Economia 11/05/2025 11:59
Deflação em fábricas chinesas se aprofunda com guerra comercial

Os preços de fábrica na China registraram a maior queda em seis meses em abril, enquanto os preços ao consumidor caíram pelo terceiro mês, ressaltando a necessidade de mais estímulos enquanto os formuladores de políticas lidam com o impacto econômico da guerra comercial com os Estados Unidos.
A retração prolongada do mercado imobiliário, o alto endividamento das famílias e a insegurança no emprego prejudicaram os investimentos e os gastos do consumidor, mantendo vivas as pressões deflacionárias.
Agora, a economia chinesa também enfrenta riscos externos crescentes, decorrentes das barreiras comerciais.
No entanto, há esperanças de uma redução das tensões, já que as negociações comerciais entre EUA e China começaram na Suíça neste sábado.
O índice de preços ao produtor da China caiu 2,7% em abril na comparação anual, mais que a queda de 2,5% de março, mas ficou abaixo da previsão dos economistas, que esperavam um recuo de 2,8%, mostraram dados do Escritório Nacional de Estatísticas neste sábado.
“A China ainda enfrenta pressão deflacionária persistente”, disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management. “A pressão pode aumentar nos próximos meses, já que as exportações provavelmente enfraquecerão.”
“Mesmo que a China e os EUA consigam progredir e cortar tarifas nas negociações comerciais, é improvável que as tarifas retornem ao nível anterior a abril”, acrescentou Zhang. “Uma política fiscal mais proativa é necessária para impulsionar a demanda interna e resolver o problema da deflação.”
Os preços ao consumidor, por sua vez, caíram 0,1% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, igualando a queda de 0,1% em março e a previsão de uma pesquisa da Reuters.
O índice de preços ao consumidor subiu 0,1% em abril ante março, em comparação com uma queda de 0,4% em março. Economistas previam que não haveria alteração nos preços.
A inflação subjacente, excluindo os preços voláteis de alimentos e combustíveis, ficou em 0,5% em abril em relação ao ano anterior, em linha com o aumento registrado em março.
O governo chinês está implementando uma ampla gama de medidas para estimular o consumo em diferentes setores. Na semana passada, anunciou uma série de medidas de estímulo, incluindo cortes nas taxas de juros e uma grande injeção de liquidez.
À medida que a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo pesa sobre as exportações, os gigantes do varejo da China, incluindo JD.com e Freshhippo, de propriedade da Alibaba, iniciaram medidas para ajudar os exportadores a se voltarem para o mercado interno.
Isso pode deprimir ainda mais os preços, já que a confiança dos empresários e consumidores permanece reprimida devido às perspectivas incertas.
Bancos de investimento globais, incluindo o Goldman Sachs, reduziram suas previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) da China neste ano, para abaixo da meta oficial de cerca de 5%, atribuindo o rebaixamento à guerra comercial prejudicial.
Deu em Reuters/MSN

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