FatorRRHFatorRRH — por Ricardo Rosado

Comportamento 15/01/2026 16:04

Por que tantos casais estão se separando agora? Um mal-estar global está surgindo

Você deve ter percebido esse sentimento geral ao seu redor: amigos se separando, colegas se divorciando, entes queridos redefinindo suas vidas amorosas.

Ultimamente, os relacionamentos parecem estar passando por uma fase difícil. Não porque o amor tenha desaparecido, mas porque as conexões estão mudando no mesmo ritmo que o mundo ao seu redor.

Antes de falar em “crise”, é essencial entender que todo término é, acima de tudo, uma tentativa de encontrar bem-estar, de respeitar a si mesmo e às suas necessidades.

As grandes causas… ainda relevantes

Mesmo na era dos aplicativos, podcasts sobre comunicação não violenta e terapia de casal democratizada, os motivos para a separação permanecem surpreendentemente os mesmos. Conflitos repetidos, ressentimentos acumulados e não expressos, e a sensação de não ser mais ouvido ou visto com carinho enfraquecem gradualmente o vínculo.

Quando a cumplicidade se desgasta ou a intimidade emocional e física diminui, o corpo e a mente enviam sinais. Fadiga relacional, tensões diárias, a sensação de não estar mais conectado: todos esses são sinais de alerta que lembram que você merece um relacionamento que seja nutritivo, respeitoso e alinhado com a sua energia mais profunda.

Expectativas mais elevadas e assertivas.

Hoje, um relacionamento a dois não é mais apenas um refúgio seguro ou uma obrigação social. Tornou-se um espaço para crescimento pessoal. Espera-se — e com razão — apoio, respeito, desejo e crescimento compartilhado. Quando essas expectativas deixam de ser atendidas, a questão de permanecer ou partir se torna mais evidente do que nunca.

Essa evolução afeta particularmente as mulheres, que agora possuem maior autonomia financeira, emocional e social. Iniciar uma separação não é mais visto como um fracasso, mas como um ato de coerência consigo mesma, com o próprio corpo, com os próprios valores e com o próprio caminho na vida.

O peso do contexto social e econômico

Seria injusto reduzir os términos de relacionamento a meras questões do coração. O dia a dia pesa muito sobre os relacionamentos.

Carga mental, divisão desigual de tarefas, pressão financeira, incertezas na carreira… quando esses problemas não são abordados com honestidade e comunicação aberta, eles se infiltram no casal como frustrações silenciosas.

As mudanças na legislação também alteraram o cenário. A separação agora é mais simples, mais regulamentada e menos estigmatizada. Essa acessibilidade não gera sofrimento, mas oferece uma saída quando o relacionamento se torna uma fonte de angústia em vez de apoio.

Crises coletivas: indicadores poderosos

Períodos de turbulência, como a recente pandemia, funcionaram como uma lupa. Viver juntos continuamente, lidar com o estresse, o medo e as mudanças na rotina… tudo isso evidenciou o que já estava dando errado.

Alguns casais saíram fortalecidos, enquanto outros perceberam que suas bases eram frágeis demais. Isso não é um fracasso. Muitas vezes, é uma constatação necessária para encontrar um equilíbrio mais saudável, seja individualmente ou em casal.

Em direção a uma nova normalidade relacional

Hoje em dia, separar-se não é mais sinônimo de vergonha. Às vezes, é um passo rumo à reconstrução, à reconexão consigo mesmo, com o próprio corpo e com os desejos mais profundos.

Essa normalização dá a impressão de que “todo mundo está se separando”, quando, na verdade, trata-se de uma discussão mais aberta sobre escolhas amorosas. O que você está observando não é uma crise de amor, mas uma transformação nos relacionamentos. Um convite coletivo para priorizar conexões vibrantes e respeitosas, alinhadas com quem você realmente é.

E se, no fundo, essas “rachaduras” não fossem um sinal de mal-estar global, mas sim de um grande movimento em direção a mais autenticidade, positividade corporal emocional e autoestima?

Deu em The Body Optimist

Ricardo Rosado de Holanda
Ricardo Rosado de Holanda


Descrição Jornalista