Pinhais e Campo Largo.
Cidades da Bahia e de Goiás também aparecem no levantamento.

Quando o foco é a qualidade de gasolina e etanol, o estudo cita São Paulo, Guarulhos, Santos, Jundiaí, Campinas e municípios do ABC paulista.
No Rio de Janeiro, os registros envolvem Rio de Janeiro, Duque de Caxias e São Gonçalo.
O recorte inclui ainda Belo Horizonte, Contagem, Curitiba e Salvador.


No caso do diesel, os registros mais frequentes aparecem em cidades do litoral paulista.
Também surgem municípios do interior do Paraná.
Há ocorrências em Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
O ICL informa que os mapas funcionam como um indicativo estatístico.
Eles não representam uma classificação definitiva de cada posto.
Representantes do setor afirmam que alterações na cadeia de distribuição podem ocorrer em curtos períodos.
Deu em CPG

Descrição Jornalista
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